Sobre Coletividade, Terços e Afetividades

Por: às 13/06/2009 16:30:00

de Elielson Pacheco
para alexandre núcleo ,
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bebel frota ,
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elielson ,
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sol_portela@hotmail.com,
Wilena Weronez ,
Danielle /soares ,
Weyla ,
Marcelo Evelin de Carvalho ,
Regina Veloso Amorim ,
Sérgio Matos ,
Klayton Amorim
data 11 de junho de 2009 00:40
assunto Sobre Reunião Conexões Recife
enviado por gmail.com

ocultar detalhes 11 jun (2 dias atrás) Responder

Oi gente!

Fizemos uma reunião anteontem (09/06) depois do colaboratório-Boyzie para decidirmos sobre qual trabalho melhor representaria o Núcleo no encontro Conexões Criativas, em Recife-PE, de 30 de junho a 5 de julho, dentre os trabalhos que já tinham sido escolhidos na reunião anterior. Eram eles: solo do Fábio “mefisto brasileiro”, solo da soraya “eu queria que meu coração fosse transparente”, “sensorama”, “instantâneo”.
Cada um falou porque queria ou não queria viajar para o encontro. E a partir do que cada um falou foi escolhida por todos de maneira que nem todos concordaram essa lista: Sérgio, Elielson, Danielle, Fábio, Cleyde, Weyla, Jana. Foi considerado critérios como: interesse pelo tipo de discussão do encontro, pessoas que não tiveram oportunidade de viajar pelo NCD, pessoas que estão com dificuldades de lidar com “estar em coletivo”.
O trabalho escolhido foi o “Mefisto Brasileiro” e Fábio falou sobre porque gostaria de mostrar esse trabalho. A weyla deu argumentos importantes que o Fábio compartilhou sobre o seu solo no blog (quando estava aqui e quando estava fora de Teresina), compartilhou sua pesquisa com outros artistas de maneira aberta como com o Sensorama, continuou seu trabalho quando esteve em residência em Amsterdam. Ou seja, apesar de ser um solo, de alguma maneira ele tentou se articular dentro do coletivo e mostra ser um interesse do Fábio.
Wilena está insatisfeita por dois motivos: 1) por não ter tido a oportunidade de falar sobre porque ela gostaria de participar do encontro 2) pelo antiprofissionalismo de ter sido marcado uma reunião antes do colaboratório e dela ter sido feita somente depois, quando ela não podia ficar.
Estou colocando esse fato nesse email, porque penso que isso está dentro de uma situação de coletivo que tem: um dia pessoas que esperam pelas outras, um dia pessoas que se prejudicam por não esperarem, onde tem pessoas que trabalham e tem mais responsabilidade que outros, onde tem pessoas que esperam pelas outras pra fazer o que deve ser feito por comodismo, pessoas que esperam pelas outras por conta do coletivo e acabam se prejudicando, pessoas que estão em coletivo e só fazem o que querem, pessoas que estão em coletivo e só fazem o que não querem, gerando frustração, de artista que vira buracrata, de produtor que fica sobrecarregado porque “artista é artista”, muita discussão pra tomar decisões e depois as decisões não virarem prática porque fica cada um esperando pelo outro pra fazer, onde tem posições estáveis implícitas mais fortemente presentes, pelo compromisso flutuante.
Falo assim porque no momento não sinto que a maneira de estar em coletivo está sendo a melhor das soluções artísticas, me sinto parecido com a Jana, com a diferença de, no caso do Rumos, tentar ou mudar de idéia ou estar mais certo sobre ela de dentro ainda. Algo me diz que estar sozinho é pior, mas isso não é uma justificativa pra se estar em coletivo, porque acho também que cada pessoa tem o seu momento na vida e pra algumas pode ser melhor usar a experiência que teve no coletivo sozinho. Mas isso é estar no coletivo ainda? Existe espaço pra isso num coletivo? Existe espaço pra isso no Núcleo do Dirceu? pra ficar só um temo? Existe isso? Dar um tempo que nem em namoro? Ou trabalhar no coletivo de longe? Ou tentar de outra maneira? Já foram tentadas todas as maneiras? Instabilidade é o que buscamos? Até quando? Quanto custa isso? não só em dinheiro, mas quanto custa de conhecimento mesmo? vale a pena? não seria melhor variar: um pouco de estabilidade, um pouco de instabilidade depois?
Quero ir pra esse encontro pra saber se alguém sabe uma maneira melhor, eficiente, menos prejudicial principalmente afetivamente, de estar em coletivo, e falar sobre nossa experiência. Não tenho muita esperança de que vá encontrar essas respostas em Recife, respostas para essas inquietações, mas seguirei tentando.

É um email informativo-prestação de contas-desabafo. E sei que pra muitos o que está na parte do desabafo não é nenhuma novidade.
Marcelo, tentei ligar muito pra você ontem e não consegui falar contigo. Acreditei inocentemente que você iria no galpão na terça e que poderia estar nessa reunião, mas falhei em ter pensado assim. peço desculpas.
Fagão, Magão, Klayton não liguei pra vocês, peço desculpas. sei que não serve de justificativas, mas vocês foram os únicos que não falaram no assunto.
Não sei qual é a possibilidade de alterar algum nome dessa lista, mas se alguém quiser falar algo sobre ela manifeste-se, por favor, independente disso. E se for importante para o “coletivo” fazer uma mudança eu tentarei falar com a Carminha.

Um beijo

elielson

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Sobre essa situação de coletivo faço ligação com um fato que está acontecendo com minha família no momento. Sei que são dois lugares de coletividade diferentes. De cara, porque na família você não escolhe conviver com aquelas pessoas, mas acaba desenvolvendo afetividade com elas, e no nosso caso de coletivo artístico, escolhemos estar juntos por alguma cumplicidade, embora no momento parece que estamos obrigados a estar juntos como numa família.

O fato é que minha vó enfartou e agora ela não vai poder levar o mesmo pique de vida que levava antes, de reuniões, caminhadas, muita encomenda de costura, cuidar dos filhos, dos netos, do marido, das contas da casa, da casa dos vizinhos. É. Até a vizinhança sentiu algo mudar e todos os dias, se deixássemos, a vovó não pararia de receber visitas de todos os lugares do bairro. Os terços que aconteciam em casa, quando a vovó ainda estava no hospital, parecia mais um evento organizado. Ninguém faltava.
Então, agora os filhos e os netos estão numa situação de ter que abrir mão de seus trabalhos, de sua vida pra revesar o cuidado com a vó e também o vô (que tem o Alzheimer comendo sua memória lentamente). E quem é que quer? Todos acham muito importante conversar sobre esse cuidado. Mas quem vai tomar a responsabilidade? Ninguém. Então, fica uma medição danada pra saber qual trabalho é mais importante que o outro. E sempre as mesmas pessoas fazem o malabarismo com seus horários pra conciliar suas atividades . O extremo oposto é que quando finalmente alguém fica pra tomar de conta vem a enxurrada de: “isso está errado! Que absurdo não é assim que se toma conta de alguém, não é assim que se dá remédio, você não sabe fazer nada” muitas vezes na frente da vovó, que já esta se sentindo um fardo. Falam isso da maneira mais “delicada” que vocês podem imaginar.

Essas duas situações atuais me afetam sem medidas.

Mas não desisto delas! Porque as duas causas são muito importantes. E na verdade, essas responsabilidades são o que me fazem ter muito esperança na vida ainda. São o que me “obrigam” a REFAZER os caminhos pra consturir arte.

Ainda tem o risco das seqüelas, essas por enquanto, não tenho condições de medir.

Tenho muito medo de ENDURECER, AMARGAR, mais do que o necessário. Sei que já estou nesse processo de endurecimento desde o final de 2006 quando me separei. Essa é a única justificativa pra desistir: ENDURECER além da conta.

foto: elielson pacheco (berlim/2009)(casa da vó/2009)

nágila ianne (minha prima de 10 anos) ao ver a foto de berlim disse:
“não tem como tomar conta dela mesmo e ainda quer cuidar do cachorro”



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  • L.H.: A peteca caiu mesmo. Também sinto parecido Eli. E acho muito preciso algumas de suas colocações. Mas quero...
  • Elielson Pacheco: Me sinto meio idiota no momento. E fico pensando qual é o ponto do desmoronamento que tem que ir...
  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
  • Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
  • weyla: Hoje conversando com minha avó ela me disse que não queria mais comprar roupas porque tava perto de...

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