A palavra território refere-se a uma área delimitada sob a posse de um animal, de uma pessoa (ou grupo de pessoas), de uma organização ou de uma instituição. O termo é empregado na política (referente ao Estado Nação, por exemplo), na biologia (área de vivência de uma espécie animal) e na psicologia (ações de animais ou indivíduos para a defesa de um espaço, por exemplo). Há vários sentidos figurados para a palavra território, mas todos compartilham da idéia de apropriação de uma parcela geográfica por um indivíduo ou uma coletividade.
A noção de território baseada na propriedade privada me faz pensar no caminho parecido que vem tomando o corpo na apropiação e engajamento ao que lhe diz respeito. À medida que estamos nos apossando da nossa parcela geográfica e edificando a moradia, processo esse milenar, o corpo tem se adaptado ao processo “evolutivo” e ao modo vida sedentário com a mesma rapidez da comodidade que a tecnologia nos oferece. Essa defasagem, ao meu ver, está influênciando em todos os sentidos a maneira de como o nosso corpo reage e percebe o mundo ao nosso redor, onde sempre podemos delegar a outros ou deixar pra depois algo que grita pro corpo respoder.
Em contraponto tambem sei que essa idéia de moradia está longe de ser algo para todos, o que volta o meu olhar para a condição de uma corpo desprovido dessa relação, que é o do morador de rua, que compõe o processo como voyeur ainda vagando nomade como nos primordios até que venha alguem totalmente destituido de qualquer noção de corpo e ateie fogo com um nivel de insensiblidade tamanha de ainda achar que era só uma brincadeira.
Não faço nem um tipo de apologia contra ao desenvolvimento tecnológico, ou ao ponto que chegamos com a propiedade privada especificamente, mas se tratando do artista, uma postura nomade é bem mais coerente com essa apropiação, sem precisar abdicar ou negar nenhuma maneira que aí está, porém reforçando no corpo um lugar de habitação e reverter ou barrar o processo de endurecimento que nos impede de ser sensiveis à relação coletiva.