Mil Casas, Plano de Ação.

Por: às 26/04/2011 18:34:39

Start!

Cada artista assume um mínimo de 5 a 10 casas, e este é seu plano piloto para esta primeira etapa. Cada artista propõe uma ação performática. Não existem ações- laboratório nem a perspectiva de pesquisa de campo.

O critério para escolha das suas casas tem que está claro, isto é, articulado conceitualmente com o que você quer fazer. A escolha das casas não é aleatória.

Existem duas possibilidades:

>você pode ser o propositor conceitual de uma ação, podendo  aplicá-la com alguém ou, inclusive, estar “de fora”, isto é, você pode “dirigir-orientar”outros artistas. Quantos você achar que sua ação precisa;

> você pode estar vinculado a um grupo, onde outro artista propôs conceitualmente a ação. Entretanto você  é responsável pela articulação e aplicação desse conceito, pela sua própria abordagem  e pela documentação disso. Em outras palavras, você é  responsável por 5 casas.  Por exemplo, uma idéia  proposta  para um subgrupo de três pessoas,  terá conseqüentemente três abordagens diferentes. Não existem “as casas do grupo X”. Existe um conceito-ação compartilhado e cada artista tem seu próprio módulo de ação.

Portanto, não existe o lugar de alguém que NÃO está à frente de uma ação. Todos tem seu plano piloto.  Você pode conceber uma proposição, aplicá-la, e ainda estar colaborando com outra. Isto significa que além do seu plano piloto ( 5 casas) você está  vinculado ao plano piloto de outro artistas (outras 5 casas).

A principio, o outro só conhece  sua ação a partir da interface da internet.

Isto significa que tudo é documentado e que a maneira como escolho apresentar essa ação é o mais importante. Portanto essa documentabilidade NÃO tem a natureza de registro apenas.  Cada ação se completa, na interface virtual.  Nesse sentido, como eu documento minha ação é também “a obra”.  Numa metáfora  isso é “o espetáculo”. Essa documentabilidade é coerente com a ação.

O projeto tem uma avaliação no final da primeira etapa, em junho. A partir daí, novos rumos podem surgir, ou seja, ações (e artistas) podem seguir num aprofundamento, ou  ações ( e artistas) podem  se reconfigurar e se desligar das etapas seguintes.

Nesta avaliação, além do material gerado a partir das proposições de cada artista, se levará em conta a maneira como o artista conseguiu articular sua ação com as outras ações, e com os outros artistas.  Por exemplo, meu plano piloto (5 casas) pode ter um “resultado ” mais frágil e isto faz de mim um artista menos potente no lugar de conceptor.  Mas, em contrapartida, eu consegui me articular a outras proposições e consegui potencializar outras ações. Nesse caso isso será levado em conta.  Sendo assim, um artista que trabalha sozinho terá menos chances de seguir no projeto.

A direção artística do projeto 1000 Casas é do Marcelo, e essa orientação vai acontecer de diversas formas. Em instâncias coletivas em estúdio  (1 ou 2 encontros semanais), no espaço virtual através da documentação das ações, em encontros específicos com os artistas a partir de mostras e experimentações, etc. De outras formas ainda não previstas, que vão emergir do processo.

Nesse primeiro momento não existe a figura de “alguém” responsável pelo registro do projeto 1000 Casas. O vídeo não está mais num lugar específico ou descolado das demais proposições.  O projeto, nesta primeira etapa, se registra a partir de cada ação, e cada artista responde pela documentação de sua ação. Importante:  com o entendimento  que essa documentação é uma articulação conceitual vinculada a ação performática  e não apenas um registro de  “prestação de contas”.   O eixo de documentabilidade,  ao tempo  em que é obra, é também registro.

O projeto tem, portanto, três eixos  que não devemos perder de vista:

1>     concepção artística da ação (o que é, quais são as estratégias, como eu vou utilizar as condições da casa, qual a questão, etc).

2>     abordagem (planejamento, como eu vou aplicar a ação,  como  eu relaciono isso com os outros, etc)

3>     documentabilidade (maneira de apresentar o trabalho que é a obra em si, forma pela qual eu “vendo” minha idéia ao outro,  o espetáculo, como me faço ver).

Por fim, o projeto 1000 Casas é um projeto de manutenção do núcleo, logo, é aberta a possibilidade de participação a todos os artistas nessa primeira etapa.  No cronograma atual as visitas acontecem a partir de 2 de maio e se estendem até 10 de junho. E aí começam as avaliações.  As etapas seguintes do projeto estão condicionadas a esse primeiro processo e o que virá daí.

Precisamos finalizar o Mapeamento  da região do  grande dirceu,  já iniciado em Janeiro.  E  cruzar os cronogramas individuais onde cada artista define a freqüência, o período, e apresenta sua ação, tendo assim uma visão geral do andamento das ações.

Bom trabalho para nós, moçada. Ufaa! Espero ter conseguido compilar o que discutimos.

{link imagem: Fire Painting is a cybernetic construction made by Sanela Jahić.  via todayandtomorrow}



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Quem Somos:

Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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  • L.H.: A peteca caiu mesmo. Também sinto parecido Eli. E acho muito preciso algumas de suas colocações. Mas quero...
  • Elielson Pacheco: Me sinto meio idiota no momento. E fico pensando qual é o ponto do desmoronamento que tem que ir...
  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
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