as voltas com a triade pensamento – discurso – acao para nortear os encontros do mil casas. essa santissima trindade inseparavel vai dando no’ em pingo d’agua enquanto nos direciona para uma praxis que nem de longe quer ser um metodo, e nao se apoia na teoria mas faz uso dela como demarcador dessa vereda que decidimos adentrar. o corpo tensionado pelo desejo de satisfacao do conseguir e do acertar, vibra na complexidade e simultaneidade desses eixos que viram pinguelos pra nos, carnes tremulas de impulsos viscerais.
a ideia de uma triade me chama a atencao e me remete a algumas outras dessas trindades fundamentais para muitos dos entendimentos de nos mesmos: o ego, o id e o superego de Freud como níveis de consciência na estrutura psicanalitica do homem moderno, e o reptilico, o limbico e o cortex da mente humana em seu estado evolutivo primordial. outras associações mais levianas tambem repercutem em mim como insistencia dessa terceiridade: tricolor, trimestre, tridimensional, tríptico, trilogia, triciclo, trinca, terno, trio. todos garantindo uma certa autonomia das partes, mas embricados numa complexa e indissociável interdependência.
espalham-se no espaco os corpos pensantes a procura de seus discursos, e da acao performatica determinada pelo fluxo dos pensamentos que vem a fundamentar esse discurso. ou vice-versa: a acao propicia a dinamica do pensar e o discurso se faz a partir dai consequentemente. os corpos se imobilizam pela hesitacao da acao que retarda ou intimida o discurso, e faz o pensamento balbuciar. a acao tropeca no medo do explicativo e/ou ilustrativo, traindo o pensamento que nao permite o simples discurso do ser e estar, inscrito na estrutura de carne e osso porosa e contaminavel desses corpos.
a performatividade de Austin e Butler - dos atos de fala aos generos sexuais trans – nas transposições de identidades moveis e transitorias e no embate politico da condicao humana pos-moderna. a presenca como materia do efemero, como transversalidade do sujeito-zona fronteirica entre o significado e o significante. performatividade como ato que modfica o outro a partir da modificacao de si mesmo, como engajamento na suspensao das forcas que regem a racionalidade e como desdobramento do sentido do corpo na esfera simbolica do real.