quase algumas impressões

Por: às 02/04/2008 21:46:00

Lugar pra ficar em pé.
Um projeto que começou antes mesmo de começar. Uma curiosidade saudável antes da Sheila chegar já tinha contagiado todo mundo. Onde todos, (todos!) tinham função além da de artistas e realizavam suas funções da melhor forma, contando apenas com a falta de experiência e boa vontade. Um medinho de não dar conta de fazer tudo – esse ainda hoje me persegue. Onde eu vi esse organismo Núcleo funcionar de fato, como uma engrenagem, como trabalho “coletivo” mesmo, uma forma de trabalho que deveria e poderia ser continuada aqui dentro. Uma forma de trabalhar bem mais democrática e respeitosa. Onde as hierarquias estão cada vez mais dissolvidas…. entendendo que o nome do seu Moisés do bar Democrata é tão importante quanto o meu no crédito do vídeo. E por que não seria? Mas os velhos hábitos “colonialistas” ás vezes perduram.
Entendi que falta trabalhar a tridimensionaidade do corpo, nós somos umas fotografias! Senti falta de estar trabalhando meu corpo freqüentemente, mas os momentos de ensaio eram muito claros por causa das direções certeiras que a sheila colocava. E tentei nestas horas ser uma esponja…
O difícil era achar esse lugar, estar e não estar dançando, começar sem ter que colocar os pés paralelos mas sabendo que o corpo estava agindo e concentrado, esse quase. Quase dança, quase vídeo clipe, quase saber a letra da música, quase cabeção, quase pop demais. Mas todos os ingredientes foram colocados na medida certa.
Foi bom experienciar “ver” Teresina de um novo ângulo, rever lugares já estigmatizados e ver novos lugares, usando o olhar sensível e coerente que a Sheila coloca neste projeto/nesta cidade. Outras relações já surgem a partir desse olhar, e mais pano pra manga de muitos trabalhos. Muito a ver com as tal paisagens do corpo (que eu ainda não consegui fazer, mas já ta acontecendo por aqui).

Sobre o vídeo que eu participei….
A relação mais direta e rápida que eu fiz foi com o Mediatriz. É o mesmo início da nossa pesquisa (um corpo que não se mostra por inteiro) e pro isso foi delicioso participar além de servir pra continuação da nossa pesquisa. Os corpos que não aparecem por inteiro, só da cintura pra baixo, falar com uma caminhada sobre voltar pra casa, corações partidos, uma bunda que diz muito, caminhar “normalmente” foi o exercício mais difícil, seres inanimados embonecados? Vimos nas fotos: pés sem vida e com vida. Pés que falam e pés analfabetos! Meninos de saia andando, e meninos que não dançam fazendo a caminhada melhor que os outros. (esse assunto já não é novidade, acho que vou deixar de dançar pra ver se eu danço direito!)
Relação entre local de festa (bom Galeto 2) e pessoas imóveis, massificadas, cristalizadas. Bonecas que podem ser manipuladas num lugar onde se manipula música, desejo, embriaguez. Pessoas que não se mexem…contra tudo ao redor que não pára. Uma música lenta, vidas rápidas.
Lugar pra ficar em pé. Esse título enigmático não me deixa parar de pensar nesse mês – turbilhão que já ta acabando.

Janaína Lobo


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6 Comentários

  1. Anonymous disse:
    3 de abril de 2008 em 12:11

    De quem e’ o texto?


    Responder
  2. fagão disse:
    3 de abril de 2008 em 14:46

    O bom é realmente pensarmos como pessoas que trabalham juntas e que precisam exercer funções para manter vivo esse organismo, como se organizar, como ultrapassar a barreira da relação pessoal para se atingir um nível otimizado de trabalho. formas de organização sempre nos vieram como exemplo para mostrar-nos o quanto é possível se trabalhar em grupo. seja Dimenti, Couve-flor ou a Sheila Ribeiro com suas formas específicas de organização que alavancam um trabalho. É bom que APRENDAMOS a observar com um certo carinho, os detalhes que fazem com que um trabalho funcione da forma desejada, ter mais ainda a consciencia de que não se faz arte apenas com mérito artístico mas também com responsabilidade e engajamento. Como encontrar então esse meio que nos traga essa ótica de trabalho? Temos que nos privar de nossa capacidade de organização e autonomia e utilizar nossas capacidades quando acontece um trabalho como o LPFEP? Será realmente que com tantos exemplos não podemos por isso em prática no “NOSSO PAISAGENS DO CORPO”?

    vamo lá meu povo!!!

    e afinal de contas, de quem é esse texto mesmo?


    Responder
  3. weyla disse:
    3 de abril de 2008 em 15:37

    o texto é da jana.
    concordo contigo fagão, e acho que exemplos são exemplos.
    Vamos pensar também no instantaneo.


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  4. Marcelo disse:
    3 de abril de 2008 em 19:35

    Jana, pois assina teu texto no blog mulher!

    Fagao, tu ta coberto de razao e obrigado por expor tua participacao. Vc tem razao qdo fala dos exemplos – e eles foram e sao muito importante pra nos – mas temos que ver o nosso proprio exemplo tbem, de como de uma forma ou de outra, viemos trabalhando, construindo pontes, abrindo espacos. Digo isso pq as vezes acho que e’ uma questao de reconhecer o valor e a possibilidade proprios, de reverter de si mesmo.
    Reconhecer (o paisagens do corpo, o instantaneo, o viva tosco!) como nosso, gerado na nossa friccao, torna-se mais dificil do que conhecer o outro, e portanto valorizar e investir mais no outro.
    Acho a possibilidade do Paisagens maravilhosa. De trabalhar ai na fenda, entre o que e’ e o que nao e’ arte, o que e’ e o que nao e’ a vida da gente.

    Fagao, sinto falta de colocacoes como a tua em textos pro blog. Tenha certeza de que faz diferenca.


    Responder
  5. clebinho disse:
    3 de abril de 2008 em 22:57

    A primeira vez que eu li, por conhecer um pouco o trabalho do núcleo…achei logo pelas referências q era da Jana…
    e Marcelo as pontes serão sempre construídas e se elas cairem
    é só dar meia volta e ir nas Fontes
    p/ buscar forças p/ novas Pontes…
    Vida longa ao Núcleo!!!!


    Responder
  6. janalobo disse:
    5 de abril de 2008 em 19:47

    gente, desculpa por não ter assinado! e meu pc tá tão lento que dá preguiça entrar pra assinar e demorar 15 minutos…
    acho que agora é hora de pegarmos todos esses exemplos – inclusive o nosso – e organizar a nossa própria e “típica” forma de se organizar, de trabalhar, de melhorar sempre e cada dia mais. de criarmos o nosso organismo.


    Responder

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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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