As medusas são forma de vida livre dos cnidáros adultos.O corpo das medusas é basicamente um saco com simetria radial formado por duas camadas de células – a epiderme, no exterior, e a gastroderme no interior - com uma massa gelatinosa entre elas, chamada mesogleia e aberto para o exterior. A forma desses animais marinhos pode variar. O corpo das medusas é formado por 95-99% de água.
O núcleo em 49 parágrafos.
1.A escolha de um lugar como lugar de trabalho tem uma função de ir além de uma proposta de sede, ou lugar de ensaio…disponível…E o penso que a ocupação do espaço físico do galpão tá diretamente ligada a ocupação de um espaço politico. A forma funcional e pontual de como está sendo movimentado esse espaço ainda me confunde…
2.Então antes de pensar em mais uma proposta abandonada sem tentar, proponho o Galpão como lugar de trabalho. Que a autonomia me possibilite esgaçar a partir desse lugar, para que ele transite comigo por uma experiência real e não somente conceitual e abstrata.
3.Me interessa o encontro, o embate, a fricção. Me interessa o caldo artístico dentro de um coletivo como protagonista. Mais importante do que cada um é o que acontece, é que se faz e o que é gerado como assunto, discussão, produção. O “ que” é mais importante do que o “quem” e material de alimentação coletiva, pelo embate, pelo confronto, mas artístico e de alimentação, a frente de uma idéia de autoria, individualismo, propriedade. Isso me interessa.
4.De alguma forma é exatamente esse o lugar que o núcleo se propõem a ser. Diante disso tenho me concentrado em pensar sobre essa pergunta: porque esse embate encontro que deveria surgir do nosso caldo artístico tem se transformado em mecanismos perversos de vigia, controle, desconfiança e desconexão?
5.Se entendo a existência de um coletivo de artistas desse tipo (de organização não hierárquica) uma possibilidade e não uma utopia, consigo hoje pelo menos entender que a complexidade desse organismo vivo de muitas facetas e reconfigurações eu ainda não consigo de fato apalpar, assim como a pergunta lá de cima que eu ainda não consigo responder. Tá claro pra mim também que boa parte da nossa energia tem sido mesmo colocada no lugar de desmistificar, de entender uma possibilidade de ser esse coletivo. Artisticamente isso também me interessa, porque a dificuldade e a luta dessa quase utopia sinaliza a dificuldade da existência dessas idéias, desses princípios no mundo, e em nós mesmos.
6.Isso toca num ponto crucial: o atravessamento do mundo, de um tempo, do contexto desses artistas transformado em ação, a ação de ser um coletivo com tudo o que isso pode representar politicamente hoje.
7. O Núcleo do Dirceu é um coro.
Onde se coroa e é coroado!
A beleza de ser você se relacionando com o(s) outro(s).
Não estamos certos nem errados.
Discutimos, nos perdemos, nos achamos.
Mudamos, voltamos.
8.Universidade livre de arte.
Sem professor nem alunos.
Só curiosos.
Consigo ter tempo com a Regina.
Consigo ter tempo com o Marcelo.
Consigo ter tempo com a Cleydinha.
Consigo ter tempo com a Bebel.
Consigo ter tempo com o Cesinha.
Consigo ter tempo com a Jana.
Consigo ter tempo com a Layane.
Consigo ter tempo com a Sol.
Consigo ter tempo com o Cipó.
Consigo ter tempo com a Jú.
Consigo ter tempo com o Jell.
Consigo ter tempo com a Dani.
Consigo ter tempo com o Alle.
Consigo ter tempo com o Mavi.
Consigo ter tempo com o Kayo.
Consigo ter tempo com o Jacob.
Coro = Todos Coroados
9.Eu quero aprender produzir.
Eu estou aprendendo produzir aqui de uma maneira que não imaginava.
Sentar do lado da Regina.
Sinto falta de sentar do lado dela.
10.Conversar com os artistas.
Mover idéias.
Visitar casas junto com os artistas.
Estar ao lado em ensaios, estudos e etc.
Propor continuidades.
Um glutem artístico.
Dar continuidade as gogóinhas.
Despertar interesse artístico em todas suas esferas.
Arquitetura, luz, produção, ação, pesquisa, filmagem, fotografia, tudo.
Tudo que for solicitado.
11.Expor minhas duvidas.
Não me prender a modelos.
Não ser do contra
Ser a favor da discussão.
12.“O” Núcleo não existe. Ele é um território inventado. Ele é impalpável e cheio de complexidades invisíveis. Por isso ele sempre é a próxima combinação, a próxima tentativa, a próxima possibilidade, a nova, a outra maneira que vamos experimentar para continuar trabalhando. Encontrar novas maneiras, é algo natural, fazemos isso todos os quando preparamos um outro café da manhã, um novo almoço ou jantar.
13.Penso que os extremos opostos todo mundo junto, ou, cada um no exercício da sua autonomia colocam esta organização numa condição dual (ou oito ou oitenta, ou preto ou branco, ou dentro ou fora) Isto aproxima esse espaço de duas imagens: um cardume de peixes no oceano (orgânico, conectado,imagem idealizada e romatica) ou a uma corporação eficiente onde cada um pertence na medida do que produz (o comercial carvalho).
14. Acho que o ponto de partida são os desejos. Existe uma resistência imensa em aceitar que a desejamos coisas diferentes. E que o formato de manutenção desta organização não abarca todos esses desejos. Nem vai abarcar nunca.
15.Penso que é necessário ampliar a ideia de que está lugar é uma piscina furada vazando água por muitos buracos. Ampliar a idéia de banho de piscina pra um banho no quintal. Imaginar que esse lugar é uma manhã de lazer, onde uns estão na piscina, outros de mangueira e existe ainda um chuveirão como possibilidade pra se molhar (jogar).
16. Objetivamente de que maneira eu acho que o núcleo poderia tentar existir agora?
1> Com um grupos de artistas que quer PERFORMAR e aprofundar o que vem a ser terceira perfomatividade no corpo. Com o Marcelo, coordenando esse pequeno grupo e sendo artista nesse grupo. Igual acontece no Matadouro (isso é possível e bom).
2> Com um grupo de artistas que tem interesse maior em performar no campo das mídias e da virtualidade (sim o universo virtual não é um interesse comum) ou mesmo num eixo que não está necessariamente apoiado na tal terceira perfomartividade. Isto é, um grupo de artistas que queira manipular a experiência do outro (tomando-a como sua ) e converte-la em uma outra experiência.
3> Com um grupo de artistas que podem não ter interesse em nenhuma dessas duas possibilidades, mas em uma obra pesquisa especifica, um interesse pessoal. Que é apresentado como projeto, e esse desejo, mediante acordo, recebe uma manutenção para existir por um determinado tempo.
4> Com 3 (4, 5 quantas se achar necessário) instancias coletivas onde tudo isso se mistura (e onde aprendemos coisas entre nós).
5> Com algumas funções estruturais (que não deu tempo de detalhar aqui)
6> COM O TOTAL TRANSITO LIVRE ENTRE ESSAS BORDAS E DELIMITAÇOES.
17. Pra mim agora estar no Núcleo é fazer o que mais me move como artista é a partir do meu desejo, mas é lógico que esse desejo não estar isolado ele vem justamente do convívio com todos. E esse convívio que falo não só se estabelece só quando estamos juntos e sim das diferentes maneiras que troco com cada um. Falando em troca, acho importantíssimo colocar isso aqui que a forma como o Bomber Crew tá evoluindo que é na maneira de pensar, de estar profissionalmente e isso tudo é resultado da troca com o núcleo com esse lugar de possibilidades e responsabilidade com o trabalho.
18. Acho importante falar que sinto necessidade de uma humildade em chegar no outro em uma forma de seduzir o outro que não é mais sobre o seu desejo e sim sobre o que acontece alí na hora.
19.A oficina de pensamento hoje é um exemplo que eu desejo que o Núcleo continue porque parti de uma necessidade de discutir o que tá fervilhando alí no momento e que não precisamos estabelecer o que vai acontecer na oficina de pensamento.
20.Desejo mais lugares onde juntos possamos trabalhar assim com engajamento e vontade de se colocar de acordo com a necessidade que está sendo proposto. O que é um núcleo? É um lugar de possibilidade de saber se posicionar com relação ao meu trabalho. O que eu sinto vontade agora é discutir cada ponto que foi colocado na mesa e não deixar passar.
21.É dividir esse grupo pra trabalhar no Mil casas de acordo com a necessidade de todos. Acho importante falar do manifesta até porque quero ouvir as questões artísticas dos solos.
22. Uma plataforma em forma de rampa ou trampolim. Um organismo vivo e dinamico, permeavel ao que gera e ao que esta no entorno. Um lugar de autonomia, mas nao uma autonomia institucionalizada e defendida por meio de regras e leis que o assegure. Uma autonomia incompleta e oscilante, um lugar negociavel entre escolhas e decisoses, onde a via do meu desejo
possa ser surpreendida e levada alem. Nucleo como alavanca para o desejo que ainda nem sei a forma que tem como possibilidade legitima de me misturar aos outros sem que tenha que abandonar o que eu sou da forma que eu sou. Um entorno que alargue a nocao limitada de mim mesmo, me deixando experimentar ser o outro. Um corpo-a-corpo visguento e quase violento, um
embate de forca centrifuga entre o limite da minha pela e o contorno do orgao do outro. Um lugar comum entranhado do sentido de individualidade e deslocado de uma possibilidade de se deixar fisgar pelo umbigal.
23. Uma instancia politica que deflagre a urgencia, que desestabilize as segurancas de fachada, que detone o estopim de uma revolta que e’ a da propria carne. Um lugar para produzir danca, encontrar um sentido para dancar, a sensacao de abandono ao desconhecido que a danca pode trazer. Uma Danca como resposta ao abandono e aa indiferenca. Um ajuntamento que
se faca para a Guerra e para a festa, nao importando o que esta no cardapio hoje. Uma construcao fragil e continuada, perpetuada a cada momento pela presenca de um devir efemero, mas nem por isso irreal. Uma utopia solida em forma de rojao, que faca barulho e estale de luz o ceu sobre meu teto. Um chao sem direcao que assim mesmo me leve a algum lugar, que me permita um atravessamento determinante, ou uma contaminacao generalizada e inevitavel. Um front de Guerra onde eu ainda possa deixar crescer alguma erva e possa cantar uma cancao. Um lugar que seja confluencia das questoes do mundo e do ser humano construindo esse mundo. Um nucleo pra chamar de meu, onde eu possa ter a certeza de que esse meu e’ tambem o do outro.
24. Cada artista tem uma quantidade de casas que ele tem que visitar por mês e uma direção e acompanhamento crítico do que está sendo feito.Os trabalhos criados aqui fazem pequenas temporadas de apresentação no Galpão, que é a sede do Núcleo, uma forma de possibilitar que o que se propõe aqui reverbere para fora das paredes. Temos um site onde também compartilhamos o que produzimos, que é atualizado semanalmente.
25.Existe espaço e disponibilidade para que artistas venham fazer pequenas residências aqui e para receber espetáculos que dialoguem com Núcleo. Os projetos individuais acabam não sendo individuais, pois todo um pensamento que é coletivo atravessa os trabalhos criados nesta condição específica.
26.Esta é uma proposta de funcionamento, que sempre ppode ser revista, mas o rigor é um objetivo importante. É uma arte conectada e modificada com o que acontece no mundo, na minha subjetividade, no meu bairro.
27.Lista do núcleo ideal sem ordem de importância
1 posicionamento, enganjamento, disponibilidade e autonomia pra relacionar questões e acontecimentos que sao geradas dentro desse contexto de núcleo com os trabalhos que faço. olhar geral.
2 abertura pra o outro com propositividade. Não adianta eu dizer que estou disponível se não ofereço uma real contrapartida.
3 cuidar pra que estar junto não signifique dividir o mesmo espaço físico e sim um espaço conceitual artístico comum.
4 tornar acessível o que eu produzo, seja como for, seja uma documentabilidade do 1000 casas ou conversar sobre um espetáculo ou um projeto qualquer que foi inserido.
5 responsabilidade com esse espaço físico e virtual. espaço, equipamentos organizados. blog e site num fluxo continuo, já que isso é a vitrine quando em outros lugares do mundo.
6 se comunicar.
28. Lugar de reinventar-se, instigar uma frequência não impositiva mas necessária de informações no blog… como uma mural de processos de trabalhos saber quais áreas são mais de interesse das pessoas para se engajarem nos projetos…. estarem acessíveis e buscarem o outro.
29……………estabelecer pontos de encontro para troca e sugestões sobre documentalidade onde possa ser discutido e saber em que o outro pode nos ajudar…propor oficinas de criação de projetos ou como uma ramificação da oficina de pensamento, mas voltada para os seus trabalhos ou ideias que envolvam todo o Núcleo….bem como outras propostas de oficinas (photoshop, ingles, dramaturgia… cenografia áreas de interesses em comum.
30.Pensado no que foi falado hoje na mesa: Sem ter medo, descobrir como trabalhar com que você não teme interesse e fazer disso um interesse. Sem pessimismo. Deixar claro meu desejos.
31.Que fique claro que quem esta em residência também representa núcleo de alguma forma. E que não seja um lugar só de passagem, que a pessoas tragam algo que se junte ao que eu colaborei e não só retire daqui, fique claro não e uma brincadeira que renda algo para o coletivo.
32.E ainda:
01 Que o núcleo continue sendo um lugar que produza novos trabalhos.
02 Que tenha outra estância coletiva além da oficina de pensamento (para troca de informações do núcleo e pessoais três reunião por mês pelo horário da manha.
03 Que feche um grupo para escreve projetos > e que fique claro o que as outras pessoas estarão fazendo para colabora na criação de projetos.
04 Que oficina de pensamento seja mais divulgada para cidade como uma ação do núcleo como um espetáculo a cada segunda feira.
05 Penso em um espaço que seja de performar como um instantâneo a cada semana onde o artista trás sua questão do mil casas daquela semana ou que esta lhe movendo naquele momento, ou uma experiência que teve em alguma residência ou algo desse tipo ou que alguém traga um tema onde possamos ativar um mecanismo de criação de improvisar um material.
06 Continuar fazendo o projeto mil casas, tendo uma pessoa que fique para acompanhar a construção do texto e do vídeo da postagem.
07 Esta aberto com sua ação para a todos
33. LUGAR NO QUAL ME COLOCO COMO ARTISTA. Há uma nessecidade de aprender a Escrever Textos ,Projetos e Tentar entender o há Nas Conversas e o que se está discutindo.Ter Interesse do que se está acontecendo No Lugar . Esse lugar no Qual me interesso muito em Trabalhar mais.Tambem queria Sentir mais essa Sensação de estar Junto de Ter Colaboração entre os ARTISTAS por que é esse local que me interessa . A minha nescessidade real é de APRENDIZADO , de trabalho e conhecimento . Mais o que na Realidade me Proporciona esse Tal Lugar ? Acho que Para mim Não é uma Coisa de Chegar e Discutir e Sim uma Ideia de Estar Exposto ou estar aberto Com o que os outros tem a propor a ti. Na Verdade a OFICINA DE PENSAMENTO Vem me mostrando que isso não é algo tão Distante de mim, que não está tão dificil de se conquistar esse CONHECIMENTO Esse APRENDIZADO . Mais na real eu acho que eu estou sim aprendendo Conhecendo , Desenvolvendo, me produzindo e produzindo desde o dia que começei a frenquentar esse LUGAR esse ESPAÇO.
34. Proponho que pequenos grupos se formem , com uma proposta de horário,e participantes por interesse em estar junto ,sendo o meu grupo formado por Alexandre , Dani , Cipo , Cleyde , Jana ,com 3 encontros na semana onde visitamos as casas fazendo as acões do projeto 1000casas ,sendo que antes das visitas trabalhamos em estúdio ,aprofundando as questões destas ações ,e 2 dias dedicados a documentalidade.
35.Que as residências e os interesses do residente sejam associadas aos projetos que estejam acontecendo no momento. Que qualquer projeto ,seja edital ,festival ,palestra ,convite no que diz respeito ao seu trabalho junto ao Nucleo ,seja divulgada antes de ser contaquitada.
36.Que a oficina de pensamento deva acontecer a partir do que estamos discutindo , de questões geradas a partir dos projetos que estão acontecendo associados a um texto. Que o 1000casas também possa possibilitar oficinas de alguns artistas para comunidade.
37. Proponho uma organização em que produção seja mais que resolver e prever problemas, fazer orçamentos e planilhas. Seja pensar junto, conviver na subjetividade, num interesse real de estar ali junto e todo o resto prático seja consequência.
38.Um lugar em que esteja claro qual é o foco/ou focos de trabalho de cada um—ou seja, projetos em que minha responsabilidade é mais direta e clara—e em que eu me coloque e aceite esses “focos” ciente e comprometida em conciliar com um olhar também responsável sobre os demais projetos.
39.Neste espaço proposto é de minha alçada promover meios para que as pessoas em geral, e em especial os outros profissionais envolvidos, se mantenham informados sobre como está se desenrolando o projeto sob minha condução, assim como possibilitar e estimular o diálogo sobre ele (blog, encontros, pombo-correios, seja como for).
40.Neste intricado de relações entre diferentes pessoas e propósitos, deve haver espaço para trocas e encontros espontâneos assim como situações programadas induzidas pela necessidades específicas apontadas pelos projetos.
41.É um lugar possível para investir em projetos próprios, e que portanto gere mais força e amplitude a cada um, em negociação com vetores que vem dos outros profissionais e com a disponibilidade ética para o fato de que as condições e necessidades não são só minhas, são de várias pessoas.
42.O Núcleo do Dirceu são 17 artistas que trabalham durante um período do dia, todos os dias da semana. Mais do que um lugar de passagem, é uma plataforma onde cabem interesses diversos, mas que dividem o mesmo espaço – concrteo e abstrato. O foco principal é a dança contemporânea e suas inter relações com as outras áreas artísticas.Nestes encontros diários acontecem improvisações, leituras de textos e pesquisas continuadas das ações que estão sendo desenvolvidas.
43.Neste momento o projeto principal que está acontecendo é o Mil Casas.
44.Um lugar de se compartilhar desejos e responsabilidades, de plantas vivas, animais sem coleira e artistas livres dispostos a comer e se deixar ser comido. Relação horizontal e posicionamento engajado e ético.
45.Como é o núcleo onde eu quero e preciso trabalhar? Eu queria trabalhar junto Às pessoas, por uma necessidade minha desde sempre, desde que entrei no núcleo, uma necessidade de trabalhar junto, pensar junto, brigar junto, se estressar junto e achar a solução junto de outras pessoas. Não quero trabalhar junto pra tapar buracos nem pra isso se fazer uma solução mas simplesmente porque acho que crio melhor assim, e cada vez mais penso que nunca terei a chance de fazer isso aqui sozinha. Nesse sentido, esse é meu melhor que acho que sempre ficará lá fora ou em outro lugar. Queria sim vir ao espaço comum e tentar levar pro corpo o que tenho que levar pras casas, tentando construir uma coisa outra com todos que fazem isso.
46.Queria saber de coisas importantes que se passam e se pensam aqui de uma maneira simples direta e clara, e não tendo que interpretar expressões que são soltas em conversas, tentando adivinhar se são um novo espetáculo a ser mostrado num espaço público, um trabalho consistente sendo feito com pessoas da comunidade nas tardes de sábado, ou apenas uma piada interna entre alguns membros do núcleo que outros não conhecem nem precisam conhecer. Quero que ninguém, inclusive eu, assuma o que não possa fazer, seja por qual motivo for
47.Que se alguém, inclusive eu, assumir o que não pode ou ainda não pode fazer, assuma automaticamente uma conseqüência clara para todos sobre isso.
48.O Núcleo é um lugar de pesquisa e realização de projetos na área da dança onde trabalham 17 artistas. Cada artista possui uma responsabilidade individual com seu próprio trabalho dispondo assim da autonomia e engajamento necessários para realizá-lo. Como se na verdade cada artista em si fosse uma companhia com suas próprias responsabilidades e essas companhias convivessem juntas com interesses em comum. Fora os encontros ocasionais de interesse de alguns existem três encontros semanais nos quais dois são para o compartilhamento da matéria artística (como ideias, pensamentos, descobertas, práticas, dúvidas, experimentos etc) e um para o estudo teórico de textos do interesse de todos. Existe um projeto realizado por todos chamado 1000 casas. Projeto este realizado por todos e com autonomia e liberdade no interesse artístico de cada um, colocado, conversado e re-conversado por todos. Os impasses e decisões em geral são resolvidos de acordo com sua necessidade, com todos ou em pequenos grupos que informam a todos o que foi resolvido.
49.A priori ninguém tem obrigação de se comprometer com algo, mas se vier a se comprometer deve realiza-lo. As coisas são ditas quando e como devem ser ditas, sem mufinisse, sem panos quentes. As brigas e desentendimentos gerados em reuniões são resolvidas de forma profissional sem infantilidades desnecessárias. As pessoas se colocam sobre as coisas, não fogem da Raia.