Intempéries
1. Inclemência do tempo.
2. Perturbação atmosférica.
Antes da musica, a métrica.
Antes dos passos, a dança.
Antes da poesia, a política.
Para alem de qualquer teatralidade, de qualquer espetacularizacao fictícia de verdades ausentes.
Brevidade de formas simples, suspensas no tangível, palpáveis e reais.
O aperfeiçoamento do individuo e sua vontade soberana.
O individuo, não o sujeito, o que esta sujeito a alguma coisa ou a alguém.
O individuo dono de uma razão livre, de uma lógica que reconhece o caos e não se submete a uma ordem de valor normativo, a uma percepção estraçalhada pela sonolência, imposta pelos sistemas fundados na cama do poder vigente.
Indivíduos cisnes, macacos, dromedários e rinocerontes,
animais humanos,
herois da vontade,
malditos pela própria natureza.
Obedecer apenas a um rigor
ético e estético.
A uma Inventividade radical.
Ético, pelo posicionamento autônomo, deliberado, direito civil concedido a si mesmo.
Estético, pela elegância vertical, austera, que não sucumbe ao chão, ao quadrupedismo ignorante de animais curvados.
A favor do desarmamento bélico e corporal,
dos artefatos que amedrontam e aprisionam o homem.
Desarmar-se das couraças da vergonha, do pudor,
das falsas promessas a si mesmo,
da rigidez formatada pelos códigos sociais
brutais e violentos.
Antes das saias de tule,
o empacotamento higienizado das fragilidades.
Cloaca plastificada, recipiente de fezes, urina, pus, corrimentos privados,
fluxos que deságuam do que não podemos conter de nos mesmos.
Cisnes depenados, espoliados, subjugados, renegados, banidos, amaldiçoados.
A arte pela barbárie, e não contra ela.
A arte dos que são artistas, dos que resistem por escolha, dos que não se submetem a políticas ribeirinhas de populistas religiosos star de Tv.
Arte dos que se opoem ao adestramento social hipocritamente chamado de arte acessível, arte do povo, arte compreensível pela lógica do medo, da mediocridade e da covardia.
O espaço fracionado, reformulado segundo leis
do desejo pleno, da pulsão incondicional do livre arbítrio.
Espaço que também e’ tempo, matéria, idéia,
elasticidade do devir.
“Incomodar a estupidez” segundo Nietzsche,
e não falar-lhe condescendentemente ao ouvido.
Se manter nas trincheiras que beiram o território minado do eterno combate, corpografia de uma luta constante, que nos assegura esse incomodo potente, libertador, prospero, radiante, feliz.
Marcelo Evelin
5 de setembro de 2009 em 9:51
Queria muito ver estes Cisnes.
5 de setembro de 2009 em 15:55
ha ha hahhaaahahahahaahahah ha ha ha ah ha ha haahhahaahahah…
disculpe ñ consegui ler..vidrei nas imagens..é muito bom..
5 de setembro de 2009 em 15:55
ha ha hahhaaahahahahaahahah ha ha ha ah ha ha haahhahaahahah…
disculpe ñ consegui ler..vidrei nas imagens..é muito bom..
5 de setembro de 2009 em 17:36
fuerte! a relação da imagen com o texto.
Acho a proposta muito boa.
Mexe comigo de várias maneiras, traz imagens muito intensas de memória, de doença, de infância, de preguiça ( que pode ser só mental), de angústia, de medo, de fragilidade.
Tem um "q" de triste e inocente, incapacidade mascarada com recursos da modernidade.Vulnarabilidade contemporânea.
Não sei bem se estou conseguindo expressar as coisas que estou pensando agora.
Bom lembrar que a gente é bicho também.
Weyla
5 de setembro de 2009 em 18:49
é muito engraçado, mas não sei…
fiquei com vontade de ver o fagão de macaco de tutu…