Quem sao os herois desse momento?

Por: às 08/12/2008 02:40:00

O “Clube de Herois” do Thomas Lehmen com o NCD e o O12, apontou para muitos pontos, de matrizes diferentes, que acho que vale a pena se pensar.
Thomas entendeu intuitivamente – ou por forca do habito de profissional com enorme respado – a situacao que se vive agora, no nucleo, no CCD, no Teatro, e apontou isso com o trabalho artistico, a construcao de uma linguagem, algo que se de a conhecer, a identificar, a decifrar.
Um trabalho artistico, uma obra (e nao vamos associar grandeza mas dignidade na palavra obra) para ser feita tem que passar por muitos niveis de percepcao, de absorcao e geracao de ideias, de compreensoes do individuo e do todo, da disciplina e o rigor, da imaginacao criativa e as associacoes coerentes, e da constatacao efemera do que se esta realmente falando.
A situacao de trabalharmos em coletivo foi questionada ai. Um clube de heroi tem um chefe? Requer uma autoridade ou o heroi (pelo menos os de carater) sao aqueles que exercem a etica, que transformam no sentido de possibilitar, de manter, de trazer o bem estar?
Aqueles com uma visao de mundo, uma ideia de futuro, uma estetica que promete, um glamour que favorece. Precisos, tranquilos e pontuais.

O fato do “Clube de Herois” ter apostado na ficcao, na fantasia, e no cliche dos cliches (a ideia de super poderes acima do existencial humano) traz pra pensar a questao da disciplina, a tecnica de um interprete fisico e a insercao desse mundo pessoal do criador em um todo. O criar “um personagem”, ou um tipo, ou um individuo na cena, ou como queiram chamar, se depara com aquilo que cada artista tem que enfrentar: a saida do seu proprio mundo para ser outra coisa por alguns instantes, mesmo que essa coisa seja impregnada daquilo que conhecemos de nos, mesmo que nunca nos escape a consciência de que nao somos aquilo que pretendemos ser. Esse e’ um espaco de projecao, de materializacao para alem da bolha de realidade que nos circunda, uma aposta em um outro jeito de ser, de estar, de fazer, de acontecer. Isso e’ algo poderoso, fuderoso, e o unico lugar para atuar se safando das logicas contaminadas de preguicas justificaveis.E’ ai que ta a coisa, o tutano, e o que tem que ser considerado por todos agora, individualmente e na (possivel ou nao para cada um) relacao desse individuo com um todo feito de individuos.

Outro ponto me chamou a atencao: A acessibilidade do espetaculo. Um nao empacotamento dessa mercadoria em papel contemporaneo, profundo, pensado, e “hermeticamente feliz”. Por que nao treinar a maneira de falar com as pessoas dessa cidade e desse bairro? Falar sem vender a alma pro diabo, sem baixar o nivel e se converter aa burrice, testar uma maneira de comunicar algo atraves de uma linguagem, a sua linguagem, justamente aquilo que um artista deve perseguir sem tregua.

A resonancia de um processo, a digestao dele, e’ o que faz sangue pras veias do corpo, e’ o momento de download, deixando de fora o que nao for necessario processar, organizando em pastas faceis de acessar. O aprendizado acontece ai, nessa selecao feita de forma obstinada, atenta e se possivel feliz.

O que fica pontuado pra mim, e’ o oficio do artista, do criador, porque os novos tempos nao suportam mais os interpretes executores, nem a formalizacao dos modelos de funcionamento. Nesses dias de instabilidade instalada e de interrogacoes gritantes, resta saber quem sao esses herois e quais sao os seus poderes. Resta assumir esse heroi pra romper a bolha, desorganizar a ilusao das logicas antecipadas, requentadas e acomodadas. De preferencia dando boas risadas, que nao precisam divergir do rigor, o rigor, construido pelas licoes que nos mesmos nos damos.

Hasta la vista companeiros!

Marcelo Evelin.



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3 Comentários

  1. Mr.Wall disse:
    8 de dezembro de 2008 em 4:11

    http://www.theufoconnection.blogspot.com/


    Responder
  2. Weyla disse:
    8 de dezembro de 2008 em 15:33

    Não dá pra deixar escapar todas as quetões que este trabalho aponta.Os hérois/artistas só quiseram deixar mais claro a situação,as coisas do dia-a-dia, e que precisam ser sublinhadas mesmo que estas já tenham sido ditas.

    Fiquei contente em estar ali e poder apresentar meu super poder,a dança, não como a melhor ou a mais… e sim como a minha ferramenta ou força secreta que me dá possibilidade de transformr de alguma forma a sociedade.É através deste poder que eu posso estar em contato direto com a comunidade e daí tentar SALVAR O MUNDO.


    Responder
  3. luana eloah disse:
    21 de dezembro de 2008 em 22:05

    Bom acho que hoje em dia, verdadeiros heróis são aqueles que conseguem mudar pensamentos e atitudes de se mesmos para fazer o melhor e também conseguir passar por bareiras que a vida e que a sociedade trás para todos nós sem inlouquecer,e fazer daquele problema a solução ….!!!

    ASS: Eloah


    Responder

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