O homem porco.

Por: às 28/10/2011 12:47:30

O homem de preto  ”podre de chique”  participou da abertura da exposição (13 obras que você não colocaria na sua sala), evento que  abriria a programação  do  I Fórum Bienal de Artes Visuais do Piauí.  O corpo coberto de banha de porco, um cheiro forte que embrulhava o estômago. Uma ação simples, um posicionamento preciso do Jacob, do Núcleo. Sem alardes, sem vitimização ou protesto, uma ocupação silenciosa, discreta. Jacob conversava com as pessoas e se tornava paisagem, imagem relacionada não apenas ao MONO que foi abruptamente retirado da programação,  mas  principalmente ao prestígio coquetel que toda ação cultural parece “precisar” ter por aqui, imagem relacionada a lógica cabide de emprego, figurão deputado, linkada com a semana em que o poder político (ou politicagem) em muitas instâncias se fez presente na cidade.

No dia seguinte, atendendo ao convite, visitamos a presidente da FUNDAC e o Diretor de Ação Cultural – Bid Lima e Franklin Pires – numa conversa amistosa e franca. O Fórum da I Bienal de Artes Visuais do PIauí foi cancelado  e adiado para 2012 diante de uma série de equívocos, contratempos e atritos políticos internos. A FUNDAC assumiu, com palavras da própria gestora,  toda a “desarticulação e incompetência” na condução disso mesmo se tratando de uma co-responsabilidade.  Com muita honestidade afirmou que, mesmo sendo colocada numa situação muito difícil pelos organizadores do evento e diretoria do Museu,  diante da proporção que as circunstâncias tomaram  não havia outra saída senão  o cancelamento da iniciativa e uma retratação pública via carta aberta (que em breve esperamos postar aqui). As discussões em torno da Bienal, através da FUNDAC, serão retomadas no próximo ano.

Depois da conversa, da ação, da constatação corriqueira de que por aqui as coisas ainda estão nesse lugar, o que fica mesmo é um cansaço… uma preguiça. Os detalhes desse episódio pitoresco da gestão cultura local são tão carregados de pessoalidade que o melhor mesmo é se poupar.  A sensação de se estar dentro da lógica do poder público é que o corpo fica cheio de hematonas. E parece que pra sobreviver ali, a estratégia é se anestesiar, é eliminar a propulsão a vibração, e se tornar coisa sólida, estática, dura.



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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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Comentários

  • L.H.: A peteca caiu mesmo. Também sinto parecido Eli. E acho muito preciso algumas de suas colocações. Mas quero...
  • Elielson Pacheco: Me sinto meio idiota no momento. E fico pensando qual é o ponto do desmoronamento que tem que ir...
  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
  • Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
  • weyla: Hoje conversando com minha avó ela me disse que não queria mais comprar roupas porque tava perto de...

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