
Partiu da necessidade de desenvolver um trabalho solo, pesquisar um procedimento de trabalho e colocar o meu próprio pensamento sobre teatro. Desde que nasci até mais ou menos um ano atrás eu e minha família (cinco pessoas) vivíamos com apenas um salário mínimo. Morávamos de aluguel, compramos um terreno, construímos uma casa, eu minha irmãs estudamos em escola particular até a quinta série etc. A idéia é trabalhar em cima dessa experiência. Atualmente o Jacob desenvolve uma pesquisa sobre procedimento de criação e sobre trabalhos auto-biográficos, por isso o convidei para ser meu orientador nessa pesquisa.
Nós havíamos começado a trabalhar a mais ou menos um mês atrás, mas os problemas e os outros compromissos atrapalharam um pouco. Agora nós retomamos de vez e eu tô trabalhando de sexta-feira à terça-feira, três horas por dia, o total de quinze horas semanais. Por conta de outras atividades eu nunca uso o horário do núcleo, sempre trabalho ou a tarde ou a noite. Pretendo estrear no começo de Dezembro.
Na segunda-feira o Jacob me sugeriu o seguinte: eu deveria trabalhar em casa, na minha cama e a idéia era pegar três objetos quaisquer e mudá-los de lugar na cama por uma hora e meia, dar um intervalo de meia hora e repetir mais uma hora e meia de exercício. Foi interessante porque é repetição e repetição é a forma de trabalhar em que eu mais funciono. Mas levando em conta que em casa o telefone toca, alguém me chama, alguém ouve música e todas as outras interferências possíveis eu não consegui entrar na onda como deveria.
Na terça-feira eu fui trabalhar na casa do Jacob. o exercício era o mesmo só que eu trabalhei em um espaço bem pequeno no chão. Além da possibilidade de entrar mais na coisa o espaço desestabiliza e desloca a passividade de um espaço maior. Agora é como se eu fosse o quarto objeto e que tenho que mudar o tempo todo de lugar. Chega um momento em que o exercício fica um pouco automático e era como se eu pudesse ver de fora oque tava acontecendo ali. É estranho mas te leva pra um estado de concentração e consiência bem apuradas.
Hoje, quinta-feira, foi um dia bem complicado. O exercício era girar em torno do meu próprio eixo por uma hora e meia. Acontece que eu caí aos vinte e cinco minutos. Eu já passei horas rodando ao redor de alguma coisa mas ao meu redor nunca. Queria continuar, queria ir até o final mas não me senti bem. Deitei um pouco e vomitei. Acho que talvez eu não tenha e entregado como deveria mas nada me impede de tentar amanhã.
Quero fazer uma mostra de processo para o Núcleo no dia 29/09, mas ainda não é certo. De qualquer forma confirmo em breve.
izabelle frota
15 de setembro de 2008 em 14:47
Oi Bebel..fico feliz por vc dividir como foram esses dias de experimentos..mas gostaria de que vc falasse um pouco mais sobre o que é o trabalho, qual seu objetivo, o que vc quer provocar com ele, claro que vc fala do seu pensamento de teatro, da sua vida familiar(muito parecida com a minha), mas enfim, em que vc quer transformar isso tudo, o que auto-biografia tem com isso..sei lá, seu trabalho é pra ser auto-biógrafico? se for vc não que com apenas 17 anos vc ainda é muito nova para uma auto-biógrafia, se é pra ser isso, não é melhor se utilizar dos aspéctos de sua auto-biógrafia e torná-la mais próxima das pessoas, gostaria mesmo que vc deixasse mais claro o que é o tutano desse negócio, vc coloca pontos no post, mas na verdade o q vc fala é dos procedimentos adotados..beijão e boa sorte..
16 de setembro de 2008 em 12:53
tutano. boa!
pq é dentro do osso duro que reveste mas é molinho e saboroso.
17 de setembro de 2008 em 15:43
pra mim o mais importante disso tudo é realmente a pesquisa do procedimento. mas com relação ao trabalho pra mim não é só sobre viver com um salário mínimo mas é sobre fazer uma canoa com dois paus ou fazer uma tela com uma folha de papel e uma gota de tinta. eu ainda não sei oque é exatamente pra mim mas tô aqui pra descobrir e dividir. sobre onde eu quero chegar eu ainda não sei, só sei que quero chagar com pouco fora de mim e muito dentro de mim.
21 de setembro de 2008 em 13:12
Marber Ramos diz,
Bebel acredito que não deva preocupar-se neste momento onde quer chegar e sim como experimentar. Assim, terá a oportunidade de esgarçar uma inquietação que poderá ter reflexos na sua maneira de criar.
Continue dando os passos, um de cada vez. Sabemos que abraçar o mundo com as pernas deixa de ser solução para ser confusão.
Merda.