Setembro foi um mês para se retomar o ”Orbital Seguinte”, pensar em uma forma de gerir este espetáculo. Um ano de trabalho resolvemos começar fazendo um balanço dos resultados alcançados no decorrer desse tempo. Com o apoio técnico do teatro, que nos facilita nessa instancia com o espaço, a disponibilidade dos técnicos e as trocas feitas por meio da discussão de cada trabalho pudemos avançar bastante se compararmos com a primeira idéia que possuíamos do espetáculo. Mas vimos que para se fazer dança não basta apenas essa disposição e um ambiente que proporcione isso, mas uma fonte financeira que viabilize a idéia do artista, que a torne veridicamente um espetáculo, seja ele de dança, de música ou teatro. Fico pensando nessa dependência do mecena, de como cada artista pode começar a gerir a si próprio cada vez mais e de como as políticas públicas para as artes podem cumprir seu papel não só diante do artista, mas perante sociedade que se beneficia e se modifica em relação ao nível de suas produções artísticas. Pausa nos ensaios, e mãos ao Word para buscar viabilizar essas idéias. Foi um pouco assim como lidamos esse mês de setembro aliando ensaios à gestão do nosso próprio trabalho.
Fotos da confecção do novo “Defensor”; um corpo que propomos construir dentro do espetáculo.
.:Cipó e Fagão:.
2 de outubro de 2008 em 23:45
Acho que seria muito importante saber dos motivos, procedimentos e resultados artisticos-essencialmente artisticos-do Orbital.
Saber por ex o que mudou de uma primeira versao pra outra e porque. Saber o que foi conseguido e perdido de uma versao pra outra, e pra onde esta indo agora.
Discordo absolutamente que um trabalho para se tornar “veridico” precise de uma “fonte financeira”, desculpem, mas acho esssa colocacao de um equivoco enorme, e temos muitos exemplos que provam isso.
Gostaria que voces aprofundassem em questoes como:
qual a questao fundamental do trabalho, o que queremos realmente dizer?
qual a relacao entre dois interpretes de linguagens distintas conseguida nesse trabalho?
qual a funcao do terceiro colaborador e sua linguagem especifica?
qual o lugar da musica, do break, das artes visuias e do texto no trabalho?
O que queremos com esse texto poetico-simbolico-lisergico-regional no trabalho?
qual o publico alvo desse trabalho?
o que pretendemos conseguir que ainda nao conseguimos com esse trabalho?
Essas sao realmente apenas ALGUMAS questoes pq devem existir muitas outras.
Se estamos entrando em um estagio de sutileza de discurso, pormenores linguisticos e de retorica e honestidade avassaladora, devemos procurar respostas com o mesmo rigor.
Boa sorte pra vcs!
3 de outubro de 2008 em 10:26
obrigado marcelo por colocar pontos que justamente procuram apontar questões importantes a um trabalho, acredito sim que dessa forma o trabalho possa se tornar uma instancia mais colaborativa, temos buscado essas respostas pois sentimos a necessidade delas para dar um passo a frente em nosso trabalho. e realmente dizer que um trabalho só aconteça através de uma fonte financeira tenha sido um equivoco, mas talvez no ponto em que estamos essa seja realmente uma necessidade latente depois desse um ano de processo. fico devendo aqui um esclarecimento justo sobre os acontecimentos que no trouxeram a este ponto.
4 de outubro de 2008 em 14:07
bem importante os pontos do Marcelo, pois sempre vejo realeses confusos sobre o Orbital, vcs numa profusão de palavras difíceis pra falar do trabalho… sempre me parece que é uma coisa do outro mundo, inatingivel…
pegar em pontos básicos e fundamentais vai ser bem esclarecedor pra vcs.
esse ano de processo se deu como? só com ensaio? conversas? pensando? fazendo o bonequinho? foi direto ou teve interrupções?fico muito curiosa com tudo isso…
mão na massa pra vcs.
4 de outubro de 2008 em 14:35
concordo jana só acho que essas questões devem ser tranferidas para todos os trabalhos.
mas obrigada por se fazer tão presente nas discussões!!
bjo!
4 de outubro de 2008 em 14:53
to buscando tornar esses procedimentos mais claros e tornar este espetáculo mais claro e objetivo…por que por exemplo, para vcs do mediatris essa relação se torna mais proxima pelo fato de serem três bailarinos e um músico, no nosso caso é uma relação entre três linguagens diferentes, o break, a batucada, e os quadrinhos de amaral, talvez a grande questão inicial ainda seja de como fortalecer essa relação.
6 de outubro de 2008 em 15:45
Eu acho que só o cruzamento entre essas três linguagens já é muita coisa pra se pesquisar, por isso acredito na busca por um caminho mais simples, porque a relação em si já é complicada. Mas é uma relação bem foda de se estudar, acho que pode dá um caldo grosso, bem bacana. E quando eu falo da necessidade de compartilhar essas informações cipó eu não falo por birra ou por implicância, eu falo por ser um trabalho do núcleo e falo principalmente porque é um trabalho que me interessa, é uma pesquisa que me interessa. Eu te falo que o teu trabalho é fechado porque eu gosto dele e tenho interesse em compartilhar, entende? Daí eu não entendo o porquê o seu problema com isso. se eu quero saber do teu trabalho é só porque eu me interesso por ele.