Depois de ouvir Denise stutz falar em não representar me veio à cabeça como deixar um estado verdadeiro ser também performático sem que ele seja usado como uma forma que eu queira mostrar e que não diz nada.
Esses dias em casa experiênciei o que acredito que deveria ser o estado sentido e existido dentro do processo do Cisneys, (pelo o menos para mim) mas há ainda uma barreira que não é mais sutil, mas sim bem reconhecida, acredito meio que receosa de concordar que devemos ou devo isso ao medo de revelar o que realmente somos, infelizes, mentirosos, incapazes, frustrados enfim o que só revelamos a nós mesmos.
Pois é, voltando ao que experiênciei em minha home, me encontrei em vários momentos com lágrimas escorrendo em meu rosto, mas era só eu, apenas eu deitada em meu quarto, de imediato tentei reconhecer algum cisne ali naquela vibe, pensei então na Bebel, em tudo o que foi falado, de como apenas estar disponível e verdadeiro, e de como apenas deixar as coisas acontecerem, penso então que isso é um exercício fundamental no ser artista, nada de discurso intelectual, cabeção ou choro forçado, e sim apenas deixar que nosso real estado quanto seres humanos seja mais forte que qualquer faísca de mentira, ou de ego inrustido.
Então ontem depois do ensaio do cisneys em plena noite, após uma série de porrada, e um dia inteiro de correria ficou meio que impossível apenas representar, o corpo estava realmente nesse estado de entrega e vejo um caminho que reconhecemos em nós, pela manhã, pela tarde, pela noite, pela madrugada e que não é um corpo arrasado, mas um corpo que sente a cada segundo interferências que provocam a necessidade de chorar.
“Chorar faz bem pra alma”
texto criado durante meu ócio criativo enquanto trabalhava na bilheteria do mediatriz
wilena weronez odile negra
9 de agosto de 2009 em 13:05
Weila, adorei seu texto, às vêzes me pego nesse mesmo estado quando volto de alguma pesquisa.
O corpo parece não definido(por nós), que necessita de um encontro/choro com nós mesmas.
Esse choro parece limpar meu estado momentâneo, surgindo de uma necessidade muito pessoal de acalmamento.
Enfim…………..chora faz….e faz mesmo bem.
Posso postar seu texto em outro blog que chamo Ações Criativas?
Nele componho o que chamo "relatos corpográficos", estou começando a pesquisar informações, relatos e ações que mobilizam o estado de corpo, somente pela escrita/grafia.Estou no comecinho!
Bjus
Iara Cerqueira
Salvador/Bahia
10 de agosto de 2009 em 13:46
oi lara..
tudo bem em postar o texto..faz apenas uma correção em relação ao nome da autora do texto..é wilena weronez.
beijos
wilena
10 de agosto de 2009 em 19:33
Ok!
10 de agosto de 2009 em 20:42
Pois é Weronez também tenho pensando nesse estado aí sutil….
Nesse corpo que é atravessado pelo espaço, pelo outro, pelo cansaço… e se coloca em jogo.
Coincidência ou nao, também tenho chorado.