No Caminho de/uma/Umas 1000 Casas

Por: às 07/02/2011 11:43:09

Não deixa de martelar na minha cabeça, a maneira e o como é importante pensar na maneira de seduzir essas 1000 casas?

De como esse projeto pede e pode proporcionar um canal de comunicação sem adereços muitas vezes usados para comunicar no teatro e na dança?

De que chegar nessas casas é muito mais do deslocar meu trabalho de um lugar(teatro,galeria,sala de aula,galpão),onde o publico sai de casa para ver alguma coisa,para levar pra casa de alguém,como uma visita,um camelô,uma vendedora da Natura .

Sei que a via ´não é de oferecer,mas de seduzir,e saber o que vem por trás desse descolamento,de descobrir a necessidade desse dialogo homem a homem,que não é sobre levar cena pra casa das pessoas porque elas não tem motivação pra saírem das suas casas pra ir ver teatro,que é muito mais sobre uma troca,delas cederem um lugar de vivencia comum,real para o artista que deseja uma experiencia na hora,no momento,um laboratório da vida real,tal qual o teatro deve ser para se aproximar das pessoas de carne osso e dente.

Que pode ser ainda possibilidade de ação e reação,dar ou/e receber,de derrubar os conceitos da velha barreira dos palcos entre artista e publico,do artista testar sua porosidade,de compartilhar suas questões de uma forma que elas surgem muito mais de uma fricção do que de uma analise,pensante,intelectualizada,burocrática,politica,carnal idealizada,financeira,epistemológica,cabeção…

Mas do que formular uma questão para trabalhar dentro do projeto 1000 casas,fico pensando em como e de onde vem a minha motivação para chegar nessas casas,que não tem forma pra falar com as pessoas:que joga lixo na rua,que dar esmola pra um pedinte mesmo sem ter o que dar,que é crente,testemunha de jeová,catolico,espirita e macumbeiroque foi assaltado semana passada,que tá morrendo de medo de enchente,que dar valor passar pela ponte estaiada,que adora forró,que já assistiu a Raimunda pinto sim senhor,que pensa que o Papa é pedófilo,que já usou alguma coisa da Nike,que tem Orkut,que detesta cajuina,que tem grade nas portas e janelas que o melhor jeito é ser gente que acorda cedo,que dorme muito,que vai mercado,que não tem dinheiro pra comprar tudo que quer,que conversa e briga ao mesmo tempo com o vizinho.. .que o discurso usado é e deve ser o que as pessoas vivem,o que é real para elas,e também para nós.

Eu quero é me jogar…

imagem do OBRIGATÓRIO>  bloodrobots.tumblr.com



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1 Comentário

  1. Leo Nabuco disse:
    7 de fevereiro de 2011 em 22:33

    pode crer soraya, tem um como chegar, pra quê chegar, em quem chegar, que dá mais vontade de se chegar. Acho mesmo que essa primeira enxurrada de idéias vai ser só o meio, um jeito de a gente se aproximar. aos poucos devem surgir de fato algo vindo desse caldo, desse assunto maior do 1000 casas que pra mim gira em torno de por quê chegar no outro, como chegar no outro, pra quê chegar no outro. só se jogando pra ver…


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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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