Ontem deu-se inicio o workshop Linguagem Cênica com Helena Bastos e Raul Rachou + NCD + cia. de teatro Renascer + oficinas do CCD.
No primeiro momento Raul trabalhou com algumas noções básicas e práticas do Pilates – técnica que surgiu em 1920, criada por Joseph Pilates e que busca alongamento e reorganização corporal através do peso do próprio corpo. Interessante que no decorrer da aula Raul sempre pontuava para não nos preocuparmos com um jeito certo ou errado de fazer, mas que nos conectássemos em como nosso corpo se apropria das informações que são dadas naquele momento, na maneira particular de cada um receber as instruções no instante hoje. Essa frase simples levou-me a pensar:
Um artista então não se constrói somente das informações que recebe, mas de como assimila o que vê, o que sente? Ou seja, o foco não está na quantidade, mas na consciência da maneira particular de cada um entrar em contato com as coisas? Não está na firmeza de estar fazendo algo certo ou a insegurança de estar fazendo algo errado que nos guia seguramente, mas a sensibilidade de perceber em maior ou menor escala as alterações provocadas em cada parte que compõe esse todo corpo que somos, através desse todo?
No segundo momento Helena entra falando na noção de ambiente coreográfico, que cada vez que dançamos construímos um ambiente e através desse ambiente nos comunicamos. Com uma célula de movimento dada por ela começamos a nos organizar no espaço. O exercício de escolher onde quero me colocar e o que acontece do caminho entre a escolha e a materialização da escolha, ou seja, até que ponto estou aberto para perceber o que acontece nesse caminho e qual a maneira que eu me relaciono com os acontecimentos. Até que ponto só escolho e vou, como executo uma tarefa pensada por mim, até que ponto escuto o que acontece, como se organiza minha percepção, o que é mais forte pra mim durante a execução e qual ambiente é gerado a partir das ações? É possível comunicar minha pessoalidade com essas escolhas?
São algumas das perguntas que faço agora e que me fazem perguntar também que tipo de ambiente estou criando para o meu fazer artístico com minhas escolhas, qual o ambiente que estou criando pra minha vida quando saio de casa e pego ônibus na intenção de chegar ao teatro?
Sejam bem vindos Helena e Raul.
Elielson Pacheco
8 de fevereiro de 2008 em 13:07
“Um artista então não se constrói somente das informações que recebe, mas de como assimila o que vê, o que sente?”
Bingo Elielson!!!!!
Essa e’ a questao chave gente!
E’ por isso que falamos de autonomia, pq nao adianta so ter toda informacao do mundo, se vc nao souber comer, mastigar e digerir.
8 de fevereiro de 2008 em 18:00
Umas das coisas bacanas deste encontro com eles…foi enfatizar que o artista precisa estar sempre num estado de PRONTIDÃO!
8 de fevereiro de 2008 em 19:24
Sim sim… Bingo! A gente tá sempre falando nisso…nessa questão chave aí…
Mas talvez o texto do elielson não tenha enfatizado essa “assimilição”…de fato se dar conta disso é só fechar o bingo!
Em exercicios muito simples nos foi proposto o tempo todo sobre como usar esse estado de prontidão e essa consciencia do ambiente e do meu corpo… pra construir essa espécie de ambiente coreográfico…
E o trabalho em apenas dois dias foi super sutil mas ao mesmo tempo complexo. Quase como re-acessar pontos chaves ” o olhar constroi” …”escutem-se” …”que relações já estão nesse espaço”, “principio e célula”…
Helena disse ainda:
Pensamento romantico = eu creio
Pensamento moderno = eu sou
Pensamento Contemporãneo = eu não sei
9 de fevereiro de 2008 em 1:38
foi muito interessante a sutileza do trabalho com a helena e o raul, e a constatação do elielson pra mim soa mito como um chacoalhão de mim para mim mesma…. se tudo isso já é entendido, por que não é usado??
estado de prontidão, células coreograficas, escuta….
tomara que com esse empurrão dessa vez me derrube!
9 de fevereiro de 2008 em 13:46
‘Pensamento Contemporãneo = eu não sei’
isso me faz pensar muito. Não só o Workshop do Raul e Da Helena mas o trabalho e o contato com as ações do TjpII tem me feito um extraordinário bem. Não sei se sou um “artista” melhor mais sou um estudioso melhor…
Só tenho a agradecer o Teatro João Paulo II, O Centro de Criação do Dirceu, em especial ao Fábio, o Nucleo de Criação, a Helena, o Raul… e outros tantos que tem me esticado a produzir e a me conectar com o meu meio sem perder a atenção em mim
Obrigado por essas e pelas futuras ações.
convido a todos a participar tbm do Mapas do Corpo
26 de fevereiro de 2008 em 13:36
Oi pessoal do Núcleo do Dirceu. Somente hoje dia 25/2 tive a oportunidade de ver os comentários sobre o workshop dado por eu e Raul. Fico feliz porque percebo um entendimento da parte de vcs que está muito conectado com o modo como pensamos dança e criamos. As falas de vcs demonstram muita propriedade e apropriações que me levam a refletir profundamente sobre esta escolha de organizar olhando o corpo e o ambiente que lhe cabe. Na verdade é um modo de entender o mundo. Torço para que nossa conversa não se esgote por aqui. “Resistência” bela moçada de verdes teresinais. Beijos. Helena Bastos.