Música que dança e dança que musica…

Por: às 03/10/2008 11:24:00

Marber Ramos, experimentando dinâmicas de aulas para corpos diferentes, sem padrão definido de razão estética ou social. Instituições esquizofrênicas, hipocondríacas… abertas…que possuem particularidades e se reúnem em uma sala que a todo instante é bombardeada com um estimulo sonoro vindo da av. Joaquim Nélson. Marber um dia chegou pra mim, propondo-me uma idéia de trabalhar em sala de aula criando músicas que propusessem uma atmosfera, criada de acordo com o procedimento de suas aulas. Encontrar na idéia de seqüências de movimentos a possibilidade de se instaurar dinâmicas, tanto com a música como com o corpo. Esse trabalho de dinâmica, em relação ao corpo, me faz pensar num corpo que cria sua própria música enquanto dança e que pode se transformar em dramaturgia quando o artista reconhece suas próprias potencialidades. A dança parece já ter uma autonomia que a música no ocidente, de uma maneira geral, parece não ter encontrado.

A música no ocidente é baseada numa idéia básica de tensão e resolução, de apoio e impulso que se delimitam mais ainda por esquemas e fórmulas matemáticas que por fim faz com que o tempo se torne um dado regulado dentro da música. Em dança, acredito também ter sido assim em dado momento da história da dança com o ideal romântico(sapatinhos-de-cristal) do balé clássico. O corpo contemporâneo hoje se manifesta pela sua presença ao invés de sua representação, o que lhe dá uma liberdade imensa de escolha. Hoje sim essa possibilidade se estende para nós ao fazermos nossa dança por que temos a possibilidade de manipular a dinâmica do corpo.

Dança = dinâmica + tempo próprio
Música do corpo = dramaturgia
Música = dinâmica + tempo matemático

Tivemos cinco reuniões nesse tempo de quase três meses, estamos podendo dessa forma discutir idéias de procedimentos de aulas e questões que envolvem a dança relacionada com a música.

- Marber:

Música para movimentar a
Dança da música

Ao pensar nestas duas camadas que há tempos andam juntas e no diálogo que poderíamos gerar no nosso convívio artístico, iniciamos conversas para refletirmos sobre esta aproximação.
O Fagão tem a música como foco da sua pesquisa artística.
A dança, o meu.
O treinamento diário é o nosso espaço de experimentação.
O Fagão se dispõe com seus instrumentos percussivos e o computador e diariamente trata da sonoridade para as aulas que envolvem o Núcleo de Criação do Dirceu.
A impressão imediata que exponho é a ampliação das variáveis de como alertar o corpo.
As aulas funcionam como preparo físico, com exercícios seqüenciados e ajustados musicalmente. Também como campo para a criação e o reconhecimento da capacidade da música e do corpo, através da improvisação direcionada ou de direcionamentos vindos das pessoas que estão conosco e que interferem na construção dessas aulas.
Entendo que por não existir uma fórmula diária de como será cada aula, criamos um lugar amplo, justificado com a entrega nossa e dos que optam vivenciá-lo.
Tratamos, então, de duas coisas que se conhecem e que precisam se conhecer diariamente.

.:Marber Ramos e Fagão só:.



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3 Comentários

  1. janalobo disse:
    4 de outubro de 2008 em 14:00

    não entendo muito quando tu fala que a dança já tem uma autonomia no ocidente e a músia não… como assim? você tá falnado de dança contemporânea, né? e de que tipo de música?

    dinamica está inerente ao movimento independente da música. e a música das aulasnão é só atmosfera não!!


    Responder
  2. fagão disse:
    4 de outubro de 2008 em 16:36

    o que falo jana tem uma relação direta com o que agente faz aqui, e a musica que falo é justamente essa música que citei no texto, OCIDENTAL, criada por pitágoras,dentro de um esquema matemático, caracterizada por um pulso, refém das fórmulas de compasso.

    enquanto à dinâmica não falo da inexistencia dela falo do controle dela, e acredito não ter falado em momento algum de uma dependência da dança em relação à música, mas acredito estar falando justamente do contrário.

    enquanto à idéia de atmosfera; eis aqui um entendimento pessoal do que faço; música pra mim é lidar com atmosferas.

    agora tu pode me falar o que é essa atmosfera que tu entendeu?

    mas valeu por colocar suas dúvidas, o intuito desse texto é justamente discutirmos sobre procedimentos de aula.


    Responder
  3. Weyla disse:
    7 de outubro de 2008 em 1:13

    não sei bem como entrar nesse assunto específico de música, mas entendo que o feito de pitágoras pra música, foi organizacional, fato que não tira sua autonomia.Talvez nós ( ocidentais) é que pegamos a coisa pronta e pronto!!!!
    se agora estamos entrando neste assunto ,poderíamos pensar em outras formas de entender essa música.

    Pra dança não vejo diferença, e acho que a autonomia que a dança tem ,é mais no entendimento dela, pois como a música, o corpo também é matemático no seu movimento e no seu pensamento.


    Responder

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