naomeleveamalhojee’carnaval

Por: às 11/03/2011 17:02:04

+ no  debris

Carnaval da aquela vontade doida de acreditar na ilusao e de assumir a  fantasia para sempre. tempo de um brilho artificial trazido pra vida, o glitter, o paete, o confete ou a maizena como maneira de desmanchar borrando aquelas identidades que estao forçosamente inscritas nos corpos, mas que tambem nada mais sao do que pura ilusao. o carnaval dos saltos e cilios, das ruas, dos corpos transfigurados, amparados nao apenas na tradicao cultural mas no desejo dilacerador da carne. corpos hibridizados pela emergencia do presente, sejam eles dos homossexuais que incorporam  a politica em corpos trans, ou dos heterossexuais que se permitem o vestir de mulher como opcao perversa de dissimular uma inversao dos papeis. essa subversao acontecendo ainda de forma massiva na sociedade do brasil de hoje, apenas deflagra mecanismos muito sutis desse jogo entre “ser ou nao ser” em um pais (ainda) machista e homofobico. mas carnaval e’ o espetaculo do samba, opera sacra e profana de proporção gigantesca, antropofagia performatica na complexidade desse caldeirão brasil. carnaval tem a mangueira homenageando o filho nelson cavaquinho, com um samba que foi rezado pelo presidente da escola quando apresentado a comunidade. a mangueira verde e rosa parando a bateria por 22 segundos enquando se ouvia aquelas 61 mil pessoas cantando nas arquibancadas. tem a grande rio reconstruindo do zero o carnaval em 23 dias com a ajuda voluntária dos cidadãos em numero que chegou a exceder a quantidade de trabalho. tem paulo barros que de certa foram substitui joaozinho 30 na avenida, com a irreverencia e a sofisticacao de um pensamento gay dessiminado e fundamentado no mundo de hoje. e tem gisele bundchen como venus do seculo 21 na vila isabel, escola que se descuidou e nao colocou cabelo pixaim na avenida em um enredo sobre cabelos em todo lugar do mundo. gisele nao precisa sambar diziam os reportes da televisao, tambem acho que nao, a mulher mais bonita do mundo no palco do samba, porque beleza promete felicidade, que pode durar muito mais do que os dias gordos de carnaval.




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1 Comentário

  1. Weyla disse:
    15 de março de 2011 em 23:45

    Essa vontade doida de acreditar na ilusão e assumir a fantasia pra sempre…
    apesar de todas as metáforas e ideias embutidas neste contexto carnaval, gosto de fingir que acredito nessa ilusão,nem que seja por algumas horas, pra me desafogar.


    Responder

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