Apartir da imagem da Última Ceia de Leonardo Da Vinci trabalhamos nesta quinta uma proposta para foto e video com integrantes do Núcleo do Dirceu e Bomber Crew.
Toda a simbologia implicada se reforça ainda mais nesse periodo de semana santa, que acumula todas as proibições e doutrinas perversas praticadas pela igreja.
O interesse da proposta está na dessacralização de uma imagem icônica, dando continuidade à ação para o ato de comer em si, como maneira de trazer para o lugar comum. Mas penso que o fazer, em si, extrapola a intenção da proposta, ele reforça pra mim novamente esse lugar de compartilhar, não num ponto de vista religioso, mas na idéia de creditar e tomar a coisa para sí independente de se ter ou não uma clareza nessa proposição. Em meio a um turbilhão de decisões à serem tomadas é claro um lugar de interesse comum.
Realizar independente da completude do pensamento, é o que pode movimentar pra mim hoje uma figura estática em torno de uma mesa – que muitas vezes transforma a arte em um lugar racional e resolutivo - tornando simultâneo o pensamento e a ação, ainda passivel de erros e fragilidades no percurso, já dizia o finado instantâneo.
27 de abril de 2011 em 5:50
All right! Lets start like this. usar o contexto de tomada de decisoes e possiveis stresses para a falta de clareza de uma proposicao artistica e no minimo assinar uma certidao de mediocridade. Uma vez que o verdadeiro artista produz sua arte apartir dos seus contextos atuais, e discordo que o fazer em si extrapola a intencao da proposta, pelo menos pra mim como espectador, a intencao da proposta e o que realmente me interessa. Quanto a Santa ceia, posso perceber que a reprodutibilidade e bem feita, cuidadosa e eficiente, o que faz a proposta cair no lugar seguro de arte utilitaria, de arte que funciona. Mas me detenho na falta de questoes que vossa santa ceia propoe, Onde esta a profanacao? pra desacralizar e so por um figurino bacana e estamos quites? Me poe a pulga atras da orelha justificar a fraqueza da proposta artistica por instancias de decisoes burocraticas.E como Sao Tome, so acredito por que tou vendo! Sei que essa va ser cruel, mas, me parece mais o grupo do monte castelo com um figurino transado bacana.
27 de abril de 2011 em 13:11
kkkkkkk…monte castelo. Bem Fábio, concordo contigo que a proposta talvez não tenha tido tanta consistência ou um desenvolvimento conceitual prévio tão aprofundado e isso pra mim era claro, assim como deixei claro para todos. mas coerência com o momento não tenho a minima dúvida, porque pra mim dessacralizar não se refere só a arte sacra, mas como os nossos hábitos se cristalizam. Seja o sentar em torno de uma mesa que se formaliza, ou se ausentar por não poder propor algo.
Acho importante tentar entender o que é arte útilitária, ela se baseia na estética, na discurssão? o que torna ela eficiente, e em que sentido? tambem penso que os discursos não podem ser cuspidos sem clareza vomitândo adjetivos como se eles fossem suficientes, isso pra tratar qualquer proposta da mais elaborada e pensada até a mais instantânea.
Concordo que o extrapolar talvez não esteja refletido na imagem. E pode ter sido um sentimento bem individual mas nescessário pra mim em entender uma possibilidade coletiva. Me faz refletir no quão abrangente tem que ser cada proposição, porque nessa especifica foi bem importante para eu entender o lugar da prática nesse coletivo.
27 de abril de 2011 em 14:02
Oh yeah! Let’s move on this way… será que a proposta clara, bem construída e inteligente (completa), onde ocorre o preenchimento das expectativas do espectador, não é exatamente o lugar da arte utilitária? Bem enquadrada nesse sistema em que o fazer em si pouco importa, contanto que a proposta seja inteligente, brilhantemente colocada, conceitualmente redonda? uuuuuuuiiiii esse lugar tá vazio demais pra mim! já as galerias e bienais e tate moderns tão cheias desses! o bolso de quem participa do circuito também tá cheio…. mas não é essa arte “clever, brilliant” que me enche os pulmões e veias.
Se há alguma justificativa por parte do cipó quanto a incompletude da proposta, acho dispensável, de verdade. Não deve haver justificativa para uma experimentação, qualquer que seja, pois ela se justifica por si só. Experimentar é isso. Ou isso era pra ser uma Obra com “o” maiúsculo do cipó? Perdi essa parte…
O que eu defendo é esse “Realizar independente da completude do pensamento”, “tornando simultâneo o pensamento e a ação” que o cipó traz aqui. Parando pra reparar, essa última ceia tinha um monte de uma proposta que a ju trouxe uma vez no início do estado de sítio, e que o cipó participou – e isso é massa de perceber. Mas talvez porque o vídeo (que é o que estávamos mesmo construindo ali) ainda não esteja disponibilizado, não esteja claro. E também o cipó esqueceu de falar sobre as outras três propostas para a semana santa, que acabaram não acontecendo… pena.
27 de abril de 2011 em 14:06
Ah, esqueci de dizer: desengessemo-nos!
27 de abril de 2011 em 14:39
Eu não vejo no texto do Cipó uma justificativa para uma não clareza da proposta. Vejo apenas a exposição daquele momento até como uma forma de entender de onde surgiu o que foi gerado. Concordo completamente com o Léo em todos os sentidos. Esse lugar de primeiro você pensa, depois você faz e depois você mostra não me interessa. Acho que principalmente o blog é um lugar onde podemos dividir o que acontece AGORA, seja uma proposta nesse molde pronto que já conhecemos ou não. Acho que colocar nosso lugar de artista num ponto em que só agimos com “conceitos e decisões” completamente claros estamos colocando realmente nosso trabalho num lugar de arte utilitária, uma arte que funciona por isso e por aquilo, uma arte que é “”"legítima”"” e por isso pode ser chamada de arte e entrar no way of life capitalista.