Parnaíba é um pouco assim: quase capital com as vantagens de um litoral. Parece Miss que ficou em segundo lugar, e por isso mesmo tem muitos fãns que declaradamente preferem ela. Definitivamente não é muitoooo interior do Piauí não! É ponta, é lá em cima, quase querendo se descolar do resto, com muito turista, um clima quente e uma brisa bagunçando os cabelos o tempo todo, com anúncio de pilates e teste de paternidade e vitrines metidas a chique em casarões históricos com pinta de Holanda. Tem Yoga, balada gay que lota e um sorvete imbatível.
Por lá, no clima de final de férias e alta temporada, fizemos ação de panfletagem no Porto das Barcas, topamos com algumas sub-celebridades como um ex-governador, cruzamos com banda nacional famosa, e mostramos o folder da vaca pra um punhado de gringo. Mesmo assim nossas apresentações concorreram com pelo menos três outros eventos na cidade. O que contribuiu para um público e bate-papo mais específicos com artistas locais. Parnaíba, evidentemente tem um cenário artístico mais desenhado, diferente de outras cidades do interior do Piauí. Na verdade já possui uma tradição em festivais, grupos e ações principalmente em Teatro. É terra de Benjamim Santos e Grupo Metáfora. O espaço onde apresentamos, o Teatro Antonio Oliveira Santos ou Teatro do SESC Avenida, tem uma super estrutura e praticamente todo mundo que circula por Teresina, dá um pulo por lá!
A conversa rendeu, saímos de lá com data pra voltar (setembro), e trocando idéia sobre o que é, ou o que pode ser arte contemporânea e que característica podemos atribuir a este tipo de produção. Ricky, do grupo Cabaça (talvez coletivo, estão discutindo o conceito), de cara lançou um bombardeio de perguntas: perguntou se era público de dança contemporânea, porque que uma coisa é dança e não teatro, ou não é instalação, ou não é perfomance, porque que acontecem uma besteiras uma ações bobas/banais. E a conversa foi tomando rumos distintos e dando voltas em muitos assuntos. Falamos abertamente sobre dificuldade financeira, sobre histórico e autonomia, sobre a importância de não se submeter aos regimes vigentes, mesmo que eles sejam velados e silenciosos como o regime da acomodação, de dependencia de instituições. E muita gente reclamou sobre uma formação continuada para os artistas de Parnaíba, sobre a urgente necessidade de ações que se sustentem, que não aconteçam no mesmo fluxo dos turistas, que possam se estender de maneira mais permanente.
Dissecamos os espetáculos, curiosidades sobre os processos de criação e por fim alguém, que nao lembro o nome, trouxe a diferença entre FAZER e SER pra conversa. Refletindo para além do continuar fazendo e produzindo pra sobreviver, sobre a consciencia do que se É. Sobre o reconhecimento de um percurso que se ESCOLHE viver, mas do que simplesmente escolher fazer. Um percurso que é nosso , porque nós estamos construindo, mas que também é do outro porque vai se contaminando se misturando, vai abrindo portas, alargando as trajetórias de quem ainda vem. Menino, Parnaíba foi até filosófico!
Um muito obrigada a KLara e Léo Nabuco que viajaram conosco registrando essa empreitada. E também ao Washington e Lili que respondem pelo SESC em piripiri e parnaíba respectivamente. Encerramos bem o Mostra e Disseca com vontade de repetir a dose e estender o projeto a outras cidades.
3 de agosto de 2010 em 2:29
Viva o Povo da Vaca!!!!!
MUUUUUUUUUuuuuuuuuu!!!!