Marcelo nos trouxe algumas noções sobre performatividade desde a semana passada, quando começamos a trabalhar diariamente no galpão o projeto Mil Casas. O estudo evoluiu de noções como “termo indisciplinar para nomear a capacidade de discurso e linguagem não verbal” para o maravilhoso (dai a Cesinha o que é de César) “Consciência das interferências geradas num fluxo estruturado pela pessoa e o espaço. Consciência é diferente de controle. Na performatividade eu me adapto a situação.” Hoje, para combinar, questionamentos mil.
Qual a diferença entre performar e estar na vida?
Seria a consciência de que estou fazendo algo pra ser visto?
Na vida eu não preciso acertar o tempo todo, na performance sim. (Não seria o contrário?)
Na performance as coisas não precisam ser funcionais. Eu nunca faço a coisa pela coisa, tudo que se faz tem um sentido outro.
O que atrapalha o performar, o que cria dificuldades nesse processo? Criar um discurso que meio que ilustra o pensamento? Tentar ter um completo controle desse discurso, das consequências, e do que está se fazendo? A performatividade é o lugar de um controle rígido ou de se expor a afetações do momento?
Surge então mais um desafio em mil casas, proposto pelo orientador: Levar para a vida das pessoas uma compreensão de como eles podem performar na vida, numa vida em que parece que o tempo inteiro elas são só empurradas ladeira acima ou abaixo. A prática que temos que exercitar não seria justamente a prática de estar? Um dos pontos que eu consegui absorver com clareza foi sobre a performatividade ser uma construção no momento, de estar no lugar. Não de fazer, de propor, de “ter-que”. E para isso… “É preciso engajamento.”
12 de maio de 2011 em 3:09
Dani, nem sempre ativo coisas por aqui mas seu poste me deixou pensando… acho que a noção que vc trás de ‘performar’ é uma que muito está atrelada a condição de ter que ter algo para ser visto como elaboração ou produto de algo. vou explicar: a arte nunca foi só para ser vista num palco ou com um tempo determinado para acontecer, onde tudo se resolve com o brilhantismo de uma vida real da ficção, certo?. essas noções que vcs ai estão minunciando, são aquelas da percepção, da afetação do conviver, viver, trabalhar. ‘Levar para a vida das pessoas uma compreensão de como eles podem performar na vida’ é talvez, se jogar na ladeira provocando algum movimento, os tirando da inércia, quem sabe pela necessidade em gerar dúvidas, questões, do porque, de como a história, por exemplo, que gira entorno do “Salto no Vazio” de Yves Klein: http://artpages.org.ua/images/pict/pustota/klein/le_saut_dans_le_vide.jpg, sugeri. Essa obra é uma montagem? manipulação? suicídio? performance? realidade? ficção? Ou como os objetos relacionais da Ligia Clark, que coloca a questão da arte na ‘feitura’ dela, na relação entre quem percebe e o objeto. Por isso vc diz sobre a maneira de estar, na maneira de lidar.
A Performance Como Linguagem (Coen, 1999) tem na sua genealogia a quebra de fronteira como um dos dispositivo pra se discutir, pensar, trabalhar até então o que se chamava de arte na história, daí vem o “Happening”, termo que foi usado para as primeiras aparições desse tipo outro de organização para a experimentação artística, já que as que existiam já não davam mais conta da pluralidade de expressão que o mundo moderno pedia por aparecer, se legitimar, como produção de conhecimento, n só como aquela acadêmica mas tbm a artesanal.
Acho que por isso, é tão difícil reconhecer e recortar exatamente o que se chama por performatividade, ela ta em todos os lugares como em todos nós, implícita enquanto estamos agindo, se posicionando. Pra tentar desdobrar, retorcer, essa’s questões, fico me perguntando como estamos nos organizando(?) com que olhos estamos nos tocando(?).