Venho aqui falar de uma dificuldade que aflige a maioria dos criadores, coreógrafos, bailarinos e atores em montagens de espetáculos e performances. A música! teço esse comentário não com a intenção de colocar a música em um pedestal em relação às outras linguagens artísticas, mas para afirmar a relação intrínseca entre uma dança e uma música ou entre o performer e o músico. Pois até mesmo quando se dança baseado em um silêncio a conciência de música requer um nível de decisão preciso.
O músico, quando pensa em uma música para um determinado corpo, parece falar de maneira particular de como ele entende esse corpo. E esses níveis de adequação em um trabalho de dança por exemplo, deve acompanhar o processo de aprofundamento de uma determinada coreografia e/ou improvisação.
Corpo e música utilizam uma intenção dramaturgica que se convergem ou se afastam por uma opção compartilhada. É um intrincado jogo que lida com sensações, sejam elas transmitidas por um movimento aprimorado ou por um soar de nota tensionado.
A música pode sim falar por si. Mas aqui nessa convergencia um tipo de conversa íntima deve se estabelecer com o objetivo de um esforço colaborativo, que se completa a cada encontro em sala de dança ou palco. O bailarino discute organizando o movimento, o músico também e isso é que fortalece mais ainda essa relação, a idéia de um organismo vivo que se mantém vivo por meio da transmutação, da transformação constante de seus objetivos vitais enquanto artista. “O corpo também soa”, recebi essa dedicatória de Helena Katz em seu livro, bastante satisfeito por já ter descoberto isso antes que ela me falasse. Som e corpo, textura e movimento, gozo e levitação…que bela relação esta, um casamento que me parece nunca terá fim.
Me sinto satisfeito por ser músico e poder participar dessa relação… e cada vez mais acredito no que sou…
Os trabalhos em colaboração que tenho feito aqui no NCD tem me trazido essa sensação…
…De estar caminhando com algo que sente a necessidade da minha presença, do meu som, da minha frequência, dos meus decibéis, do meu barulho, da minha ira e da minha paz.
.:Fagão:..como parte da minha experiência em criação de trilhas…
foto: Cipó/Paisagens do Corpo
24 de outubro de 2008 em 19:29
Acredito como vc Fagão,que um trabalho em que musica é processo,só tem a fortalecer.È por isso que quero vc cada dia mais proximo do que estou pensando em estudio!
25 de outubro de 2008 em 14:04
Ola pessoal
esse comentário é só pra acrescentar…
creio q a questão é não sobrepor ou separa as duas “linguagens”
música e/ou dança
já vivi experiências em que músicos e dançarinos começam o trabalho juntos, as coisas caminhando juntas
o corpo gera música q gera dança… e no fim do processo
acontece um espetáculo único, singular. sem hierarquias….
abraços