clique nas imagens para ampliá-las.
Para entender como funciona o sistema de organização das ruas de Brasília, nada melhor do que se perder! No meu caso, provavelmente por ser o meu caso, foi especialíssimo. Me perdi a poucas quadras de casa, com uma câmera na mão, fui parar no Espaço Cultural Renato Russo, que era onde eu queria chegar, assisti uma aula de oficina de roteiro e direção de cinema e depois me perdi novamente, como não poderia deixar de fazer…
Bem legal o caminho, entre uma quadra e outra sempre esse miolo com bancas de revista ou de lanchinho e duas paredes bem preenchidas de graffitti, colagens, enfim… cores! Esses foram os que eu mais gostei e quis guardar na memória.
A outra coisa que eu gostei e que foi o motivo da minha movimentação até brasolha: a 1ª Bienal Internacional de Poesia da cidade. Me inscrevi em algumas oficinas, porque a que eu queria participar estava lotada. Mas nada que o acaso não pudesse resolver, acabei conseguindo entrar na Oficina de Hai-kai, ministrada por Alice Ruiz e deixei as outras para segundo plano. Não me arrependo. Alice é linda, bem-humorada, conseguiu me transportar para vários cantos, as discussões sempre afiadíssimas, instigantes e reveladoras.
Hai-kai é um tipo de poesia curta, de apenas 3 versos, que nasceu no Japão. É uma das várias práticas Zen. Durante a oficina, conversamos muito sobre as práticas, sobre impermanência, vazio, natureza, koans, níveis de compreensão, consciência, solidão, essência, liberdade, julgamento, abertura… Uma infinidade de coisas que abriam espaços para outras e que se conectavam com quase tudo o que pudéssemos imaginar.
Sendo direta e simples, o Hai-kai é uma fotografia com palavras e foi esse o conceito profundo que ficou na minha cabeça depois da oficina. Uma fotografia com palavras, um momento que não depende de mim para existir, mas que pode ser prolongado através de mim. A imagem que pode e quer ser transformada em algo concreto, que se multiplica, indo para onde as palavras puderem transportá-la (falo no sentido geográfico mesmo!). Dentro disso tem muito mais coisa e eu poderia escrever mais e mais e mais. Mas resumindo bem, é isso. Numa fotografia, o que faz dela uma fotografia especial, é a sensibilidade do fotógrafo que domina a técnica. E o fotografo não está presente na foto de outra forma. A fotografia é universal, como o hai-kai também deve ser universal em sua captura da natureza.
É bonito. Alice disse que escrever hai-kais é diferente de escrever poesia ou de compor, porque o hai-kai pede para ser escrito, você funciona como instrumento e isso é especial.
O resultado da oficina foi um brilho por dentro do olhar que continua, mais calma para as concepções, tranquilidade e aceitação, que não tem nada a ver com apatia ou passividade, mas entender que tudo funciona exatamente como funciona e é dessa forma que se pode procurar as ferramentas necessárias e colocar-se atento.
Teve uma outra coisa muito interessante também, que está presente em todas as práticas zen, que é a preparação do material, do lugar, de todas as coisas que vão ser utilizadas, ou melhor, que se transformarão na coisa. Tudo isso é feito com calma, de forma contemplativa, quase como uma meditação, para que tudo flua sem desvios, sem barreiras… É interessante, no mínimo. Tô aqui para conversar, abrir, dividir, discutir ou qualquer coisa assim.
Arianne Pirajá.
link: Alice Ruiz
20 de setembro de 2008 em 16:08
Muito interessante esse seu resumo da arte zen do haikai. Gostaria apenas de acrescentar que essa atitude chegou ao Brasil há muitas décadas, tendo instigado aqui importantes poetas que a experimentaram como Guilherme de Almeida, Guimarães Rosa, Alice Ruiz, Paulo Leminski, os irmãos Campos, Luis Bacelar e Roberto Evangelista, Millor Fernandes além do poeta piauiense Fred Maia, um craque na linguagem concisa e luminosa como um raio do haikai.
Bashô
raio súbito
fundiram-se os circuitos lógicos
Roberto Evangelista
20 de setembro de 2008 em 18:52
Querida Ambígua Arianne…
Tecer um comentário aqui seria exatamente reportar-me aos aprendizados intermitentes vividos comumente em dias de Brasília quente.
Seus escritos aqui são mais que familiares pra mim. São o meu próprio eu que enxerga tudo de uma maneira diferente, mais leve, mais conectada.
Mantive e permanecerei mantendo toda a posição de exercer os preceitos haikais. O mínimo que é acontece é que eles têm me tornado uma pessoa melhor. Confesso que ainda rompo barreiras pro parimento dos Haikais. Mas essa é outra expêriencia, mas não menos divina.
20 de setembro de 2008 em 20:20
Nega,
Tudo vale a pena, né? As experiências vividas antes, durante e depois da oficina vieram para nos fazer pessoas melhores. Assim são os ciclos (nos quais acredito) que nos fazem evoluir. Acredito que tudo leva à evolução, mesmo que seja imperceptível.
E o que um percebe o outro pode deixar passar, é aí que a gente precisa ouvir, discutir, compartilhar…
Desejo que essas barreiras que você ainda vê desapareçam…
Quanto à experiência divina, tenho algumas, e todas tratam de percepção dentro da minha natureza humana. Prefiro chamar de vida bem vivida, como a própria Alice comentou sobre o que a gente viveu por lá…
E que a vida continue com esse ‘Haimi’… (coisa que eu acredito ser própria da vida, sabe como é?)
Beijos.
21 de setembro de 2008 em 10:41
Para os interessados em turbinar as postagens de várias fotos, CLIQUE AQUI:
http://blogandweb.com/blogger/subir-imagenes-de-forma-masiva-en-blogger/
NÃO PRECISO NEM DIZER QUE TEM QUE USAR O mozilla né!
;]
aê arianne! olha o meu:
nossas conversas
ah! o msn…
(hahahahaha)
bjo.
21 de setembro de 2008 em 15:13
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