Ontem ao ver o ensaio do Matadouro, mais do que prestar atenção e falar das imagens fortes, fiquei atenta e pensando sobre o estado performático, sobre como é nutritivo para o performer quando ele se propõe a simplesmente estar, ser presente dentro de um trabalho onde contexto e cena são a mesma coisa .
Que uma ação simples, como correr em círculo com oito pessoas, ou mesmo formar um paredão durante certo tempo já é um turbilhão de coisa. Já é por exemplo:
o suor,
a resistência em continuar,
respiração ofegante,
tontura,
desejo que você jamais seja o primeiro a parar ou cansar,
é ovo e pau de toda cor,
resistência pacífica,
Um bando de gente nu não necessariamente se come, serve pra se juntar, ficar bem pertim e aguentar correr mais,
que você é perigoso, pra você mesmo, imagina pro outro,
que eu era pra estar alí,
O que você faz quando os outros não estão olhando?
bigloura,
resistência psicológica,resistência francesa,italiana,brasileira,mundial…
se é resistência imunológica,
pau no cú,
como se apropriar do outro,
apoio,
A mulher nua, no meio de sete homem nus, não deve ir pra junto dos homens quando eles se juntam em grupo pra correr, porque ela pode se lascar todinha,
como é resistir como observador,
corre bebel!!!!!!!!
resistência elétrica, resistência térmica,
resistência de movimento,
quando é execução( modo),
quando você morre ou quando está morto,quando seu coração para de bater?
O que você faz quando os outros estão olhando?
repetição fresca,
Qual era ou seria meu lugar ali?
circulação,
cobaias,
matar ou morrer,
curral de espera…
Gosto de ver no Matadouro um jeito de estar em cena que é tão igual ao de estar vivo, de ver os objetos cenicos serem e desaparecem como partes do corpo, da música que num sai nem entra, que é mais um interprete, de ver a precariedade se desdobrar em ação, de ser do Núcleo!!!