o embate

Por: às 09/08/2011 15:18:56

ontem a acao do 1000 casas aconteceu em uma rua do alto da ressureicao, parte do grande dirceu que foi inicialmente invadida antes de ser reconhecida mais tarde como bairro. a ideia era cruzar o 1000 casas com o jardim equatorial da thelma bonavita, fazendo um desfile relacional na rua com os objetos “importantes/queridos/essenciais” de cada morador das casas abordadas. chegamos la no final da tarde, as criancas brincando na rua, um bar abrindo as portas pra receber a noite, estudantes voltando da escola e trabalhadores voltando do trabalho naquele ritmo tao brasileiro (so tem isso aqui) de final de dia. os artistas se distribuiram nas casas da rua, batendo na porta, batendo palmas pra chamar o morador ou apenas adentrando as portas abertas numa acao que acabamos por chamar de “arrastao”, tal o impacto da coisa. me chamou a atencao esse momento preciso: o momento da abordagem, de falar/convencer o morador a te deixar entrar, de vender o peixe, de desfazer a diferenca entre estar dentro e fora do mundo do outro. esse primeiro momento parece conter toda a potencia e o misterio da relacao artista-espectador. parece que se da ali uma especie de mapeamento do possivel naquela relacao que se inicia, como a assinatura de um contrato que vai te levar a um lugar-situacao desconhecido, e por isso mesmo, curioso e atraente. sai fotografando os artistas na porta das casas, eles tambem inseguros em um estado de excitacao moderado diante dos mundos escondidos ali por detrás daquelas portas, quase como uma colisao de mundos subjetivos que se tateiam na busca por uma friccao que os altere. e gosto muito da ideia do artista que convence o espectador a ser espectador, ao contrario do espectador (pseudo) emancipado que compra o ingresso para ver o artista que e’ pago para estar ali no palco, independente de um acordo previo com quem esteja lhe assistindo. essa negociacao pre-performance abre pra mim, o espaco do “pode ser” ao inves do “tem que ser” imposto pela industria do espetaculo, e isso faz toda a diferenca na qualidade da performatividade e na resonancia dela para alem do ato em si.

ontem a acao do 1000 casas aconteceu em uma rua do alto da ressureicao, parte do grande dirceu que foi inicialmente invadida antes de ser reconhecida mais tarde como bairro. a ideia era cruzar o 1000 casas com o jardim equatorial da thelma bonavita, fazendo um desfile relacional na rua com os objetos “importantes/queridos/essenciais” de cada morador das casas abordadas. chegamos la no final da tarde, as criancas brincando na rua, um bar abrindo as portas pra receber a noite, estudantes voltando da escola e trabalhadores voltando do trabalho naquele ritmo tao brasileiro (so tem isso aqui) de final de dia. os artistas se distribuiram nas casas da rua, batendo na porta, batendo palmas pra chamar o morador ou apenas adentrando as portas abertas numa acao que acabamos por chamar de “arrastao”, tal o impacto da coisa. me chamou a atencao esse momento preciso: o momento da abordagem, de falar/convencer o morador a te deixar entrar, de vender o peixe, de desfazer a diferenca entre estar dentro e fora do mundo do outro. esse primeiro momento parece conter toda a potencia e o misterio da relacao artista-espectador. parece que se da ali uma especie de mapeamento do possivel naquela relacao que se inicia, como a assinatura de um contrato que vai te levar a um lugar-situacao desconhecido, e por isso mesmo, curioso e atraente. sai fotografando os artistas na porta das casas, eles tambem inseguros em um estado de excitacao moderado diante dos mundos escondidos ali por detrás daquelas portas, quase como uma colisao de mundos subjetivos que se tateiam na busca por uma friccao que os altere. e gosto muito da ideia do artista que convence o espectador a ser espectador, ao contrario do espectador (pseudo) emancipado que compra o ingresso para ver o artista que e’ pago para estar ali no palco, independente de um acordo previo com quem esteja lhe assistindo. essa negociacao pre-performance abre pra mim, o espaco do “pode ser” ao inves do “tem que ser” imposto pela industria do espetaculo, e isso faz toda a diferenca na qualidade da performatividade e na resonancia dela para alem do ato em si.

+ no debri.



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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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Comentários

  • L.H.: A peteca caiu mesmo. Também sinto parecido Eli. E acho muito preciso algumas de suas colocações. Mas quero...
  • Elielson Pacheco: Me sinto meio idiota no momento. E fico pensando qual é o ponto do desmoronamento que tem que ir...
  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
  • Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
  • weyla: Hoje conversando com minha avó ela me disse que não queria mais comprar roupas porque tava perto de...

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