É um choque. Um exercício pra nossa hipocrisia. Um descobrir-se e um enganar-se. É um elaborar discursos anti-colonialistas e ao mesmo tempo achar mais importante ser algo pra Sheila Ribeiro do que pra César Costa, por exemplo. É achar que a dondoca de ótima formação que não conhece nada além do seu carro e da sua casinha em bairro privilegiado é mais importante do que o artista de rua pé no chão que sempre estudou em escola pública, e pior de tudo, não assumir. É um abalar não abalando nossa hierarquia intelectual. É entrar no Bom Galeto Two, de cara levar uma dedada, um puxão de cabelo e se sentir comida pelos olhos de pessoas de um mundo oposto ao seu, mas que talvez estejam mais perto de você do que as prováveis pessoas do seu mundo. É passar a noite em claro por uma coisa que você talvez nem saiba o que é exatamente. É ter autonomia. É não ser artista. É fazer o que nunca fez. É correr atrás. É ficar parado e esperar pelo outro. É ouvir e ficar calado, sem resposta. É não precisar pensar. É ter tudo na mão.
Izabelle Frota