Rebeca di Cuiá é uma travesti, recém-nascida, nobre e teresinense.
Sonha e sofre porque sabe como será “O Futuro da Humanidade”.
Da rua onde nasceu até sua primeira aparição pública, tempo resumido em poucas horas; episódios intrigam aquela senhorita de 35 anos.
Acabara de conhecer a humanidade e já precisa enfrentar sua fúria.
Dentro do ônibus que a deixaria no centro de compras mais próximo para conferir as novidades do mundo do consumo e dar risadas e gritos por conta das coisas que optou fazer por lá, é surpreendida por uma garota, estudante de direito, que rebela-se contra a alegria e inocência de Rebeca di Cuiá e passa a exortá-la sobre as consequências que estaria sujeita, caso fizesse algum registro de sua imagem.
Isso seria intolerável.
Reflexo negativo da tecnologia ou desculpa para a discriminação.
Entenda se puder.
Na delicadeza dos seus gestos largos, desdobra-se em acalmar aquela moça certa de que o diálogo seria sua melhor atitude, pois poderia tranquilamente seguir seu destino e entre outras coisas, despertar o fetiche nalguns rapazes de corpos esculturais e cérebro deformado nas UNIBAN’s, até surpreender com o preço de um calçado, custando nada menos que R$800,00, quase duas vezes o salário mínimo brasileiro, renda de grande parte do trabalhador deste país, uma significante disparidade em relação há alguns países menos desenvolvidos e um inaceitável absurdo diante de países ricos que nos rouba ao longo de séculos.
A saga termina num boteco entre conhecidos, degustando drinks e petiscos, ouvindo e dançando boa música, já envolvida nesse emaranhado chamado alienação; e como alvo dos comentários daquela gente desconhecida e incomodada com sua presença.
Calma Rebeca di Cuiá, essa é uma pequena amostra da civilização do segundo milênio d.C., século XXI, setembro de 2009.
Na estrangeira Timon, terra vizinha e margeada do lado maranhense pelo rio Parnaíba poderá ser diferente.
Carimbe seu passaporte e boa sorte na próxima aparição.
marber r.