
O instantâneo realizado no dia 17 de setembro deu prosseguimento a uma pesquisa que começou no dia 03 do mesmo mês com o grupo composto pelos improvisadores: Jacob Alves, Izabelle Frota, Weyla Carvalho, Alexandre Santos, Layane Holanda, Marber Ramos, Soraya Portela, Hudson Melo e Wilena Weronez, busca discutir um tema já abordado por estudiosos e artistas em épocas diversas.
“O que meu corpo não aguenta mais?”
Um corpo que não suporta o excessivo volume de informações e não dispõe de tempo, nem de espaço em alguns casos para processá-los. Esta frase ajuda a relacionar as consequências acarretadas sobre ele como o cansaço, a mutilação, a alienação e outros fatores percebidos coletivamente nos lugares onde estamos inseridos. Recorremos ao experimento químico denominado decantação que serve para separar elementos pesados dos leves como ilustração para nos direcionar a um estado de consciência que possibilite uma relação melhor entre espectador/improviso/improvisador, não exatamente nessa ordem, e retirar daí apontamentos que sirvam para a comunidade, que comparece a cada quarta-feira, e da sua maneira, dialogar com o fazer artístico.
O procedimento escolhido foi o da repetição. Nas últimas três edições fomos transportando elementos de um instantâneo a outro com o intuito de entendermos algo que se apresenta como subjetivo, mas que com o silêncio, a simplicidade e o exercício que nos submetemos a cada semana, tem deixado mais claro o caminho escolhido por nós improvisadores.
A escuta gerada nos nove artistas envolvidos, faz com que a cada edição as discussões nos permita identificar situações onde temos autonomia e dependência em detrimento ao egocentrismo estabelecido pelo sistema a que pertencemos. Cada instantâneo exige de nós atenção, dedicação e entrega, pois assuntos que por todos são considerados uma ferida grangrenada, podem ser colocados novamente em pauta e assim impedir o desaparecimento da noção de conectividade e evolução.
. A dificuldade de reconhecer os sentidos gerados por um número considerável de artistas num único encontro.
. Otimizar a relação improvisador / espectador, comunicação que vista do ângulo atual, ecoa problemas como falta de respeito, de posicionamento diante dos fatos e o de bulinar em realidades vistas como intocáveis, que não funcionam ou que tornam-se impotentes diante do instante.
. Deixar escapar um acontecimento sem submetê-lo ao estudo proposto.
. Identificar pontos de convergência entre teoria e prática, isto é, considerar, apropriar e agregar outros pontos ao pensamento de artistas e estudiosos que foram determinantes em suas épocas com suas respectivas visões sobre linguagem artística, seus desdobramentos e especificidades.
Estas são questões que nos são pertinentes e tratam não de uma tese, e sim do direito de abordar assuntos que vão além do caráter pessoal e artístico, transpondo-nos para a condição de co-responsáveis pela qualidade da vida que escolhemos viver socialmente, com suas interdependências.
Marber Ramos
22 de setembro de 2008 em 7:41
gente, como “público”, gostei muito da postagem porque dá uma visão do backstage do Instantâneo. Claro que é importante a gente assistir e tirar nossas próprias impressões, mas eu também acho interessante ouvir/ler quem está em cima do palco.
bjus!