Eu definitivamente não sei como falar, ou dividir a última oficina de pensamento (aquele encontro de toda segunda-feira que fazemos por aqui). Acho que as postagens/textos dessa tag, se tornaram um exercício de registro dessa ação. E ok isso, já é massa! Sei que a materialização dessa cronologia, por si só, já é muito importante, isto é, poder clicar e ver sobre o que conversamos durante todas as segundas do ano. Mas esse lugar de escriba, de tradutora de quatro horas de discussão semanal é meio massante…. e eu fico tentando encontrar maneiras de entrar e surpreender a mim mesma. E isso nem é uma reclamação, é só por onde eu consigo começar.
Eu continuo me sentindo sozinha aqui. E acho que é isso mesmo. Cada um está onde precisa e quer estar. Por exemplo, muitos de nós por aqui entendem que é muito importante estar nas casas, mais do que na mesa, ou em estúdio, o lance é estar no campo, na rua, nas salas, nas cozinhas….. e mesmo que isso as vezes se aproxime as vezes de uma coisa dura como contagem, meta, número….é aí nesse lugar, nessa cara no sol todo dia de onde vai vir o gás pra o que quer que a gente venha a construir/criar junto. Então não tem problema ter mais gente lá do que aqui.
Nessa última segunda-feira, eu olhava pros corpos e via isso uma cara de sol, um corpo enfadado, uma moleira quente, um juízo meio rodando. Tava todo mundo com a energia “meio baixa”. Parece que ninguém sabe ao certo o que propor, ou que é preciso agora, e aí o foco maior, o eixo, a linha mestre é: fazer casa. Porque isso não vai dá pra perder de vista by the way. Isso corre paralelo. Visitar essas pessoas, cumprir o ultimo acordo, garantir a meta. O fato é papo já começou por aí pelo ultimo arrastão realizado durante a noite (na quinta da semana passada), pela contagem, pelo passar dos dias. E pela pergunta: mas afinal como é mesmo esse tal de COSMOANGÚ….que vai nos levar ao tal “acontecimento” mil casas (produto que devemos estrear em 2012).
Começamos. E aí, a associação de palavras aconteceu com delay e mais uma vez foi trazido: porque aqui, quando estamos juntos, as coisas que repetimos caem nesse lugar institucional? de formatado? de engessado? Quer dizer, por mais que a gente diga que não exista repetição, se for minimamente previsivel não serve mais? Vale mesmo a pena mudar o jogo,a forma, encontrar outra coisa pra começar?
Quando é que estamos cavando um buraco (espaço que se abre, que amplia, que fura, que é concâco, que aprofunda) e quando é que estamos BATENDO em um buraco… insistindo no automático esperando que algo aconteça. Tem dias que a associação de palavras (maneira recorrente de começar) já não nos surpreende e aí a tal síndrome do novo, do engraçado, daquilo que excita a gente bate. E uma espécie de tédio e desânimo se instaura. A gente fica tentando mensurar de onde vem isso, esse certo desânimo (que não é geral, mas se alterna em nós). Mas ok, 100% de engajamento é utopia, a Layane veio com sono, o Cesar faltou, O Marcelo tá viajando, e o Jacob quer mudar o espaço, porque a inquietação no corpo dele é tamanha (de tanto ficar no computador) que qualquer um vê que ele precisa dá vazão aquilo…senão explode. Tem que lidar com isso.
Depois do começo, nas duas horas seguintes, a conversa ainda girou sobre arte utilitária, arte que não serve pra nada. Acho que é uma maneira da gente ir entendendo ou se aproximando dessa coisa que queremos denominar ”acontecimento”. Soraya diz que detesta essa idéia de uma fazer artístico próximo da sublimação, subjetivo, intangível, tácito…. quase descolado da vida real sabe? Que faz parecer que o artista é uma criatura especial dotada de uma subjetvidade abstrata outra do seu Zé da venda da esquina. E como assim o que ela faz, não tem um lugar? Não serve pra nada? Que porra de paradigma é esse que tá “amuntado na cacunda” dela desde a última semana?
O que você faz serve pra quê? Porque você organiza o que você é, você traduz o mundo e o seu entorno e coloca aquilo num lugar especifico, voce ocupa aquele lugar (teatro, circuito, cidade, etc)…. você articula, passa a ser obra de arte. E isso não serve pra nada?
Foi engraçado porque falamos do tal coelho fluorescente, do Kac, que de fato “serviu” pra um monte de coisa enfim, a começar pela possibilidade de aproximar arte e ciência que essa ação trouxe. Mas de fato, o lugar de onde veio isso…a vontade fazer um coelho fluorescente veio de um lugar meio dificil de descrever. Afinal ele não acordou um dia e se deu conta “meu deus, o mundo precisa de um coelho fluorescente. Isso é urgente! “.
Eu faço arte pra não morrer de tédio. É isso?
A conversa as vezes parece girar, rodar mesmo, nas oficinas de pensamento. Porque parece que falta um sentido, um onbjetivo, um lugar para onde se quer ir… e aí vai associando, se costurando, falamos de ciência, positivismo, deus, física quantica, função.
Soraya trouxe, gente porque que a gente não come do Angú? Será que fazer o tal COSMOANGÚ não é se servir mais do outro. Toda quarta-feira tá rolando, isso já é angú, espaço pra trazer a farinha, a vontade, o desejo, pra experimentar algo da sua açao, pra colocar o cheiro-verde… não vai existir o dia de fazer o tal angú. O Galpão é a panela onde temos que colocar as coisas dentro.
As vezes parece que estamos em delay, de que não vai existir o acontecimento, são esses pequenos “acontecimentos” diários, são os insiths do que eu posso propor, de como compartilhar o que eu já tenho, o que eu tô fazendo….que vão nos levar na direçao do que precisamos.
As oficinas voltaram a acontecer sem a presença de alguém “de fora”. E é incrível como isso reconfigura tudo. E se cruza a isso tudo um monte de outra coisa que também estão nos corpos, os emails, a discussão sobre grana, a saída de dois artistas desse projeto (que parece passar em branco, como coisa casual), os convites que nos chegam, o tempo que acelera…o carnaval, o corso.
Como diz a música meus vinte anos de “boy, that’s over, baby” , Freud explica.