Mono é uma instalação coreográfica criada em 2008 por Marcelo Evelin/Demolition Inc. e Núcleo do Dirceu. Tem concepção, direção e performance de Marcelo Evelin, e foi criado em colaboração com Jacob Alves e Cipó Alvarenga, que também assinam a criação e performance. A produção é de Regina Veloso/Núcleo do Dirceu.
Mono propõe ao espectador três espaços distintos e isolados, ocupado por três homens engajados em uma ação continua, que se mantêm como suspensão ou insistência no decorrer de duas horas. O público pode entrar e sair a qualquer hora, e pode escolher a seqüência de como e por quanto tempo ver cada ação. A obra propõe assim, uma reorganização do lugar e do olhar do espectador, dando a ele a possibilidade de um entendimento próprio.
Mono expõe três artistas desenvolvendo uma ação específica e distinta das demais, em um ambiente condicional específico, ou seja, um ambiente espacial que determina diretamente a ação executada. Um homem se debate em uma chapa aquecida por luz com o corpo besuntado de banha de porco. Um homem faz movimentos leves e acrobáticos em um espaço iluminado por luz negra. Um homem brinca com 50 bonecas de plástico as organizando em situações comuns que se referem à dança, à família, à vida dos seres humanos no mundo e na sociedade.
O que existe em comum entre esses três artistas instalados é a ausência de música e a exposição do corpo nu. Corpo simplesmente despido de sua aparência social, despojado de qualquer noção estética e de qualquer possibilidade de eroticismo. Três corpos dispensados, demitidos da função de “fazer e mostrar” comumente aplicado na dança, para se fazer presente como ação de “ser e estar”. Três corpos sem identidade fixa, sem classificação ou referencia, apenas como materialidade e desejo de “presentificação” nessa atemporalidade oscilante. Daí a opção quase que inevitável de mostrá-los nus.
Recentemente a instalação foi convidada pelo sr. Gustavo Carvalho para ocupar o Museu do Piauí como parte do fórum que discute a criação de uma bienal de artes no estado. Gustavo Carvalho é um intelectual das artes e das letras, tem mestrado na USP de São Paulo e é estudioso dedicado à obra de Walter Benjamin. Propõe essa bienal e todo o mecanismo de construção dela, com coerência e seriedade, e em momento crucial para o estado do Piauí. E o faz com o intento pleno de desenvolver outros pensamentos e maneiras de se organizar para nossa cultura e sociedade, subsistindo em terras áridas e castigadas pelo desconhecimento.
Mono vem sendo apresentado desde sua criação em importantes teatros, galerias, museus e como atração em festivais e encontros em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, São Luis, Fortaleza, Amsterdã, Cidade do México, Quito, Lima e Montevideo. Nunca se apresentou no Piauí.
Estreou no espaço de exposição do Itaú Cultural em São Paulo, como obra comissionada por eles. Ocupou o espaço da Galleria Veem Vloer em Amsterdã em co-produção com o Hetveem Theater, a Galleria Arte Actual em Quito, no Equador, e o Museu de Arte Moderna do Complexo Dragão do Mar em Fortaleza. Apesar de ter sido apresentado em palcos (deslocados) de teatros, Mono foi criado para espaços de exposição, daí a coerência em apresentá-lo no Museu do Piauí.
Mono foi cancelado cinco dias antes de sua apresentação confirmada pelo promotor do Fórum/Bienal, sem uma justificativa clara, um motivo declarado que impedisse sua apresentação e sem que se saiba quem foi o responsável pelo cancelamento e em que vias de legitimidade esse cancelamento ocorreu. O cancelamento ocorreu como mais um fato corriqueiro, um pequeno detalhe que realmente não faz diferença, como um imprevisto dos de sempre, um beijo me liga cínico e indiferente.
Quem matou Fernanda Lages?
26 de outubro de 2011 em 19:58
inexplicável e inaceitável esse cancelamento, estou indignada! gostaria de uma explicação plausível, se é que esta existe pois os argumentos apresentados não são convincentes nem demonstram profissionalismo e integridade ética.
quero ver o mono no museu do piauí!
26 de outubro de 2011 em 20:07
caos! TERESINA CIDADE MENINA! medo
26 de outubro de 2011 em 22:15
Que falta de respeito e profissionalismo!
Infelizmente é um ato revelador do obscurantismo e do modo corrupto de agir no Piauí.
26 de outubro de 2011 em 22:34
Os trabalhos do Núcleo do Dirceu são referência para produção de arte contemporânea brasileira. Porque será que artistas tão sérios e dedicados precisam ser submetidos a tamanha baixaria? Quem é o promotor responsável???
27 de outubro de 2011 em 0:47
A terra dos salgadinhos e coquetéis… onde tudo pode. Roubar, Censurar, matar… tudo aqui faz parte, é normal. Lugar onde quem é redondo vira quadrado para caber nos brinquedos do estado. Aprende o discurso transforma em poema e recita todo embasado em referêncial teórico…
Ainda temos um slogan pra não esquecemos:
Piauí é feliz quem vive aqui !
27 de outubro de 2011 em 1:46
brainstorm on mechanism of this chaos:
Lack of enough courage to do things as we really imagine them. Dreaming big. But at a certain point… upssss…. there is a wall. What can I do?
POSSIBILITY 1
I go against.
It doesn’t have to be in a hard way, I can fly over it and make the wall even turn its ass and look at me flying and want to follow. Get rid off the weight of the old bricks and stuck cement in between.
Or it can be a fight. It can be fight for liberation from old fearful stuck models.
POSSIBILITY 2
I turn back. I accept the wall as something necessary, part of THIS reality…
… so I LEARN to work with it. I CHANGE MY DREAMS…
I come from a small city in Czech republic and there the creativity often crushes with the hard, fearful thinking of people wanting to work in an old way fearing the new things. It has been sometimes very hard to even just TRY to do something there. Questions like why? and for who? for what? has came every time with every attempt. But once in a while there is a glimpse of understanding of what sharing feels like. For me art is about sharing. And even if it happens once in a while (measured by minutes of event, or years we work, or amount of audience who come and open themselves and so let us come closer), the feeling says that it make sense. But sometimes it is so hard and so tiring to deal with that wall.
I think there is many of us who say that love art. But isn’t that maybe just fancy and nice to be part of this artistic world? And when it comes to the real decisions, those are made from the same point of view as of those who creates the walls? Because in the end it is not about art itself, but the image of being busy with art but in fact farting deep into the leather armchair in the comfortable office, being afraid to loose that warm spot under? Saving own ass…
It is a great pity that in this case (of MONO being cancelled in program of Bienal de artes here in Teresina) possibility 2 was chosen so fast and so easily.
Mainly it is a pity for people of this city, of this state which such an institution as Museu do Piaui represents. People will not even hear about what happened, or will hear some kind of polite version, some polished reasons. People from that building (Museu do Piaui) were coming with BIG DREAMS but didn’t menage to take responsibility for them even before they became reality.
“Responsibility begins in dreams.” (H.Murakami)
Reading today the post about the cancellation of Mono (with translation of course) I realized how absurd this what happened is. Not just but also because you can see from the post how great this project is, how much support it got from all those places it had been presented etc… And in the end… when it should be presented in the city where it was partly created it ends up with such a silly and fearful reaction WHICH HAS NOTHING TO DO WITH ART.