Corpos em torno de uma mesa. Associação de palavras, aquecer o juízo. Imprimir um ritmo. Bater….bater na xícara, na perna, com a caneta, com a mão, com o caderno. O jogo de associação de palavras virou um percussão de sentido. Gritar, mover, suar. No beat, todo mundo cria o sistema. Não importa acertar, é apenas manter a conexão. Se conectar com o lado mais animal…
Individualidade/personalidade X disponibilidade na roda….. estar junto pode ser mais perto de um desfrute do que uma preocupação em conseguir estar conectado. E se a gente tentar entender performatividade por esse viés? Contaminação, afetação.. .seria uma performatividade contagiante?
BAIAR NO TERREIRO
Como tirar a idéia de perfomatividade de mim….(detentor de algo) e deslocar para algo além de mim, para uma acontecimento. Para um lugar que não possui possuidor..UM possuidor…apesar dessa performatividade depender da minha total responsabilidade , do meu engajamento, ela é o meu entorno, ela está no ar, no espaço, ela se instaura.
O que djuabo é a terceira perfomatividade???? Tem a ver com essa disponibilidade, desconfiamos. Marcelo, nos traz como idéia-assunto-imagem INCORPORAÇÃO… macumba… será que esses conceitos não emprestam um tipo de performatividade, ou entendimento? Um tipo de colocação do corpo? A disponibilidade do corpo em açao em função de…. um acontecimento, de uma experiencia.
Transe e ritual. Perfomatividade relacionada à presença e transcedencia.Todo ritual tem como elemento uma preparação. Como seria baiar no 1000 Casas, por exemplo?
Um terreiro é um contexto: ate que ponto eu posso acordar de manha acordar e fazer uma casa, porque tenho minha ação já há um ano…ate que ponto a gente nao tem ta no lugar do jogo de futebol, do lutador de MMA? Que tem um objetivo preciso e um certo condicionamento físico…. e vai lá e faz.
Será que que a gente não pode pensar nos “cavalos”que emprestam o corpo pra um outro tipo de experiência? É muito místico?Energia, corpo vibrátil…se dar conta que parede, corpo e molécula tá tudo junto…
PERFORMER E PÚBLICO
Espreitar algo….já existe uma excitação e satisfação em si, ja é uma conquista, nao precisa acertar conseguir. Pode-se ficar ali, sem necessariamente um objetivo final. Espreitar é mais aberto. Tentar um modo operandis de performatividade que seja por ai?
Alguém pode pergunta: será que a relação de poder instaurada onde o publico é presa (cobra e rato) nao é a que queremos…. ? Isso é perverso? Mas não será melhor do que o artista como pedinte? Afinal o que a gente quer comer, não seria o o outro?
Até certo ponto, usufrui mais quem tem ”um” poder. Mas essa relação as vezes se inverte…..uma dia é da caça outro é do caçador.
Tudo que a gente faz tem incluído um jogo de poder ( o finado michael já disse isso). Relação entre homens sempre passa por poder. A questão é : que tipo de poder a gene que exercer…a madonna exerce um tipo de poder. Madonna fala de filhos, amor e poder (revista). A idéia de poder usarda pelo Mao Santa..não é o que a gente quer.
O importante teórico da contemponraneidade, Peter Parker (o homem aranha) já dizia “grandes poderes trazem grandes responsabilidades” .
O público como presa. Significa coloca-lo num lugar de fragilidade em que eu posso mata-lo e come-lo….ou não. A espreita é só uma tensão que se estabelece e a natureza ja esta organizada nessa lógica…. será que isso não provoca uma mudança? Como nos bichos, será que não é lugar aí de presa onde são expelidos os fluídos, lançados os espinhos, que as penas se levantam, que o camaleão muda de cor, no momento de vulnerabilidade? Eu posso colocar o publico aonde?
Nem toda presa é vitima. Podemos relativisar isso. O gato nasce pra desejar um rato. O rato é vitima? Por que? Um vitima, só se faz vitima, quando recebe um poder que a dilacera, como por exemplo a relação que se estabelece entre condenado e carrasco.
DOCUMENTALIDADE
Ritmo, imprimir um ritmo. O tempo corre. Oficina de Pensamento – 23 janeiro 2012.