NCD [BORDA E MIOLO]
A ultima Oficina de Pensamento foi curiosa! Nós tivemos dois visitantes, duas pessoas que aparentemente não freqüentavam o Núcleo. A primeira é a Luana, que eu não conhecia, mas é uma integrante antiga que se desligou do Núcleo, além de ser uma das criadoras do selo do 1000 Casas. A segunda é a Ana Patricia, moradora do grande Dirceu que foi visitada pelo Alle no projeto 1000 Casas.
Como pensar em borda diante de risomas? Como o posicionamento do espectador nos posiciona como artista?
Foi difícil e prazeroso explicar para Ana a Oficina. Explicar o Jogo de Associação e o que iríamos discutir.
Como se figura a Oficina de Pensamento? Ela tem uma topografia? Qual? Foi um bom exercício de fazer um contorno.
Nós todos, estávamos ocupados em dar uma instrução para comunicar da melhor maneira o Jogo de Associação! Engajados no Jogo, chegando a dar idéia de que estávamos trabalhando com palavras-chaves, palavras-faceis, palavras-conhecidas. Quando nós percebemos esse suposto vocabulário emergindo a Soraya nos propôs que associássemos duas palavras, pois assim exigiria um posicionamento do jogador. Portanto cada pessoa iria falar duas palavras ao invés de uma como de costume.
Foi loko mano!
Fritou alguns Neuronios!
Eu tenho minhas duvidas que conseguimos escapar das palavras-chaves, mas foi interessante ver palavras-duplas, palavras-siamesas, comentários, dança cortada de palavras…
Durante a tarde eu propus ao Jell de filmarmos o jogo de associação. Filmar a cara das pessoas. O Jell trouxe essa proposta a mesa e sugeriu que associássemos a idéia de um instante morto como o da fotografia. A urgência do ultimo instante em cada palavra. Na seqüência nós falamos sobre como construir uma política publica do nosso blog, motivados pela situação que os textos da Luana geraram. Relemos o texto. Conversamos sobre a documentalidade, nos debruçando principalmente sobre o que a seqüência de palavras geraram de discurso nessa documentalidade. Será se houve festa na rua Polônia porque dona Maria não foi a igreja? Será se essa é a pergunta?
Falamos principalmente sobre a decisão de retirar o comentário da Luana do blog. Eu compreendo os motivos colocados e a exposição que esse post gera é de certa maneira desnecessaria, mas se a retirada dos comentario da Luana se configura como uma exceção eu me pergunto o que essa exceção gera? Será que há um assunto certo para se falar no blog? Como é esse comentário que estamos propondo? O que nós queremos ao retirar um comentário do blog? Uma borda? Toda essa oficina me fez pensar em como é difícil pensar e exercitar uma borda fazendo parte do projeto 1000 casas e tendo um blog. Como de partida ja estamos em condições que fragilizam e tornam essa borda elástica, porosa e vulneravel, pois não podemos dizer que esses moradores que visitamos e freqüentadores do nosso blog não configuram essa borda também. Mas como se da essa configuração? Que acordos são possíveis entre nós, os artistas do Núcleo do Dirceu, outros artistas, espectadores, vizinhos e etc?
Nós temos muito trabalho a fazer!