to devendo pra vcs mais sobre esse trabalho, que surpreendentemente tem me ocupado de forma boa, de maneira que me vejo descobrindo e aprendendo coisas.o trabalho da nina tem me feito entender maneiras de fazer coisas que se aproximam com a ideia do 1000CASAS, coisas que podemos experimentar como procedimento de ocupacao dessas 1000 casas.
como nao tenho tido tempo de escrever sobre esse projeto ainda, vou copiar e colar aqui um trecho de email pra luciana ponso, micheline e nina botkay, que faz parte de um video danca da luciana.
enfim, queria dividir com voces os bastidores desse projeto e essa nova relacao de colaboracao com a nina, ok?
to em amsterdam agora ja fazem quase dois meses, de volta a uma vida que
ja nao e’a mesma, mas que continua sendo, acho que nao vou saber explicar
isso aqui. fiz hoje um espetaculo como interprete aqui depois de muito
tempo que nao fazia.. estou performando num projeto de drawing performance
da nina boas, uma jovem artista de performace visual que trabalha com
enormes projecoes em fachadas.
conheci nina quando ela tinha 8 anos, me tornei amigo de seus pais no
final dos anos 80, ambos artistas visuais e da performance, ele holandes,
ela francesa. o phillipe foi logo depois embora pra indonesia fazer o seu
trabalho de pintura em tecido e couro e vive ate hoje la. a francoise continuou a pintar
enormes telas quase sempre de mulheres, e comecou a fazer os meus
figurinos.
eu e francoise comecamos juntos no final dos anos 80. a minha primeira peca de grupo e com
subvencao na holanda, contou com a colaboracao dela, e foi o seu primeiro
figurino. fizemos a partir dai mais de 10 pecas, sempre num trabalho que
ultrapassava a relacao figurinista-coreografo para uma total troca de
ideia na construcao de alguma coisa. francoise se tornou uma das mais
famosas figurinistas de danca do pais, trabalhou com todo mundo e segue
trabalhando.
a nina cresceu nos meus ensaios, no meio das provas de roupas (nos anos 90
ainda se usava figurino…rsrsrs), dancando pelos cantos do estudio. hoje
estavamos la eu e nina numa van indo de um lugar pra outro, eu trabalhando
pra ela naquele sistema holandes taaaao caracteristico, tao organizado,
que vira uma reproducao quase identica de outros tempos vividos. sao as
mesmas palavras, as mesmas vans, os mesmos cuidados com a seguranca e o
seguro de tudo, as mesmas garrafinhas de agua e coffee….ai a nina mudou
do holandes que falamos “no trabalho” para o frances que falamos a vida
inteira entre nos, e me disse: quando eu era pequena eu sempre quiz dancar
nas tuas pecas, entao eu criei essa pra dancar contigo…
meninas, sigo estrangeiro, sigo emigrado, e pra usar a palavra da moda
sigo expatriado.
semana passada tive em paris onde minha estoria de expat comecou.
me perguntava andando pelas ruas quem tinha mudado mais nesses 25 anos, eu
ou a cidade.
encontrei o wagner schwartz na rua por acaso e falamos por 10 minutos na
calcada.
encontrei a debby growald na recepcao de estreia da yvonne rainer. ela foi
uma das minhas primeiras e mais queridas professoras de danca, e que me
deu o primeiro trabalho como bailarino.
eu nao a via a mais de 20 anos.
nao sei porque to contando isso tudo pra vcs, desculpem pelas longas
estorias, mas talvez seja porque essa condicao de estrangeiro esta tao
latente, tao absolutamente incorporada no que somos e no que fazemos.
fico aqui mais tres semanas, vou pra teresina por 1 mes, e estou em berlim
abril e maio.
Layane Holandadisse: 14 de fevereiro de 2011 em 17:02
engraçado, que quando vi no face as fotos, eu também razão achei que isso que voces estão fazendo por aí pode dialogar com o 1000casas. Porque pelas fotos parece que voces se apropriam do espaço, da arquitetura e resignificam ela….ficcionam, brincam…. enfim queria ter visto.
lindo o email marcelo.
acho que email devia ser uma categoria nesse blog. é quase como ler cartas, gosto.
bjo.
marcelo linda essa estória, lindo como vc escreve e com tantas sensações e sentimentos.
é tão bom voltar a fazer algo que há tempos a gente não faz, né?
estou por aqui já triste e alegre na ultima semana dessa intensa temporada…
fabio crazydisse: 16 de fevereiro de 2011 em 10:05
Eu tenho algumas impressoes agora: Tu projeta uma sujestao ludica sobre uma arquitetura ja estruturada há anos em sua propria rigidez. Potencializa, ao inves do que vulgarmente eu, como espectador poderia projetar do que realmente existe dentro da casa, me leva a um recondito “bonitinho”, de dentro de mim…as janelas por exemplo, se tornao janelas de uma outra zona, é o buraco da arvore que a Alice cai…Na casa de bonecas a boneca sou eu!
Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.
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L.H.: A peteca caiu mesmo. Também sinto parecido Eli. E acho muito preciso algumas de suas colocações. Mas quero...
Elielson Pacheco: Me sinto meio idiota no momento. E fico pensando qual é o ponto do desmoronamento que tem que ir...
César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
weyla: Hoje conversando com minha avó ela me disse que não queria mais comprar roupas porque tava perto de...
14 de fevereiro de 2011 em 4:40
o google traduziu:
java balneário quadrados
bonitas fotos!!
14 de fevereiro de 2011 em 14:48
super louco!!! I have no comment!!
14 de fevereiro de 2011 em 16:01
gente
to devendo pra vcs mais sobre esse trabalho, que surpreendentemente tem me ocupado de forma boa, de maneira que me vejo descobrindo e aprendendo coisas.o trabalho da nina tem me feito entender maneiras de fazer coisas que se aproximam com a ideia do 1000CASAS, coisas que podemos experimentar como procedimento de ocupacao dessas 1000 casas.
como nao tenho tido tempo de escrever sobre esse projeto ainda, vou copiar e colar aqui um trecho de email pra luciana ponso, micheline e nina botkay, que faz parte de um video danca da luciana.
enfim, queria dividir com voces os bastidores desse projeto e essa nova relacao de colaboracao com a nina, ok?
to em amsterdam agora ja fazem quase dois meses, de volta a uma vida que
ja nao e’a mesma, mas que continua sendo, acho que nao vou saber explicar
isso aqui. fiz hoje um espetaculo como interprete aqui depois de muito
tempo que nao fazia.. estou performando num projeto de drawing performance
da nina boas, uma jovem artista de performace visual que trabalha com
enormes projecoes em fachadas.
conheci nina quando ela tinha 8 anos, me tornei amigo de seus pais no
final dos anos 80, ambos artistas visuais e da performance, ele holandes,
ela francesa. o phillipe foi logo depois embora pra indonesia fazer o seu
trabalho de pintura em tecido e couro e vive ate hoje la. a francoise continuou a pintar
enormes telas quase sempre de mulheres, e comecou a fazer os meus
figurinos.
eu e francoise comecamos juntos no final dos anos 80. a minha primeira peca de grupo e com
subvencao na holanda, contou com a colaboracao dela, e foi o seu primeiro
figurino. fizemos a partir dai mais de 10 pecas, sempre num trabalho que
ultrapassava a relacao figurinista-coreografo para uma total troca de
ideia na construcao de alguma coisa. francoise se tornou uma das mais
famosas figurinistas de danca do pais, trabalhou com todo mundo e segue
trabalhando.
a nina cresceu nos meus ensaios, no meio das provas de roupas (nos anos 90
ainda se usava figurino…rsrsrs), dancando pelos cantos do estudio. hoje
estavamos la eu e nina numa van indo de um lugar pra outro, eu trabalhando
pra ela naquele sistema holandes taaaao caracteristico, tao organizado,
que vira uma reproducao quase identica de outros tempos vividos. sao as
mesmas palavras, as mesmas vans, os mesmos cuidados com a seguranca e o
seguro de tudo, as mesmas garrafinhas de agua e coffee….ai a nina mudou
do holandes que falamos “no trabalho” para o frances que falamos a vida
inteira entre nos, e me disse: quando eu era pequena eu sempre quiz dancar
nas tuas pecas, entao eu criei essa pra dancar contigo…
meninas, sigo estrangeiro, sigo emigrado, e pra usar a palavra da moda
sigo expatriado.
semana passada tive em paris onde minha estoria de expat comecou.
me perguntava andando pelas ruas quem tinha mudado mais nesses 25 anos, eu
ou a cidade.
encontrei o wagner schwartz na rua por acaso e falamos por 10 minutos na
calcada.
encontrei a debby growald na recepcao de estreia da yvonne rainer. ela foi
uma das minhas primeiras e mais queridas professoras de danca, e que me
deu o primeiro trabalho como bailarino.
eu nao a via a mais de 20 anos.
nao sei porque to contando isso tudo pra vcs, desculpem pelas longas
estorias, mas talvez seja porque essa condicao de estrangeiro esta tao
latente, tao absolutamente incorporada no que somos e no que fazemos.
fico aqui mais tres semanas, vou pra teresina por 1 mes, e estou em berlim
abril e maio.
e’ isso gente do nucleo.
beijos!
14 de fevereiro de 2011 em 17:02
engraçado, que quando vi no face as fotos, eu também razão achei que isso que voces estão fazendo por aí pode dialogar com o 1000casas. Porque pelas fotos parece que voces se apropriam do espaço, da arquitetura e resignificam ela….ficcionam, brincam…. enfim queria ter visto.
lindo o email marcelo.
acho que email devia ser uma categoria nesse blog. é quase como ler cartas, gosto.
bjo.
15 de fevereiro de 2011 em 1:45
marcelo linda essa estória, lindo como vc escreve e com tantas sensações e sentimentos.
é tão bom voltar a fazer algo que há tempos a gente não faz, né?
estou por aqui já triste e alegre na ultima semana dessa intensa temporada…
beijão
16 de fevereiro de 2011 em 10:05
Eu tenho algumas impressoes agora: Tu projeta uma sujestao ludica sobre uma arquitetura ja estruturada há anos em sua propria rigidez. Potencializa, ao inves do que vulgarmente eu, como espectador poderia projetar do que realmente existe dentro da casa, me leva a um recondito “bonitinho”, de dentro de mim…as janelas por exemplo, se tornao janelas de uma outra zona, é o buraco da arvore que a Alice cai…Na casa de bonecas a boneca sou eu!