Oficinas de Pensamento > Geopolítica da Cafetinagem (iscas)
Ao longo das três ultimas “segundas” fomos encontrando maneiras de entrar no texto de Suely Rolnik, e partir daí, construir juntos novos entendimentos, ampliá-lo, torná-lo nosso, digeri-lo.
E fazer isso em grupo tem sido mais fácil. Ao tempo em que você escuta uma referência que não conhecia, alguém diz algo que você não concorda muito, ou percebe algo que não tinha se dado conta até então, o outro traz uma metáfora mais simples e com um exemplo bem besta clareia “aquela parte do texto” que a principio parecia complicada.
Ler ás vezes é como ir num lugar… você vai se aproximando, se aproximando, chegando perto… e vai escolhendo por onde ir, onde quer ficar, quanto tempo. E há sempre aquilo que escapa, que escorre, que não fica, que você empurra pra frente e segue. Isso é tranqüilo, o tempo todo nós selecionamos, seja ouvindo, enxergando, quando percebemos nossos bioreceptores acabam eliminando ou elegendo o que fica. O que se apreende é sempre fragmento. Mas aí é que tá, nem importa quantitativamente o número de pedacinhos que se perde, o que importa é qualitativamente o todo, isto é, o processo em si de aproximação de um pensamento. O que importa é a experiência de ir nesse lugar. Pode ser por palavras-chaves ou iscas: subjetivação – enfrentamento – incorporação – vulnerabilidade – sub-cortical – capitalismo. Frases grifadas, trechos que te “pescam”. Um lê os demais escutam, pequenos grupos lêem juntos e trazem as questões, escolhe-se um parágrafo e alguém lança “o que ela quis dizer com isso?”, o que eu não entendo? O que me deixou em dúvida? Qual o significado dessa palavra?. Enfim. As oficinas de pensamento tem sido assim, um exercício como qualquer outro. Igual ir malhar na academia, só que pra bombar a cabeça, alargar não o bíceps mas a visão de mundo.
Sobre o que estamos pensando, quando estamos aqui?
(…) a convocação e um olhar transdisciplinar. Qual a posição do artista? Será que ele não é o tempo todo convocado a atuar numa perspectiva transdisciplinar? E o que é essa tal “trans”? Trans de transformista, de transexual. Trans > de trânsito, de passagem, de fluxo.
Será que não temos que olhar de “outros campos” para arte (para aquilo que fazemos) ? Como outros campos olham determinada coisa, fenômeno? A biologia fala de um corpo; A antropologia fala de um corpo; A filosofia fala de um corpo;…..
(…)micropolítico: o que me envolve? O que está agindo em mim? Será que fazemos o exercício de pensar sobre o que se está pensando? Calma.
Pensar sobre o que se está pensando…. parece confuso. Mas será que não é mais simples, será que não é: o que está por trás das minhas ações? das minhas escolhas?
(…) O surgimento de uma questão se dá sempre a partir de problemas que se apresentam num dado contexto, tal como atravessam nossos corpos, provocando a crise de nossas referências. É o mal-estar da crise que desencadeia o trabalho do pensamento (…). Então ser artista é conseguir estar no mal-estar da crise? É sair do drama e do dilema e com tranqüilidade aceitar que instabilidade é condição?
rabiscos: momento de instabilidade————————————–>>
Corpo Zumbi.
Eu estou num estado sucuri = empanzinamento.
Nomes legais ? Sim eu coleciono alguns , por exemplo: infinitivo é o nome do verbo – impindurado - desmantelar – afolozado – eu enxergo Ela assim – plástico bom, material fino - coisas possíveis – o drive do…. – apesar de…
O seu jeito de entender cabe? O seu jeito de entender cabe? Cabe o quê?
1000Casas: O Mapa É o tesouro.
Meu cú é público.
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COMO EU “TRATO” (alimento, manipulo) O QUE TENHO PENSADO? O QUE ME OCORRE?
(…) Suely nos diz: pensamos/criamos porque algo de nossas vidas nos força a fazê-lo para dar conta daquilo que está pedindo passagem em nosso dia a dia. (…) A especificidade da arte é a invenção de possíveis.
(…) Uma das buscas que tem movido especialmente as práticas artísticas é a da superação da anestesia da vulnerabilidade ao outro, própria da política da subjetivação em curso.
An? Processos de subjetivação: Tiremos o R da palavra corpo.
COPO é uma realidade objetiva. ( um conceito que já reconhecemos, de natureza predominantemente funcional)
COPO é uma realidade subjetiva. Ele tem inúmeras possibilidades de significado (cinzeiro, abajur, cabeça de boneco, etc). Cada um vê, subjetiva isso, de um jeito. Bem, o artista tem que entrar pesado aqui…ele está intensamente aqui no processo de subjetivação.
E porquê? Porque se a especificidade da arte é a invenção de possíveis, então eu preciso propor outras possibilidades. Quando você levanta uma outra possibilidade isso não é palpável? Isso não é concreto? Sim, quando ela (a outra possibilidade) acontece no corpo, quando você imagina que algo é possível isso já é real. No corpo isso é real.
Outra coisa importante: a tal anestesia ao outro, ao mundo. VULNERABILIDADE É CONDIÇÃO.
(…)É que a vulnerabilidade é condição para que o outro deixe de ser simplesmente objeto de projeção de imagens pré-estabelecidas.
Um corpo anestesiado de vulnerabilidade é um corpo anestesiado de subjetividade. Terceira página do texto de Suely. Nos próximos capítulos, o tal corpo vibrátil. ( baixe o texto completo aqui)
As oficinas de pensamento acontecem toda segunda-feira às 18h, aqui no Galpão do Núcleo.
Qualquer pessoa pode participar, a gente senta, toma café, se pluga e conversa.