
Na busca de uma territorialidade do corpo na cidade eu gravava vestígios de uma língua breve, caótica e “politicamente incorreta”, e isso, por longos tempos nas minhas noites sem sono, noites que sempre me gritavam por espaço pra falar algo para o mundo. Como principio dessa busca o “piche”, que veio como sendo a primeira inquietação e busca por uma expressão que cravasse nos muros não só meu vandalismo, mas uma série de princípios que me levavam a buscar uma espécie de verticalização em uma língua reconfigurada, um novo aparato-pintura completamente ligado às idéias de Jackson Pollock e sua action paint. Desenhos, arabescos e uma nova reconfiguração alfabética me colocava entre os mais procurados pela polícia em Teresina, onde as ruas eram minhas bocas de cena, e o espetáculo eram as estáticas (ou não) figuras que eu cravava nos muros, prédios e portões velhos. Desde esse tempo minha relação com o espaço urbano, movimento e artes plásticas eram evidentes, a contemporaneidade me engolia a cada dia me causando questionamentos e busca por diálogo com meu habitat.
As informações que ressoam no meu corpo hoje, mantêm relações diretas com esse passado intitulado pela polícia como inconsequente. Informações estas que meu corpo absorveu sob o nervosismo de cada Instantâneo, sob as incertezas e questões de cada processo que meu corpo aventurou enfrentar e enfrentou. Mais do que nunca, hoje, reconfiguração é uma palavra constantemente usada pelo meu corpo, e as novas informações nele contida o deixa, como diria Helena Katz, letrado em movimento.
Em apenas um ano de contato com o teatro e a dança, em específico, muitas incertezas me rondaram e ainda rondam e eu as dissolvo cada dia em meu processo específico (e quase nato) de criação. Recentemente a luz de uma nova criação me acendeu no fim do túnel como a oportunidade de verticalização de todas essas informações que venho absorvendo. Num paralelo entre artes plásticas e dança minha busca prima por uma investigação quase cinética dos “movimentos em si” específicos das duas artes… Enfim, um processo que vem me tomando o tempo e que ainda não tenho totais certezas do que venha a ser esse meu novo trabalho e que brevemente o saberei… Papéis brancos amassados, um quadro branco de acrílico inriscável, uma mesa e uma cadeira de pvc branco, uma camiseta branca, fitas pregadas por toda a parede, um pedaço de giz carvão e meu corpo inserido pra reconfigurar esse espaço…
::Fagão::
14 de maio de 2007 em 19:33
Fagao….que bom que ja esteja ficando tao claro pra vc, porque de certa manera ja tava claro no teu corpo, no letrado do teu movimento.
Acho muito interessante a ideia de pensar artes plasticas e danca, e expandir os espacos, sonoros tbem.
A investigacao pertinente atraves da acao constante por si ja vale muito.
A ideia do branco tambem eh lindo, precisamos conseguir um dancefloor.
Boa sorte, bom trabalho.
beijo.