Esse dias, depois de todas as nossas conversas sobre critério, compromisso, etc, observo ainda no Núcleo uma falta de compromisso. Não é uma falta de compromisso tipo não aparecer no teatro, mas uma que eu acho beeeem mais grave e delicada, acho que na verdade uma falta de palavra. E apesar de muita gente achar normal, eu acho isso muito grave. Pois gera falta de confiança.
E falta de confiança é, pra mim, essencial para saber com quem realmente eu posso contar ali, independente de questões artísticas. E esse raciocíno chega até a famosa planilha…
To pensando muito nisso e bem desapontada com o que aconteceu nos editais da Funarte. Reuniões, um monte de projetos, idéias ótimas, gastamos tempo (que poderia ter servido para outra coisa) para resolver quem iria mandar ou não… e no final das contas apenas 1 PROJETO foi colocado no Klauss Vianna e 1 na Mirian Muniz. E eram pra ir 3 projetos de dança e acho que 2 de teatro.
Brigamos e reclamamos por mais grana, mais prêmios e tudo, e numa situação como essa literalmente VACILAMOS, e correndo o risco de ano que vem diminuírem os premios pro Piauí, e nós vamos ser os primeiros a reclamar…a achar ruim…
Além disso o Marcelo tinha um projeto pronto e abriu mão para todos do Núcleo colocarem os seus…Isso pra mim é uma tremenda falta de palavra, é grave. Muito grave. Chega a ser ofensivo. É preciso pensar nisso como uma atitude política. Mas já notei que pra muita gente isso é apenas mais um simples fato: poxa, não deu tempo terminar o projeto….ok.
Espero que dê pelo menos para clarear pra todos o quão importante é isso tudo, em tempos de artistas politizados, políticas públicas, criar uma relação com uma comunidade…
Porque na verdade ando cansada de tanta teoria aqui dentro, nas reuniões, nas referências, nos posts… quero ver é corpo suado, material encadernado, fatos, coisas palpáveis… Aqui tá tudo “teoricamente” acontecendo… mas na prática, não.
E se teoria e prática estão sim juntas e lado a lado, tem alguma coisa fora do lugar.
É o mesmo caso das aulas de manhã, que todo mundo quer fazer e ninguém vem (normalmente) e tenho medo de ser o mesmo caso com os outros editais que estão abertos, onde foi combinado de grupos de dividirem para fazer. E aí sim, mais do que nunca e já emendando outra conversa, quem escreve projeto tem que ser pago sim, principalmente que na prática sempre uns vão ficar sobrecarregados dos trabalhos que teoricamente eram de outros.
Enfim.
Jana
1 de novembro de 2008 em 20:15
Jana, acho bem importante esse teu post, e realmente me decepciona muito so terem ido 2 projetos para os editais. Nao apenas pq ano que vem pode acontecer de diminuirem o numero de projetos para o piaui, mas sobretudo pq podemos ver essa “nao deu tempo de entregar o projeto” como uma deficiencia grave de escrever, conceituar, confiar e defender seu proprio projeto. Se nao estamos prontos para atacar os editais que temos, isso quer dizer a grosso modo que preferimos essa situacao de “dependentes” da prefeitura, que preferimos estar ali no nosso cantinho esperando o mesmo troquinho do fim do mes.
Isso e’ grave gente!
E acho que temos que considerar isso para priorizar os projetos dos proximos editais.
Tambem acho que definitivamente as pessoas que fazem projetos para o coletivo devem ganhar.
2 de novembro de 2008 em 0:24
Pois é Jana!
Não pode mesmo ser um simples fato! Quando eu avisei numa reunião de projeto que o do myriam nao ia mais… me dei conta disso. Peraí? Como assim…e aí foi correr atrás, mesmo dizendo: gente talvez nao fique pronto. (rs)
Fico triste porque vi algumas pessoas correndo correndo e morrendo na beira da praia… Tipo tentando mesmo! E aí pensei que se ali nos ultimos dias tivesse surgido um apoio sabe…. tipo o da wilena na última hora que foi massa! Esse apoio podia ter sido determinante…
Se tivesse rolado na PRÁTICA o papo de coletivo,talvez os projetos tivessem ido…
Coisas simples, impressora, se responsabilizar por colher assinatura de ficha técnica sei, fazer declaração, ganhar tempo, lá…
É foda mesmo!
2 de novembro de 2008 em 5:09
penso que nosso vinculo com a prefeitura é o grande diferencial porque estamos tendo a possibilidade de provocar mudanças importantes dentro da instituição prefeitura municipal de teresina(que são transformações lentas na maioria das vezes) mas totalmente importantes, e que ja deu e continua dando uma reviravolta no jeito de pensar e fazer arte na cidade.
cortar esse vinculo é como se não fossemos capazes de enxergar a força, a importancia do trabalho que fazemos. porque fazer um coletivo fora desse contexto institucional acho mas facil e mais recorrente por ai. a contemporaneidade de nosso trabalho está na fricção, no choque com a instituição. esse é um dos nossos principais conteudos artisticos na minha opiniao. tb pq essas transformações podem beneficiar nao so a nos, mas a toda uma classe.
compreendo o comodismo que o marcelo fala. se esse se firmar, o mal ja vai estar feito. e o trabalho ja vai ter acabado antes do que a gente imagina. penso nao ser o caso ainda. sou muito otimista?
sei que na maioria, mas maioria mesmo, essas transformações foram provocadas pela determinação e força do marcelo, essa situação não é nem um pouco facil pra ele, mas percebo que isso esta mudando tb. graças! e outras pessoas estão dispostas a tomar isso pra si: layane na escola de teatro, regina ao receber o wagner e se dispor a estar com ele e participar dos encontros c outras companhia e gestores culturais da cidade, eu no bale da cidade, os meninos (cesar, jamila e alexandre) pelo que relatam do workshop de break em sao luis e começando agora no interação, jacob no dubio, jana na escola de dança estao tentando disseminar algo de importante e atual nesses lugares.
e não esta bom ainda nao. de jeito maneira. ta bem engatinhado e sem rumo ainda.
jana, acho teus posicionamentos importantissimos e bem baseados no que vc ve e sente. mas são sempre colocados de uma maneira derrotista de mais o que sempre da vontade de desistir de tudo quando eu leio. nao podia ser de outro jeito? (é so uma reflexão, vc não precisa mudar o seu jeito).
é pq se a gente entender que so pegamos na lapada. é muito triste mesmo! minha bunda ja ta vermelha e pede pinico. pede arrego. e não que essas lapadas nao tenham que existir, eu não sou hipocrita. mas se esse é o unico jeito de a gente ser artista… funcionar so no chicote, essa epoca ja passou. tem que ter um equlibrio ai.
a aula do marber por exemplo tem que ser revista tb. o pobre ja ta dando aula ha 5 meses, com pausas eu sei, mas ta la. sera que nao tem que ser outra pessoa por exemplo por mais um tempo, que sugiro de nao ser tao grande.
pq ai coloca todo mundo no mesmo saco. nao da. desmotiva quem ta querendo fazer.
é muito paia esse suicidio-vivo. essa desistencia implicita. sem esperança nos resta so olhar pro passado e cultuar o saudosismo, as condições ideiais fora daqui (das quais muitos falam que nao aguentam mais).
acho bem importante o que katia cylene canta no seu forro “principio, meio e fim”: “pq na vida o q importa é so o amor!”
2 de novembro de 2008 em 5:26
não propus nenhum projeto pro klauss vianna, pq tb na epoca não tinha claro nenhum projeto, nem esboço nem nada.
penso que tb é preciso ter cuidado com esse esquema de editais. pra não ficarmos so em função deles, trabalhar so em função deles, fazer produtos em função deles, pq ai o material artistico muda tb, ( o q não é caso anda. graças! pq pude ver todos os projetos e pude lere conversar com o seu, o de weyla e de layane e soraya, que alem de estarem relacionados com os interesses articos de vcs, tenta dialogar de alguma maneira com o teatro, com a ideia do centro e da comunidade que nos cerca. e sei tb que escrevendo-os nos ajuda a organizar as ideias e nossas atividades.
palavras, palavras que tm o poder de mudar uma situação, de apoiar, de caridade não, de apoio!
so agora tenho ideias um pouco mais sedimentadas de projetos e quero propo-las para os dois editais locais siec e a. tito filho. vou escrever e quero te mostrar pq ainda tenho pouca experiencia nisso.
2 de novembro de 2008 em 9:01
Massa elielson!
É essa coisa coma prefeitura e a maneira de funcionar, é modelo de gestão, é construção também…não vejo só como comodismo.
Concordo demais com o que tu fala sobre o texto da jana. A gente que convive mais de perto e conhece esse tal “jeito” dela (rsrs) , as vezes direto e duro demais, até se acostuma. É muita lapada…hahahaa.
Mas o que Jana coloca aconteceu mesmo.O projeto do Marcelo deixou de ir… acho foda!
2 de novembro de 2008 em 19:07
Pois é gente, como ja está sendo dito: foi foda!!!!!!!
o que o Marcelo coloca sobre deficiência em escrever, conceituar e defender o seu projeto é a mais pura realidade.
Eu confirmo isso e digo tb que não é facil Marcelo.Não só pela “deficiência em escrever” ,mas por que pra escrever projeto é preciso dominar a “técnica” de escrever projeto.Não depende só do meu pensamento artistico, nem de muita leitura.È tudo junto.
O Sergio me ajudou muito,me deu dicas e sugestões, mas eu não aprendi (ainda).Morri na praia.Não pretendo passar porisso de novo
3 de novembro de 2008 em 14:28
É frustrante mesmo esse delay entre o que é falado e o que é feito. Só vale a pena se justificar se for pra dividir uma experiência no sentido do “know-how”. A Jana tem mesmo um “ar” de quem fez seu dever de casa e então pode descer a lenha sem pena. A questão é: Estamos juntos ou não? a falha de um não é a falha de todos? Tem que meter o pau sim mas tem que também se interessar nos pontos que devem ser mudados. Porque não deu certo? onde pode melhorar? Se a Jana não pode dividir o fardo do erro dos outros os outros não vão querer dividir os louros dos acertos dela. Pode ser que não sintamos que a “vitória” dela seja também nossa. Concordo que não dá mais pra vacilar, e eu penso isso num sentido abrangente, em tudo na vida, não só para o Edital da Funarte.
Vacilo mesmo é nem tentar, e esse não foi o caso definitivamente.
3 de novembro de 2008 em 17:29
O sergio tem toda razao com relacao a dividir erros e acertos, muito bem lembrado por sinal. A responsabilidade deve ser de todos. Amanha chego no brasil e converso mais com vcs.
beijo
3 de novembro de 2008 em 22:51
não entendi sérgio… pq na verdade esse post veio foi de uma frustação minha sim. fiquei mal sabendo que só eu “dei conta”… tb ajudei em algumas coisas pra weyla, lay…
mas é pra mim essa coisa de não mandar os projetos foi como vc dar um bolo em alguém: a pessoa espera até o último momento e vc não chega. Mas vc pensa que ela vai.E ai fica arrasada.
mas como seria dividir esses erros? deixar de fazer o “meu” que tb é do nucleo? Não cobrar e ficar lamentando? Eu entendo o que tu disse mais não sei como é na pratica. Quais são esses pontos, em se tratando de projeto??
ficou parecendo que eu fiz mal em colocar, é isso?
Fiquei toda confusa.
4 de novembro de 2008 em 0:08
acho que vc nao fez mal em colocar jana. mas por exemplo no post do jacob abaixo ele diz: a layane falou ….. que me fez pensar…
acho bom falar quem. porque ai não generaliza a situação pro nucleo inteiro. acho que não generalizar é importante. e tb as pessoas podem se colocar, não justificar, mas falar, se pronunciar, pq foi foda mesmo! não podemos achar que foi normal, pq realmente nao foi.
quem ficou de mandar enão mandaram/ não conseguiram foi: cipo e fagao com a segunda ocorrencia do orbital, fabio com o fausto? weyla com menu de heroi? ta faltando mais alguem?
ah e descupa: marber so esta dando aula ha 3 meses. exagerei.
4 de novembro de 2008 em 9:22
Esclarecendo: escrever projetos é item considerado e pago desde a planilha atrasada. Muito justo.
Concordo com Sérgio que o pior mesmo é nem tentar e claro que os vacilos que percebemos cometer devem ser evitados em todas as situações da vida. E como disse H. Katz: “o processo de educação é um processo de economizar erros”.
Entendo e acho legítimo o incômodo da Jana e vejo este post como uma provocação por uma mudança (não uma apontada de dedo na cara) de postura geral.
E vamos aos pontos a serem pensados a partir daí:
- o que Marcelo colocou sobre o qto queremos ou não autonomia
- o que Sérgio colocou sobre o qto nos colocamos responsáveis sobre o que é concebido pelo outro
- tentar é suficiente?
- em que nos sabotamos pra não conseguirmos concluir os outros projetos?
Não se dedicar aos projetos com mais antecedência e com mais colaborações mostram vacilos, mas o buraco é realmente mais embaixo e repercute na prática de várias formas.
Elielson, dos seis inicialmente listados para inscrição no prêmios KV e MM, Fábio/Fausto decidiu junto com o restante do NCD que não se inscreveria por não considerar válido sujeitar a pesquisa e a estréia a uma espera pelo resultado da Funarte.
Então Orbital, Menu de Herói, Máscaras, Corpo Radiografado e Área de Serviço se mantiveram na reta, sendo que Orbital e Menu de Herói faltou pouco pra serem concluídos.
4 de novembro de 2008 em 18:15
é me senti um pouco triste por não ter conseguido, mais ainda por saber que passei dias dedicado a esse projeto, se não rolou escrever no klauss vianna quero aqui dizer que definitivamente não foi por um ato de irresponsabilidade, talvez mais por falta de experiência do que irresponsabilidade. não gosto muito dessa coisa de apontar quem dá conta do recado em quem não dá, acho um pouco estranho esse tipo de posicionamento. eu poderia ter corrido e feito as coisas em um tempo rapidíssimo. mas não acredito que escrever projeto seja pensar de maneira efemera, de direcionar um produto artístico para um determinado edital. o projeto que escrevi tá guardado, sendo revisto, revisado. não ACHO que não cumpri meu papel que assumi por que não inscrevi meu projeto nesse edital, isso não afirma a qualidade dele e nem o diminui não ter dado tempo de colocá-lo. uma coisa é colocar um projeto convicto de sua força, outra coisa é jogar na loteria pra não perder uma grana que é destinada para o piauí. estou certo do meu esforço e sei que não sou um peixe que morreu fora d’água como disse a layane. os editais culturais não são oceano e nem eu sou um náufrago pedindo esmola na beira da praia…
4 de novembro de 2008 em 18:19
as coisas devem ser revistas com rigor sim, mas a abordagem desse rigor não aquire uma importãncia se ela for um tanto generalizada… e que tenhamos muitos cuidados com nossas leituras diante dos fatos…
4 de novembro de 2008 em 19:36
concordo com todos os pontos e vírgulas do Fagão.
6 de novembro de 2008 em 19:09
ahh gente, me poupe!!!
a gente não pode se acomodar, eu sei. mas acho que o movimento gerado nesse teatro com esses projetos era claro, a dedicação tava na cara… quando na vida teve outro edital assim??? pra mim isso já é uma grande mudança.. e eu repito, não é sobre se acomodar, mas também não é sobre atingir um ideal de coletivo da noite pra o dia.