cada vez mais penso o estado de sitio como uma ruptura no modo de funcionar, e no modo de entender a ideia de convivio, associado a um fazer de arte e/ou uma acao performatica. persigo a ideia do que chamo terceira performatividade sem ter o menor sinal de certeza do que realmente seria. mas com muito desejo de fuçar ali naquele buraco da alice e do tatu. talvez por me referir a ela como terceira – e nada impede que se abandone essa terceiridade – ela acabou caindo no espaco da dualidade, entre um lado e outro, e veio a reforçar erradamente o que ja sabemos nao ser mais possivel considerar: o pensamento dual no mundo de hoje.
considerando portanto terceira nao como o entremeio de duas partes (sejam elas quais forem), mas como 1 parte dentro da complexidade enorme que envolve o nosso oficio e o pensamento da arte infiltrado no mundo, quero pensar essa performatividade como um conjunto de pequenas acoes interconectadas acontecendo em paralelismo com o que se configura ali como realidade. talvez essa terceiridade seja apenas e sobretudo um estado, uma afinacao especifica do corpo,uma atencao e disponibilidade fisica construida, elaborada no sentido de testar (cientificamente) uma proposicao.
estado de sitio ou comunidade sitiada, as metaforas nos ajudam a compreender os mecanismos que (des)aceleram o nosso coracao. uma imagem calma e ampla ainda me vem a cabeca: o nucleo pairando no espaco do galpao, as distancias claras entre as outridades, os palmos que me separam impreterivelmente do meu outro. talvez a comunidade precise de um estado de sitio para se entender como comunidade, como um grupo de pessoas que compartilham uma subjetividade simbolica. e portanto politica. talvez ao adentrar 1000 casas de desconhecidos cidadaos estaremos nos tambem, violando o que e’ de direito mas fica em suspenso em situacao emergencial.
23 de março de 2011 em 2:43
Fiquei pensando agora sobre qual é nosso ofício nas manhãs que nos dispomos a passar no galpão. Pensando também no quanto é difícil e complexo performar o mesmo de acordo com a realidade de cada dia, ou seja, de acordo com o nosso estado de ser daquele dia. E percebendo que o fazer é difícil e o SER fazendo as vezes não é compreendido na prática. Entendi que é preciso praticar mais o SER ou “SIMPLESMENTE SER”.
26 de abril de 2011 em 12:41
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