Corpo radiografado não é um trabalho sobre doença e nem para doentes ou hipocondríacos.
Corpo radiografadado é sobre mobilidades e imobilidades, concretas e subjetivas.
O nome do trabalho não é definitivo, mas por enquanto é o que temos, como chamamos. Parece nome de redação de vestibular.
Radiografia é tecnologia, mas ao mesmo tempo é trash. Das técnicas de “ver o corpo por dentro”, acho que é a mais antiga, a mais elementar. depois vem ultrassonografia, ressonância magnetica, tomografia…
Radiografia tem a ver com biografia. O que é mostrado sobre você, escancarado, e o que que mesmo quando mostra não dá pra ver.
Radiografia sentimental, autobiografia. (o que que eu tenho pra falar que seja importante não só pra mim, mas pra outras pessoas também?) Essa tal necessidade latente de fazer algo, de dizer, de colocar no mundo.
É uma continuação de uma pesquisa de espaço que vem crescendo e me interessando mais a cada trabalho que faço.
É um trabalho “independente” totalmente dependente. Veja cada vez mais um grupo e menos 4 performers com suas vontades.
É música pop, música que lembra situação, bicho de pelúcia. Não é asseptico, preto e branco, cheiro de formol. É colorido. Mas ainda vejo o “meu varal” de raios x com luz por trás.
É stop motion coreográfico. FF e RW
É pensar em trabalho em equipe e não sair com a sensação de que não fizemos nada. Ainda estamos desenhando dramaturgica e conceitualmente.
É pensar de novo em treinamento corporal – minha grande questão – chamando alguém para dar aula ou insistir no pensamento que a dança é capaz de gerar combustível para ela mesma. como fazer isso?
O que une esses 4 universos neste momento?
Qual o ponto de intersecção de tudo isso?
Autobiografia corporal? porquê?
Como mostrar o que não se vê? como traduzir isso em dança?
:: inaugurando aqui o projeto e aqui o blog corpo radiografado, nossa sala de trabalho e encontros virtual. Esse mês o trabalho começa em reuniões semanais – já tivemos 2 – e continua no blog.
E mãos a obra! Já é.
Jana Lobo
30 de julho de 2009 em 1:59
vcs precisam ler o livro organizado pela Maaike Blecker da universidade de Utrecht, que se chama O Teatro Anatomico. Ta em ingles mas vale a pena decifrar essa nocao do conhecimento anatomico do corpo, suas entranhas, a maneira como comecou a ser conhecido "internamente" por nos no final da idade media. O contraponto disso tudo – o que ja conhecemos atraves da tecnologia medica avancada – e' a procura de como funciona hoje o corpo em suas maneiras de organizacoes mentais, de sistemas de comportamento, de percepcoes criticas e reflexivas, enfim, o que nos humanos hoje queremos conhecer do corpo, e como fazer -eficazmente – isso atraves da arte.
Tambem seria bom pegar os 3 volumes da "Historia do Corpo" e destrinchar na pesquisa.
jana, nao ta claro o que vc fala sobre treinamento e "que a dança é capaz de gerar combustível para ela mesma".
vc quer dizer uma danca que fala de si mesma? (a la Cunningham)
ou um treinamento que ja esteja ligado aa criacao, aos procedimentos coreograficos?
fiquei em duvida.
marcelo
6 de agosto de 2009 em 1:17
não tenho as referências mas fico tb bastante curiosa pra ler estes livris que o Marcelo sugere.
sempre pensei neste projeto também como a possibilidade de virar do avesso. Ou talvez olhar de dentro.
não falar dos orgãos e ossos, mas deixar eles falarem.
é bom ver o trabalho de vcs começando.
também não entendo a parte que vc fala do treinamento, seré que é específico do teu caso, por causa do teu pé?
bola pra frente.
merda!merda!
Weyla