Esta semana no nosso encontro, a oficina de pensamento, tivemos a presença de Lina do Carmo falando sobre um monte de coisas: ser artista, relação com o piauí, sobre o que houve de fato na Serra na Capivara, o processo criativo, técnicas, vida…
E também começamos a aprofundar nossa discussão que começou por aqui sobre técnicas de dança. Só começamos, ainda tem muito para se falar, entender, esclarecer. Mas já entendi uma coisa. Vamos dar os nomes (certos) aos bois: Técnica é diferente de treinamento que é diferente de prática. E eu tava pensando em prática e falando técnica. Sol obrigadíssimo pelo esclarecimento.
(conceitos que acabei de formular)
> técnica = apenas um jeito eficiente de fazer alguma coisa. Que pode ser tanto sentar numa cadeira como dar um salto ou ler um livro rapidamente.
> treinamento = fazer uma atividade repetidamente para refinar, criar resistência e/ou entendimento. geralmete você treina para conseguir a técnica.pode ser chamada de ensaio também.
> prática = realizar alguma atividade, neste caso, física
Sinto falta (e entendo agora) de uma atividade prática corporal frequente, não necessariamente atrelada a um processo criativo e nem a uma técnica de dança específica, mas que seja como um alimento, uma outra via de assimilação, um outro lugar de pesquisa. Assim como a nossa oficina de pensamento tem nos alimentado de informação e tá funcionando, uma prática física traz a informação por outra via. E acho que falta essa lacuna, esse momento de compartilhar informações não verbais e sensíveis.
E essa prática contribui para eu ter um corpo mais ativo, de prontidão. não capaz de levantar as pernas (ou sim, se isso for preciso), mas sensível, capaz de gerar informação, de entender o que está fazendo, de trazer questões claras, um corpo amadurecido. Já que as questões de nos cutucam e depois vão virar pesquisa podem vir tanto do de uma discussão como do fazer mesmo.
E isso pode não ter um formato específico, pode surgir de algum assunto discutido na oficina de pensamento, de alguém que traz uma proposição, só precisa de disponibilidade. Sinto ainda uma apatia e uma inércia corporal. Estamos treinando, criando técnicas e praticando só o discurso? Essa é uma questão que venho pensando há um tempo.
Mas também posso estar viajando e isso ser uma necessidade e uma questão só minha.
Depois tem mais.
25 de outubro de 2010 em 14:55
Jana, não é uma necessidade só sua. Eu tenho me confrontado com isso todo esse ano. às vezes é uma necessidade tão básica que começo a fazer coisas inconscientemente, sabe piloto automático? E depois vou pra outro momento como me questionar sobre a validade daquilo. Acho que tem, mas não sei como falar ainda qual é.
26 de outubro de 2010 em 2:33
jana, tem varios otimos pontos ai para discutir:
1 -”atividade prática corporal frequente.”
muito importante como o mecanismo que move nosso trabalho, nao esquecer que queremos fazer isso na vida. apenas considerar pensamento e movimento como imbricados, sendo a mesma coisa, e ai essa questao de como e o que, pode se alargar.
tentei enumerar aqui algumas coisas mas acho melhor tratarmos numa reuniao. acho que estamos tocando algo onde o buraco e’ mais embaixo, nao se trata de um treino, ou tecnica, ou pratica, mas de uma organizacao desse processo de trabalho que envolve pratica, treino, processamento, destilacao, troca, partilha, difusao e que na verdade e’ a base talvez dessa organizacao coletiva.
e pra pensar: a pratica nao pode estar separada do que fazemos, seja no pensamento, no movimento, nas construcoes e geracoes de ideias, nos processos e nossos modos de existencia. a pratica do corpo pode operar em campos outros e outras configurcoes. a pratica poderia estar diretamente ligada a um ambiente, um parque, um paredao…pq assim o corpo adentraria num mode ja conhecido de “sei me mexer” e espero os resultados que conheco de uma boa aula de danca, ao inves da pratica ja ser algo em si, ja mezer, conectar, trocar..o que ainda nem sabemos.
temos que tentar aprofundar essa coisa nas discussoes, porque talvez estaremos pensando mais do que apenas uma pratica, mas uma maneira de organizacao de como produzir arte no nosso contexto.
tragam ideias de como veem um treino associado ao trabalho do nucleo como acao continuada…pode ser bom pensar geral.
vai ter reuniao na quinta?
seria bom!
beijo
28 de outubro de 2010 em 11:43
pois é..tava super na vibe de que essa discursão rolasse hoje, pois tem coisas aí que me deixam bem pensativas e à procuar de entendimentos, tow tentando distrinchar o comentário do marcelo, que me soa claro, mas me deixa ainda não me coloca em um nível de assunto resolvido, e na verdade por esse ser um assunto ainda com pano pra muita manga.