

A idéia simplicada e explicada de forma prática é: projetar nas fachadas das casas, entrevistas e imagens de seus moradores. Só que complexamente falando: o baldrame do barraco é mais embaixo.
Pra dar principio a dissecação da parada proposta, vou usar o guerrilheiro artistico banksy como primeiro bisturi, pra nao falar referência. O grafitti do Banksy tem uma relacao direta de simbiose com a arquitetura onde ele grafita, ou seja, o muro, parede ou seja lá o que for Banksy escolha pra executar sua obra, nao é apenas um lugar, espaço pra fazer um grafiti. Mas um lugar potencial de assuntos ja obscurecidos dentro daquela parede ou muro. O grafiti é metade da obra.O muro, a parede e seu contexto, é a outra metade. A voz da obra vai depender do contexto do muro…è o muro prevendo o assunto. O grafitti nao é em si, uma representação do que o muro pede, mas o resultado de um dialógo existencial/politico/social entre grafiti e muro. Essa entao seria a procura pra proposta que apresento ao projeto 1000 casas. Uma abordagem que permita um resultado semelhante (ou pelo menos onde traga essa influência ). A performance em si, nao é a projeção, e os vizinhos sentados a volta, mas a ação do artista naquela casa junto aos moradores. Mas que performance é essa exatamente? que estágio, ou nível performático pode haver entre um sujeito com uma câmera e uma moradora de um bairro de periferia? Assim como a performance do Banksy é o momento e a travessia dos obstáculos de grafitar nesse ou outro muro, seja ele em Israel, Leste da Europa ou L.A. O momento de pressionar o jet é o momento da ação performática em si. Sendo assim a projeção na fachada da casa, seria a “projeção” do ato performático. Um outro nível de performance, pra afastar os riscos de se tornar apenas um documentário, ou entrevista de cunho jornalistico, ou uma ideia bem elaborada, com proposta estética contemporânea, nível esse que se aproximaria e/ou seria o momento análogo ao do pressioanar o jet na hora de fazer o grafitti, porque inclusive , no caso do grafitti, ele poderá nao estar lá no dia seguinte. O fazer, no momento que ninguem vê sua feitura, é o momento potente, performático, transformador. O grafitti e todo seu resto é sobra de arte.


4 de fevereiro de 2011 em 19:26
Muito bom isso, Fábio!!!!