2012 > Primeiro dia juntos. Dia útil. Data marcada. Após as festas, a pausa, o descanso, a reflexão, a desopilação, a comemoração, o coma, o isolamento, a comilança, a bebedeira, a solidão, a virada…..estamos de volta a mesa, ao calor, as ausencias, ao impasse, ao abraço, a barriga grande, as questões, ao todo, ao junto, ao mil casas, ao projeto, as novas idéias, ao núcleo do dirceu.
Sem querer resumir a manhã, porque tô cansada dessa coisa toda descritiva, preciso compartilhar que saí daqui com uma sensação boa, nada esperançosa e romântica, apenas boa…. consistentemente boa. Um tipo de enfrentamento, uma disposição em enfrentar, em peitar, se por de frente, ir pra frente, em não desviar ou desistir…. de simplesmente entrar de novo no escuro, sem certeza, sem confiaaaar em mais nada ou ninguém…mas ainda assim saber que tem que ir, tateando as cegas, seja lá onde isso dê… e tentar fazer isso consciente, alerta, em prontidão.
Li no blog do Marcelo, que as vezes escreve e vem por aqui também, que o o que não fica dito sobre isso aqui é: – se nao e’ mais coletivo – o que vem a ser o nucleo do dirceu?. (nesse post) E a primeira resposta que me ocorre é NÃO SEI. Assim mesmo em caixa alta. Não sei mais que nome dá a isso aqui e juro tô gato escaldado pra qualquer novo-outro formato ou verbete. Assim como imagino, ele macaco véi de meio seculo que é deve NÃO SABER MAIS como….como provocar, como suscitar, como propor, como ter fôlego pra bater na tecla do junto, do todo, do nós.
Mas pra minha surpresa, eu não consigo ver nos corpos, nesses corpos de hoje de manhã, desistência. Ainda não consigo. E falo como alguém que SABE o que é desistir, como alguém que conhece o lugar do foda-se e se permitiu – seja lá por que razões injustificadas – morrer em 2011. (+).
Hoje a gente leu algumas cartas do fim do couve-flor. Noticia anterior ao Natal mas que não tínhamos ainda tomado como ponto de partida pra uma conversa. Daí que pensamos que essa MORTE podia ser uma maneira da gente se enxergar e lançar o olhar na direção que ainda está vivo (ou não ) por aqui….

O fim do Couve-flor segundo Gustavo Bitencourt
O fim do Couve-Flor segundo Michelle Moura
O fim do Couve-Flor, segundo Cristiane Bouger
O fim do Couve-Flor, segundo Neto Machado
O fim do Couve-flor segundo Cândida Monte
O fim do Couve-flor segundo Ricardo Marinelli
O Fim do Couve-Flor segundo Elisabete Finger
Ok, já nos diz o google e os artigos/pesquisas sobre o termo “coletivo”, que a temporalidade curta é de sua natureza. Mas é impossível não olhar pra esse fim anunciado e não se perguntar, e por aqui, o que se anuncia? Ainda mais agora que essa insistência, ou espécie de bandeira-da-possibilidade-do juntos, cada vez mais, parece ser levantada por ninguém. Por nós ainda? Mas o pior é que já nem sabemos se ainda queremos levantar, já desconfiamos se levantamos mesmo com tanto vigor.
Ser adulto não torna mais fácil lidar com “finais”. A morte de qualquer coisa é sempre uma experiência triste – por mais que exista sempre a partir dessa morte a potência de milhões de outras possibilidades. As vezes coisas legais acabam mesmo, foi assim com os Beatles. Mas é dolorido. É sempre um pouco assustador e vertiginoso.
Gosto da honestidade e coragem dos meninos do Couve, em assumir – mesmo na fragilidade do agora com um projeto que ainda os liga – que ficou impraticável estar juntos. E por isso, mesmo com os riscos dessa escolha, tomar o último ano para cumprir com responsabilidade/ética/cuidado os acordos institucionais-afetivos. Sem querer afirmar nada, desconfio eu apenas, que essa escolha se dá não apenas pra que “todo mundo saia bem na fita“, mas pra encarar essa transformação com tranquilidade e lucidez, pra se permitir esse “re-arranjo”, pra que esse descolamento de corpos (e vidas) não seja ainda mais truculento, violento, abrupto. Para que essa morte seja processual e aberta como o discurso ou o tipo de arte que nos propomos a fazer nessa tal contemporaneidade. E claro pra que ela seja, de alguma maneira, doce e delicada diante de tanta coisa importante construída (que precisa ser resguardada).
Eu de qualquer forma não saberia dizer o que é ”pior ou melhor”, diante do fim do couve-flor e de mais um ano no núcleo do dirceu. Eu não me arrisco a tentar prever o que acontecerá nesse ano, a esses dois lugares-pessoas. Mas coisas como ”e nós, até quando duramos?” passam pela minha cabeça . E quando penso nisso aqui, nesse calor do outro lado, penso na imediatez e na força da tragédia, da morte súbita, do bater de portas e virar de mesas. Acho que uma morte aqui seria mais assim ….
Não sei….morte foi um assunto muito recorrente pra mim em 2011. Quero ter a sensação, mesmo que seja apenas mais uma promessa, que ainda é possível viver em 2012.
p.s. voltei ao facebook.
5 de janeiro de 2012 em 15:57
duas perolas do marc auge so pra engrossar o caldo:
“E’ muito possivel, de fato, que dentro de alguns anos ou algumas decadas se veja menos na literatura antropologica uma analise de formas sociais desaparecidas do que um documento sobre o mundo planetario em vias de nascer.”
“A pluralidade da pessoa e’ estrutural – definir alguem e’ situar os outros.”