É ta chovendo!
Ta chovendo pra caralho.
Faz frio de 28° de tanta chuva.
Chove chuva choverando…
E eu aqui criando.
Eu nunca imaginei que criaria algo para crianças e muito menos que estaria criando com crianças e eis eu aqui como criança criando.
Mas o que esta sendo criado?
Uma performance? Uma encenação? Uma dança? Um teatro?
Ainda não sei, mas sei que estamos criando uma criação.
Criança em ação.
Criançando.
Criando.
Caio, Danielzin, Jallison, Suzana e muito mais
Há de tudo! Flutuantes, ologramas, saudades, adulto e criança.
Ontem me despedi da Jú. Sabado nos despedimos dela.
Nós as Gogóinhas!
Que saudades de você Mavi!
Um cheiro nas flores Ana e Thelma!
É continua chovendo!
Ih, parou!
Haviamos planejado para esse final de semana fazer um bloco das Gogóinhas.
É carnaval!
E tava chovendo.
Porra, foi foda!
Ficamos no Galpão e decidimos brincar de Esconde Gogóinhas.
Ó, o jogo é simples. Se liga.
É tipo esconde-esconde, sabe?
um bate cara e conta até 50 e o resto vai se esconder.
Quando esse um encontra um outro deve dizer: 31 Gogóinha nome da pessoa.
No final quando todo mundo é pego e salvo a primeira pessoa a ser pega deve se tranformar em algo que a pessoa que estava batendo cara ordena. Dizendo: Gogóinha Caio é um planeta terra. Por exemplo. Aí, eu viro um planeta terra.
Brincamos.
Brincamos .
Em determinado momento o Danielzin bateu com um pedaço de papel na cara da Suzana.
E ela comessou a chorar.
No ato paramos tudo e a Jú sugeriu que ficassemos em silencio.
Todos ficamos em silencio.
Eu pedi que fizessemos um depoimento sobre violencia,pois esse tipo relação, esse tipo de relacionamento fisico é comum entre eles. Há um hábito em se bater.
Eu fico puto com isso. Porra, praque ficar se batendo?
Aí eu me pergunto:
O que estamos criando?
A tal criação não parece tão ingenua agora.
Como lidar com impulsos tão instintivos como o impulso de bater?
Qual é a minha responsabilidade na construção desse ambiente?
Ao final dos depoimentos de violencia foi surpreendente ver que a maioria se colocou na posição de quem pratica o ato de bater e que quem estava assistindo se divertia com a porrada distribuida.
Era uma mistura de porrada e sorriso.
Eu fiquei indiguinado, mas depois de alguns dias de reflexão percebi que há um certo moralismo da minha parte. Um certo bom-mocismo.
Comessa pelo o que o proprio Danielzin nos falou no dia: Porrada é diferente de violencia. Segundo ele violencia acontece a paritr do momento em que há uma insistencia em ver o outro sofrer. A Suzana contribuiu dizendo que acha divertido ver o outro apanhar.
Apesar de não concordar em bater devo concordar com os dois. O ato de bater não precisa estar associado a uma ideia de violencia e há um certo encanto em ver outras pessoas em situação de risco. Mas me pergunto qual a nossa responsabilidade em decidir bater? E eu que não quero bater como fico no meio disso? Será que dizer apenas que eu não quero que me batam basta? Como não impor um entendimento que levei alguns anos para construir, pois eu ainda me lembro das brigas com o meu irmão na época de criança. Qual é a minha permeabilidade para o assunto? Será que a dificuldade está em mim em não saber lidar com o ato de bater?
É muito dificil criar se você esta indignado! Indignado é uma coisa moralista.
Como não ser colonizador? Ou como disse o Marcelo no seu post desconfio deste modo de lidar com o mundo. O-MUNDO-À-DISPOSIÇÃO-PARA-O-EU-CONSERTÁ-LO.Como criar um corpo-a-corpo?
Ainda não sei. Eu não sei como proceguir, mas me lembro dos bate-cabeças das festas de hard core e a felicidade que era chutar um sujeito qualquer na roda e me pergunto:
Será se eu sou punk?
28 de fevereiro de 2012 em 15:13
Como assim ficar indignado é moralista? Não entendo, então todo artista é moralista?
Como lidar com umas crianças falando sobre bater e sobre violência sem ser o cara que recrimina mais tendo uma noção que vc está num lugar (de maturidade e responsabilidade ali) bem diferente deles?
Criança não é para ser tratada como idiota mais tb não é um adulto.
29 de fevereiro de 2012 em 0:58
Jana entendo que o Caio coloca na sua percepção no momento em que ele se viu confrontado com essa situação.
Não é sobre dizer que bater é bom, legal… mas tem algo além. Eles não querem se machucar, mas querem testar seus limites e também com uma perversidade humana ( que é inato) estão em busca de provar coisas que poderia chamar de ruins ( agora não tem outra palavra).
sei não!
achei interessante a conversa de vcs Caio, mas queria mesmo era está perto pra poder entender melhor e partcipar, aprender.
quem sabe um dia desses apareço nos encontros com as gogoinhas.