
Fora a resolução de me punir em 10 reais caso não escreva no blog, o que me impulsiona aqui é a necessidade de expor algumas considerações formuladas durante o pequeno experimento com Fausto dentro da programação do Mapas do Corpo.
A primeira delas é apresentar Fausto e seu autor àqueles que não ainda o conhecem.
Cientista, advogado, membro de seita secreta e escritor de peças teatrais populares, J.W. Goethe nasceu alemão e assim permaneceu até o dia de sua morte. Uma de sua peças mais celébres foi Urfaust, escrito entre 1773 e 1775 (diferente da informação equivocada disseminada pela Wikipédia que diz que o texto foi escrito em 1806 ), Conta a estória de Fausto, homem que vende a alma ao diabo depois de não alcançar a satisfação nem mesmo no alto poder de seus conhecimentos. Arrependido por amor a Margarida, rapariga seduzida por Mefisto a pedido do próprio Fausto, tenta redimir-se sem sucesso.
O que Fausto me trouxe durante 5 dias de experimento numa célula a ser apresentada no Mapas do Corpo, foi o desenvolvimento de estratégias e procedimentos relacionados ao fazer artístico, e embora todas as discussões sobre autoria dentro do mapas do corpo tenham sido rasas e não tão esclarecedoras pra mim, me proporcionaram o entendimento mais claro sobre como se apropriar do pensamento que se propõe a desenvolver. Nesse momento acredito conseguir tocar o que seria a idéia de “autoria”.
A célula apresentada por mim, me diz não só o que compreendo dentro do que proponho, mas também ainda o que é incompreensível, onde se diz pouco e pode-se dizer mais, onde apesar de interessante performática ou esteticamente, não diz nada e nada mais é do que descartável. Fala sobre símbolos universais, como eles tocam o homem e como ampliar esses sentidos pra discussões mais acessíveis. Seja macumba , autoria , sangrar ou não sangrar, escrever pra não perder 10 reais ou preços de almas a serem negociadas.
Fábio Crazy da Selva trocado em 10 cédulas de Silva.
10 de junho de 2008 em 1:03
Fabio, sem menosprezar ou desconsiderar o teu Fausto, e todas as valiosas informacoes que vc oferece nesse post, queria comentar a estoria dos 10 reais, que vc menciona duas vezes e que pra mim soa muito ironico.
O espaco do blog vem sendo indiferente a muita gente do nucleo, nao ta sendo usado como deveria e essa responsabilidade nao estamos conseguindo dividir, pq as vezes parece que somos artistas qdo da e qdo queremos sem uma preocupacao de fazer resistir um espaco “termometro” do proprio nucleo.
Nao concordo com a sugestao da Layane pra resolver o problema, os tais 10 reais, que diga-se seria transformado em livros (Um Fausto decente?) para nossa biblioteca. Acho uma pena vc ter omitido essa informacao no texto, deixando de certa forma parecer uma medida manipuladora e ditatorial. Mesmo nao concordando com a Layane eu entendo ela, pq ela pelo menos pensou numa possibilidade de tirar o blog de uma omissao por medo, ou por simplesmente “o artista nao estar num momento de criar e deva esperar iluminacao divina”.
Tambem acho pouco sensivel a tua consideracao sobre o raso que foram as discussoes, pq tu nao participou de metade delas (por motivo de doenca, ok)e muita coisa chegou sim a ser dita sobre autoria durante esses dias.
Acho que temos que ter cuidado em concordar qto a resistir enquanto espaco de criacao e enquanto o trabalho que fazemos nesse meio tao arido e cruel. Apezar, claro, de cada um poder e dever fazer aa sua maneira, segundo seus propositos pessoais.
Nao precisamos concordar com os 10 reais, mas me parece facil deixar a responsabilidade desse espaco na mao de 2 ou 3. Nao falo diretamente por vc nem por ninguem, pq nao vou entrar num julgamento de vc e’ bom vc e’ mal pq escreve ou nao no blog. Mas falo na responsabilidade de todos, so pra nao cair na mediocridade de se falar em coletivo apenas como estrategia barata de contemporaneidade.
10 de junho de 2008 em 14:09
Marcelo, eu entendo quando o Fábio ironiza essa história dos 10 reais. Eu acho que tudo bem que algumas pessoas queiram escolher um dia para escrever qualquer coisa (nem que seja um video que voce viu na internet e achou legal).
Eu não acho que um blog tenha que ser atualizado toda hora independentemente do conteúdo e também não acho que o artista tenha que esperar uma inspiração divina para escrever alguma coisa. Mas ter que escrever qualquer coisa nem que seja um videozinho ou uma frase que você viu por acaso ou que voce procurou no google só pra postar no dia que prometeu e não correr o risco de perder seus 10 reais, eu acho que é demais. Se foi a unica estratégia possível, tudo bem!
Quanto a comprar os livros para a biblioteca também fica estranho, não escreva no blog e dê 10 reais para comprar um livro. Não é melhor fazer um cofrinho logo de arrecadação pra comprar esses livros e impor logo a obrigação de escrever no blog pelo menos uma vez por semana?