




Na Theaterschool, alunos desenvolveram um sistema fora do sistema.Constroem pequenos solos por conta própria,escolhem o dia,convidam pessoas e apresentam seus trabalhos informalmente mas com todo o rigor que um trabalho de teatro necessita.
Até onde sei, todo o tramite de marcar horário,disponibilidade de estudio e aparato técnico,é feito pelo aluno que propoe o solo.Quem propoe é Anna van Diepen,aluna do segundo ano de Mime.
Sobre o solo. Descrevo.
O local.Um dos estudios de aula da escola.Decór? As cadeiras da platéia.12 lado a lado e uma luz amarela sobre elas.Anna entra e coloca uma música classica com uma sutil textura de suspense.Daí se poe a ligar refletores de luz iluminando a pilha de 4 pesadas mesas.Numa acao de esforco tira as mesas uma a uma e as poe nos pés da plateia,como estivéssemos sentados pra jantar.Prepara chá,e serve biscoitos nas mesas.Em momento algum vemos seu rosto,ele está sempre virado pro lado.
De costas Anna veste um macacao verde de veludo com capuz.É uma fantasia de sapo, daí ela senta e vemos seu rosto.Depois de tanto tempo suspenso a sensacao de ver o rosto mesmo conhecido foi de um lindo mistério desvendado.Ela senta e inicia uma conversa.A conversa é sobre nós estarmos ali e esperarmos que ela faca algo pra nos divertir,mas ela diz que esta nevorsa,e nao sabe o que fazer.Oferece musica que a platéia escolhe, e com eles embarca numa conversa intimista que beira a estupidez.Frágil.Interessante frágil estupidez.
Depois de alguns minutos de conversa Anna se despede e deixa o espaco exatamente com era antes.Inclusive as 4 mesas pesadas uma em cima das outras.
Além de toda a performance rigorosamente atuada num estudio de aula,o pensamento que vejo por tras é de clareza,autonomia e disciplina.Caminhos que me abrem um campo vasto de pensamento sobre como se portar diante do trabalho que se poe a fazer e acredita.
Da visionária dimensao do passa graxa que encaixa
Fábio crazy da Selva.