O homem de preto ”podre de chique” participou da abertura da exposição (13 obras que você não colocaria na sua sala), evento que abriria a programação do I Fórum Bienal de Artes Visuais do Piauí. O corpo coberto de banha de porco, um cheiro forte que embrulhava o estômago. Uma ação simples, um posicionamento preciso do Jacob, do Núcleo. Sem alardes, sem vitimização ou protesto, uma ocupação silenciosa, discreta. Jacob conversava com as pessoas e se tornava paisagem, imagem relacionada não apenas ao MONO que foi abruptamente retirado da programação, mas principalmente ao prestígio coquetel que toda ação cultural parece “precisar” ter por aqui, imagem relacionada a lógica cabide de emprego, figurão deputado, linkada com a semana em que o poder político (ou politicagem) em muitas instâncias se fez presente na cidade.
No dia seguinte, atendendo ao convite, visitamos a presidente da FUNDAC e o Diretor de Ação Cultural – Bid Lima e Franklin Pires – numa conversa amistosa e franca. O Fórum da I Bienal de Artes Visuais do PIauí foi cancelado e adiado para 2012 diante de uma série de equívocos, contratempos e atritos políticos internos. A FUNDAC assumiu, com palavras da própria gestora, toda a “desarticulação e incompetência” na condução disso mesmo se tratando de uma co-responsabilidade. Com muita honestidade afirmou que, mesmo sendo colocada numa situação muito difícil pelos organizadores do evento e diretoria do Museu, diante da proporção que as circunstâncias tomaram não havia outra saída senão o cancelamento da iniciativa e uma retratação pública via carta aberta (que em breve esperamos postar aqui). As discussões em torno da Bienal, através da FUNDAC, serão retomadas no próximo ano.
Depois da conversa, da ação, da constatação corriqueira de que por aqui as coisas ainda estão nesse lugar, o que fica mesmo é um cansaço… uma preguiça. Os detalhes desse episódio pitoresco da gestão cultura local são tão carregados de pessoalidade que o melhor mesmo é se poupar. A sensação de se estar dentro da lógica do poder público é que o corpo fica cheio de hematonas. E parece que pra sobreviver ali, a estratégia é se anestesiar, é eliminar a propulsão a vibração, e se tornar coisa sólida, estática, dura.