Sobre o quê estamos pensando quando estamos aqui?

Por: às 16/08/2011 19:16:26

Oficinas de Pensamento >  Geopolítica da Cafetinagem (iscas)

Ao longo das três ultimas “segundas” fomos encontrando maneiras de entrar no texto de Suely Rolnik, e partir daí, construir juntos novos entendimentos, ampliá-lo, torná-lo nosso, digeri-lo.

E fazer isso  em grupo tem sido mais fácil. Ao tempo em que você escuta uma referência que não conhecia, alguém diz algo que você não concorda muito, ou percebe algo que não tinha se dado conta até então, o  outro traz uma metáfora mais simples e com um exemplo bem besta clareia  “aquela parte do texto” que a principio parecia complicada.

Ler ás vezes é como ir num lugar… você vai se aproximando, se aproximando, chegando perto…  e vai escolhendo por onde ir, onde quer ficar, quanto tempo. E há sempre aquilo que escapa, que escorre, que não fica, que você empurra pra frente e segue. Isso é tranqüilo, o tempo todo nós selecionamos, seja ouvindo, enxergando, quando percebemos nossos bioreceptores  acabam  eliminando ou elegendo o que fica. O que se apreende é sempre fragmento.  Mas  aí é que tá, nem importa quantitativamente  o número de pedacinhos que se perde, o que importa é qualitativamente o todo, isto é, o processo em si de aproximação de um pensamento. O que importa é a experiência de ir nesse lugar.  Pode ser por palavras-chaves ou iscas: subjetivação –  enfrentamento – incorporação – vulnerabilidade –  sub-cortical – capitalismo.  Frases  grifadas, trechos que te “pescam”. Um  lê os demais escutam, pequenos grupos lêem juntos e trazem as questões, escolhe-se um parágrafo  e alguém lança “o que ela quis dizer com isso?”, o que eu não entendo? O que me deixou em dúvida? Qual o significado dessa palavra?.  Enfim. As oficinas de pensamento tem sido  assim, um exercício como qualquer outro. Igual ir malhar na academia, só que pra bombar a cabeça, alargar não o bíceps mas a visão de mundo.

Sobre o que estamos pensando, quando estamos aqui?

(…) a convocação e um olhar transdisciplinar. Qual a posição do artista? Será que ele não é o tempo todo convocado a atuar numa perspectiva transdisciplinar?  E o que é essa tal “trans”? Trans de transformista, de transexual.  Trans > de trânsito, de passagem, de fluxo.

Será que não temos que olhar de “outros campos” para arte  (para aquilo que fazemos) ? Como  outros campos olham determinada coisa, fenômeno?  A biologia fala de um corpo; A antropologia fala de um corpo; A filosofia fala de um corpo;…..

(…)micropolítico: o que me envolve? O que está agindo em mim?  Será que fazemos o exercício de pensar sobre o que se está pensando? Calma.

Pensar sobre o que se está pensando…. parece confuso. Mas será que não é mais simples, será que não  é: o que está por trás das minhas ações?  das minhas escolhas?

(…) O surgimento de uma questão se dá sempre a partir de problemas  que se apresentam num  dado contexto, tal como atravessam nossos corpos, provocando a crise de nossas referências. É o mal-estar da crise que desencadeia o trabalho do pensamento (…). Então ser artista é conseguir estar no mal-estar da crise? É sair do drama e do dilema e com tranqüilidade aceitar que instabilidade é  condição?

rabiscos: momento de instabilidade————————————–>>

Corpo Zumbi.

Eu estou num estado sucuri = empanzinamento.

Nomes legais ? Sim eu coleciono alguns , por exemplo:  infinitivo é o nome do verbo – impindurado  -  desmantelar  – afolozado –  eu enxergo Ela assim – plástico bom, material fino -  coisas possíveis – o drive do….  – apesar de…

O seu jeito de entender cabe? O seu jeito de entender cabe? Cabe o quê?

1000Casas: O Mapa É o tesouro.

Meu cú é público.

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COMO EU “TRATO” (alimento, manipulo) O QUE TENHO PENSADO? O QUE ME OCORRE?

(…) Suely nos diz: pensamos/criamos porque algo de nossas vidas nos força a fazê-lo para dar conta daquilo que está pedindo passagem em nosso dia a dia. (…) A especificidade da arte é a invenção de possíveis.

(…) Uma das buscas que tem movido especialmente as práticas artísticas é a da superação da anestesia  da vulnerabilidade ao outro, própria da política da subjetivação em curso.

An? Processos de subjetivação: Tiremos o R da palavra corpo.

COPO é uma realidade objetiva. ( um conceito que já reconhecemos, de natureza predominantemente funcional)

COPO é uma realidade subjetiva. Ele tem inúmeras possibilidades de significado (cinzeiro, abajur, cabeça de boneco, etc). Cada um vê, subjetiva isso, de um jeito. Bem, o artista tem que entrar pesado aqui…ele está intensamente  aqui no processo de subjetivação.

E porquê? Porque se a especificidade  da arte é a invenção de possíveis, então eu preciso propor outras possibilidades. Quando você levanta uma outra possibilidade isso não é palpável? Isso não é concreto? Sim, quando ela (a outra possibilidade) acontece no corpo, quando você imagina que algo é possível isso já é real. No corpo isso é real.

Outra coisa importante: a tal anestesia ao outro, ao mundo. VULNERABILIDADE É CONDIÇÃO.

(…)É que a vulnerabilidade é condição para que o outro deixe de ser  simplesmente objeto de projeção de imagens pré-estabelecidas.

Um corpo anestesiado de vulnerabilidade é um corpo anestesiado de subjetividade.  Terceira página do texto de Suely. Nos próximos capítulos, o tal corpo vibrátil.  ( baixe o texto completo aqui)

As oficinas de pensamento acontecem toda segunda-feira às 18h, aqui no Galpão do Núcleo.

Qualquer pessoa pode participar, a gente senta, toma café, se pluga e conversa.




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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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  • L.H.: A peteca caiu mesmo. Também sinto parecido Eli. E acho muito preciso algumas de suas colocações. Mas quero...
  • Elielson Pacheco: Me sinto meio idiota no momento. E fico pensando qual é o ponto do desmoronamento que tem que ir...
  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
  • Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
  • weyla: Hoje conversando com minha avó ela me disse que não queria mais comprar roupas porque tava perto de...

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