O povo da vaca em Parnaíba!

Por: às 02/08/2010 15:44:46

Parnaíba é um pouco assim: quase capital  com as vantagens de um litoral.   Parece Miss que ficou em segundo lugar, e por isso mesmo tem muitos fãns que declaradamente preferem ela.  Definitivamente não é muitoooo interior do Piauí não! É ponta, é lá em cima, quase querendo se descolar do resto, com muito turista, um clima quente e uma brisa  bagunçando os cabelos o tempo todo, com anúncio de pilates e teste de paternidade e  vitrines metidas a chique em casarões históricos com pinta de Holanda.  Tem Yoga,  balada gay que lota e um sorvete imbatível.

Por lá, no clima de final de férias e alta temporada, fizemos ação de panfletagem no Porto das Barcas,  topamos com algumas sub-celebridades como um ex-governador,  cruzamos  com banda nacional famosa,  e mostramos o folder da vaca pra um punhado de gringo.  Mesmo assim nossas apresentações concorreram com pelo menos três outros eventos na cidade.  O que contribuiu para um público e bate-papo mais específicos com artistas locais. Parnaíba, evidentemente tem um cenário artístico mais desenhado, diferente de outras cidades do interior do Piauí. Na verdade já possui uma tradição em festivais, grupos e ações principalmente em Teatro.  É terra de Benjamim Santos e Grupo Metáfora.  O espaço onde apresentamos, o Teatro Antonio Oliveira Santos ou Teatro do SESC Avenida, tem uma super estrutura e praticamente todo mundo que circula  por Teresina, dá um pulo por lá!

A  conversa rendeu, saímos de lá com data pra  voltar (setembro), e trocando idéia sobre  o que é, ou o que pode ser arte contemporânea e que característica podemos atribuir a este tipo de produção.  Ricky, do grupo Cabaça (talvez coletivo, estão discutindo o conceito), de cara lançou um bombardeio de perguntas:  perguntou se era público de dança contemporânea, porque que uma coisa é dança e não teatro, ou não é instalação, ou não é perfomance,   porque que acontecem uma besteiras uma ações bobas/banais. E a conversa foi tomando rumos distintos  e dando voltas  em  muitos assuntos. Falamos abertamente sobre dificuldade financeira, sobre histórico e autonomia, sobre a importância de não se submeter aos regimes vigentes, mesmo que eles sejam velados e silenciosos como o regime da acomodação, de dependencia de instituições.   E muita gente reclamou sobre  uma formação continuada  para  os artistas de Parnaíba, sobre a urgente necessidade de ações que  se sustentem, que não aconteçam no mesmo fluxo dos turistas,  que possam se estender de maneira mais permanente.

Dissecamos os espetáculos, curiosidades sobre os processos de criação e por fim alguém, que nao lembro o nome, trouxe a diferença entre FAZER e SER pra conversa.  Refletindo para além do continuar fazendo e produzindo pra sobreviver, sobre a consciencia do que se É.  Sobre o reconhecimento de um percurso que se ESCOLHE viver, mas do que simplesmente  escolher fazer.  Um percurso que é nosso , porque  nós estamos construindo, mas que também é do outro porque vai se  contaminando se misturando, vai abrindo portas, alargando as trajetórias de quem ainda vem.  Menino, Parnaíba foi até filosófico!

Um muito obrigada a KLara  e Léo Nabuco que viajaram conosco registrando essa empreitada. E também ao Washington e Lili que respondem pelo SESC em piripiri e parnaíba respectivamente.  Encerramos bem o Mostra e Disseca com vontade de repetir a dose e estender o projeto a outras cidades.



Compartilhe:





Você também pode gostar de:


1 Comentário

  1. cleber disse:
    3 de agosto de 2010 em 2:29

    Viva o Povo da Vaca!!!!!
    MUUUUUUUUUuuuuuuuuu!!!!


    Responder

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*


6 + 6 =

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Quem Somos:

Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

Comentários

  • ju: Muito bonito! Tem muito caldo nessa idéia de baiar e exceder a individualidade a partir de um ambiente gerado por...
  • Kayoo': Muito Bom Muito Lindo e Muito “Estigador “
  • Layane Holanda: pois é tem um tom meio “bacaninha” mas sabia que eu gosto da cara de pau, é meio...
  • L.H.: que lindasssssss……so peguei os vestigios, comentários e impressoes da tarde. Que lindo o...
  • Jell: o massa é que tem imagens que acho que por si só já me abrem outras imagens dentro delas(mesmo sem manipular no...

arquivo