O Nucleo do Dirceu no Oxigenio organizado pela Projecta em parceria com o Desaba de Sao Paulo. O Oxigenio é uma serie de 6 encontros, onde relatos, proposicoes, questoes e diagnosticos sao trazidos para compartilhamento de um grupo de pessoas, coreografos, jovens e experientes interpretes, produtores, teoricos, professores, gestores, fotografos e pesquisadores em danca.
Fui convidado para (de alguma forma) apresentar o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Nucleo do Dirceu em Teresina, numa edicao focada em producoes acontecendo fora do eixo, dos centros de producao do pais. Esse encontro sendo o ultimo da serie, alem de propor a minha fala e a de Gal Martins do Projeto de danca da periferia Capao Redondo de Sao Paulo, propunha uma palavra-final-diagnostico do consultor no planejamento e gestao de acoes culturais Andre Fonseca e da critica do Estadao Helena Katz.
O Nucleo tem muita estoria pra contar desses 4 ultimos anos de feitos e reviravoltas, atuando aos trancos e barrancos num formato adaptavel aas situações geradas pelo proprio trabalho dentro de um contexto especifico. Nao e’ dificil fazer esse historico de estrategias e acontecimentos e tentar explicar a forma de organizacao e funcionamento (e as precariedades nessas formas) em 20 minutos. E eu tenho que confessar que me surpreendo com a quantidade de coisas, e nao necessariamente as colocadas na otica do “realizadas” , nao apenas a lista de exitos, mas a profusao de acontecimentos que derivam de um fazer artistico e que afetam o comum coletivo, a sociedade, o cotidiano das pessoas, os conceitos, as eticas e as tantas esteticas que nos rodeiam e que sao a formatacao de nossos mundos pessoais.
Andre Fonseca nos indaga incisivo ao final de sua fala: O que voces estao fazendo em Danca? E para quem estao fazendo? A pergunta fica no ar como a que nao quer calar. Helena Katz recebe a fala e nos aponta o perigo de mais dinheiro atraves de editais e menos responsabilidade total com o que estamos fazendo. Fala de desvincular nossos discursos do simplesmente querer, pedir, exigir para uma compreensao maior do que fazemos e queremos, para reforcar nossa potencia dentro do sistema politico-social atual.
A metafora de uma barraca de feira foi trazida para se discutir outras formas de sustentabilidade. Uma barraca de feira dentro dos dispositivos do poder, para atuar diretamente onde tem voz. Thelma Bonavita se colocou como achando “cafona” depender do poder publico para se pensar em continuar existindo, dizendo que o poder publico financia mas manda junto criterios que determinam a producao, que a institucionalizam de alguma forma.
Fica clarissimo a necessidade e a importancia desses encontros, e o Desaba acerta contundentemente em propor esse ar para nossos pulmoes, essa dose de energia gratuita e compartilhavel por todos, de uma maneira que chega a produzir a materia mesmo de nossas dancas, o destilar de uma subjetividade afetavel, que afeta, que se deixa ser afetada. O encontro acaba em longas palmas que ressoam com uma vibracao de excitacao latente, uma vontade de fazer algo acontecer, de encarar as possibilidades, na compreensao de que estamos juntos, de que somos muitos e definitivamente precisamos agir.
Marcelo Evelin > Fotos > Renato Paschoaleto
Cultura em Pauta > Oxigênio
17 de dezembro de 2009 em 3:07
deu vontade de estar aí!
17 de dezembro de 2009 em 10:13
Adorei o blog! Mas não encontrei a programação… Poderiam informar?
18 de dezembro de 2009 em 21:09
Oi Heiza.
Nosso cronograma de atividades está sendo fechado pra 2010. Ele inclui o Colaboratório um projeto de residencias artísticas, circulação por algumas capitais brasileiras, pesquisa, montagem e estréias de espetáculos para o primeiro semestre. E ainda as atividades do Ponto e Pontão de cultura com oficinas gratuitas e ações junto à comunidade do Grande Dirceu.
Depois do recesso, essa agenda com toda a progamação entra aqui ok!
Obrigada pela visita.
18 de dezembro de 2009 em 21:46
Oi marcelo, muito bom o texto. Traz exatamente os pontos que mais me chamaram atenção nesse encontro.
Acho super importante pensar nas falas da Telma, da Helena e do André porque de muitas maneiras elas se cruzam. O “cafona” de depender do poder público, vai além de ter que engolir critérios que não dão mais conta desse momento presente. Telma coloca que quanto mais eu dependo de um sistema de financiamento, quanto mais eu estou em função dele, mais ainda eu o fortifico, eu legitimo sua existência.
Outro ponto bacana: QUAL É A SUA INSTÃNCIA DE AÇÃO? Recentemente lá no Economia da Dança no panorama algumas falas iam nesse rumo “ah eu estou cansado da mediação com a coisa pública” “ ah eu estou buscando um outro campo de ação”. E nesse oxgênio o papo foi nessa direção : ok! Pedir mais dinheiro, pedir mais edital não resolve!!!! Porque só alimenta a mesma lógica, é como pedir aumento de mesada. PEDIR não resolve, não é por aí. Então qual é sua instância de ação?
Telma falou e acho que Helena também: Estudar é agir. E estudar não apenas para construir discursos no campo da subjetividade, mas para conseguir falar de forma clara e objetiva o que você faz e pra que isso serve, e qual o impacto disso na sociedade.
Helena nos traz a metáfora da mesada.Que acho super acertada. Se meu pai me dá mesada automaticamente ele pode dizer que horas eu tenho que chegar em casa. E se seu confronto essa autoridade é simples, eu corro o risco de ficar sem mesada. Quando nos colocamos nesse lugar de pedir, esbravejar e exigir, mais arrecadação, mais espaço no orçamento… estamos realmente nos comportanto como adolescentes que dizem: Mas eu quero eu tenho direito seu governante!!!! E claro a discussão é ampla e o buraco é mais embaixo, porque de fato é função do governo implementar cultura. Mas lei de incentivo e fomento pra produto (espetáculo) é um pouco como dinheiro pra ir pra festa. Daqui a pouco a gente vai precisar de mais dinheiro pra ir pra outra festa e na próxima é a vez da minha irmã porque eu já ganhei. E isso não é autonomia. Não tem a tal SUSTENTABILIDADE.
Helena nos traz que se o mundo tem discutido sustentabilidade na economia, na agricultura na ecologia…. entao vamo estudar esses nichos, esses segmentos e tentar articular uma conversa de adulto, se metendo lá onde estão os discursos de adulto e partir daí construir proposições mais claras. A gente não precisa descobrir a roda, a gente precisa trazer essas questões pro campo da cultura. SABER DIZER O QUE VOCÊ QUER porque como bem disse o o André “Gente não tem dinheiro pra todo mundo, NUNCA vai ter dinheiro pra todo mundo. Esqueçam!”
Estudar é agir! Tenho pensado muito nisso. E relaciono total com Teresina, com o cenário da dança ( e porque não do teatro) aqui. Somos poucos e juntar os principais agentes as principais peças desse quebra-cabeça local não é difícil. Não temos uma escala tão macro como a de São Paulo. Tinha mesmo era que juntar esse povo e estudar!! Mas eita, escrevo isso me dando conta de que é um pouco utópico.
Nossa o Oxigênio foi uma delícia! E nós por aqui em Terehell será que conseguimos reconhecer quais são nossas instâncias de ação?
21 de dezembro de 2009 em 19:23
Gente, tou super feliz em tá visitando o blog de vocês, confesso que não conhecia o Núcleo do Dirceu, gostei bastante do que vi aqui, gostaria de conhecer mais as atividades, de participar
Fiquei super contemplada com o post da Layane, sobre a questão da 'instância de ação', e da relação das atividade de cultura e o fomento pelo poder público. O lance da falta de autonomia.. é como se a voz que emana dessas ações fosse cada vez mais tolhida pela 'falta de' ou pelo 'até onde posso ir'.
Como foi dito:
" Somos poucos e juntar os principais agentes as principais peças desse quebra-cabeça local não é difícil.. Tinha mesmo era que juntar esse povo e estudar!!"
Não acho que seja utópico..rsrs..Só não é tão fácil fazer isso. Mas acredito que é inteiramente possível e que é bem por aí que as coisas vão surgindo e sendo construídas e a partir daí que a tal autonomia vai se tornando viável.
Já quero conhecer vcs ^^