OFICINA DE PENSAMENTO 2011 > ULTIMA

Por: às 22/12/2011 14:25:35

Mesa. Roda. Oficina de Pensamento. Quatro horas juntos pela última vez esse ano. Jogo de associação: exercitar como minha escolha (de uma simples palavra) pode ser determinada pela escolha da Jana (pessoa antes de mim) e pode ao mesmo tempo determinar a escolha do César (pessoa depois de mim). Metáfora pro trabalho.

O espaço da escolha, de como eu me coloco. A partir do outro, não a partir apenas de mim. Sem  tentativa de acerto, porque talvez o espaço do artista seja o do erro.   Ai, baby….parece frase de efeito de fim  de ano. Mas é importante se dizer de novo algumas coisas.

START: 0 1000 CASAS

re-visita——– encontro ———dentro——–pano——claro——-comida—-almoço———–necessidade———–imprevisto—

Nos propomos: fazer uma avaliação do ano mesnos corretiva e menos cobrativa. Apenas uma tomada de consciência do lugar em que estamos, da situação em que cada um está. Afinal o que essa instância oficina de pensamento tá proporcionando pra gente?  Ok, a gente precisa estudar alguns conceitos e termos, mas existe aí o risco de se virar o lugar de revisão dos “termos da contemporaneidade”.  Pelo menos Deleuze né? Afinal a academia/referência se tornou uma maneira usual de se inserir. Uma legitimação. Eita!  A grosso modo: será que quem não consegue “fazer”uma coisa, colocar o cú na reta, migra pra academia?

ULTIMA OFICINA DE PENSAMENTO em 2011: Scannear onde estamos. Sobre o que precisamos falar? Marcelo traz: será que a gente não precisa entender mais uma idéia de crítica?

Shana em Chamas foi um prato cheio pra gente fazer o exercício de crítica. O que é que é crítica mesmo? Não é ser contra. É uma associação ativa, pensante,  que multiplica em outra coisa. A quantidade de imbricações, relações, conexões que consigo estabelecer a partir de um objeto. Não é resolutivo, não precisa ser.  É uma leitura aberta do que se vê.  Precisamos talvez aumentar nossa capacita de ser crítico, de olhar criticamente pra aquilo que fazemos. Um critica não é imparcial, somos afetados. Se eu durmo na tua casa, de alguma maneira, sou afetado por essa zona de conforto e intimidade. mas há sim a possibilidade, de mesmo afetado, se lançar um olhar crítico, que esgarça que torna mais complexo.

Que noção crítica temos do 1000 Casas, projeto que estamos fazendo? Como eu tô vivendo ele? Como ele me afeta? estou numazona de conforto? Ele se tornou passaporte de pertencimento para este lugar núcleo? Quais sao as implicações que existem em cada ação, o que é mesmo a lorinha? os cachorros? o cigarro?

Talvez um olhar crítico vá além da simples constatação. A constatção é uma espécie de masturbação, que as vezes legitima o lugar do  ”eu não sei”" , ou “eu estou em processo” . A constatação diária do precisamos de uma borda, do estamos anestesiados, do eu sou um zombie. A constatação diária do discurso bonito. E se nada acontece?

O que me impede de me colocar criticamente?

—> o medo dos meu pensamentos

—-> a preguiça

—-> um não -condicionamento, isto é, eu não tô no exercicio de fazer relações e preciso ir pra cansar “deixar decantar”entender, construir e aí sim me colocar?

—-> o receio desse lugar perigoso,da argumentação,  onde eu posso ser combatido.

—-> a resistencia em estabelecer uma verdade(dá pra ser artista sem por o cú na reta?)

—–> o medo desse lugar de exposiçÃo, olhar criticamente é ao mesmo tempo, me olhem criticamente

Talvez olhar criticamente pra algo seja relacionar aquilo que se vê ao que já te ocupa, a sua questão, ao que você já vem pensando. É estabelecer relações com o que já está instaurado, já é.  Um olhar critico no solo da Bebel: ela troca de calcinha  durante o espetáculo, e isso discute mulher, porque homem não troca de cueca toda hora. Isso é uma relação, aquela ação tirar a calcinha  fala disso. E na Shana que relações podemos estabelecer?

Por que  Shana em Chamas é um manifesto do Núcleo do Dirceu?  Algumas relações, questões que encontramos:

—-> Teatro tradicional deslocado. Ser super-contemporaneo não garante nada. Se perguntar isso hoje em dia é importante: esses códigos esse teatro naturalista “antigo” me afeta? Então porque  tirar desse corpo essas convenções? Para deixá-lo igual a mim super contemporaneo?   Mas pra quuuuuê deixa-lo igual a mim?  Por que estamos presos a  regra “fugir da convenção”?

—-> Shana derruba lugares comuns.Ela não se encaixa em mulher, em bicha, ela não se encaixa no transsexual (ou na ideia comum que se faz disso). Ela não se encaixa no esteriótipo da pessoa pobre, ela tá construindo um teatro em casa. Ela não veste esses papéis, não se fixa nesses conceitos. Shana se aproxima de um lugar que eu não sei o que é?  Será que a arte que a gente tem que fazer não tem que ser um pouco assim? Seá que as vezes a gente não acaba fazendo um arte segura, cheia de palavras-chaves e denominações? Teatro pós-dramático, dança contemporânea, pêsquisa…A Shana é solta, descolada. A Shana atua por uma hora, e nunca, em nenhum momento, escuta o que ela mesmo fala.

Existe alguma perversidade no dialogo com esse artista Shana de Sousa? Existe, em algum nível, uma apropriação perversa da Shana, colocando-a num contexto de festival contemporâneo indiscriminadamente, sem que ela tenha a dimensão política disso? Como lidar com esse encontro?  Talvez  fosse mais perverso estar nesse lugar de inclusão, ser  politicamente correto e inseri-la, molda-la ao nosso entendimento, talvez fosse muito mais perverso  instalar ali as senhas e entendimentos da “contemporaneidade”? Partindo-se já da premissa de que isso é emancipador, trazendo-o para a nossa “visao de arte”. Isso seria perverso.  Será que ser aceito,  reconhecido e amado a partir do que se é não é mais potente. Será que não tem que se preservar  a dimensão de estrela, de star, de medo de andar de metrô…. de como, e de onde, a Shana se vê como artista. Ela sabe que é estrela. Porque confrontar isso?

Shana fala sem escutar, não há um controle, mas há uma coerência. Como que eu danço sem um controle, sem saber que sou “escandâlo” ?

 

Exercitar…abdominal de percepção crítica. Qual o nosso posicionamento crítico em relação a FCMC (fundação cultural do municipio)? Qual nosso olhar sobre a gestão Cojobas? E como queremos nos relacionar com ela?  Enquanto organização somos indiferentes? E o Rivanildo e os cachorros com nome de pobre?

Será que a arte não temque tacar fogo no teatro, no mundo igual a Shana.

 

 

 



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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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  • L.H.: A peteca caiu mesmo. Também sinto parecido Eli. E acho muito preciso algumas de suas colocações. Mas quero...
  • Elielson Pacheco: Me sinto meio idiota no momento. E fico pensando qual é o ponto do desmoronamento que tem que ir...
  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
  • Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
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