
Depois de um pequeno recesso de dez dias, voltamos as atividades do Núcleo de Criação desde a última quarta-feira, já começando a trabalhar em cima dessa idéia de um palimpsesto, idéia trazida pelo Marcelo como forma de criar um “espetáculo” em cima de todos os materiais já produzidos por nós do Núcleo durante esse 1 ano e meio de trabalho. Solos, trabalhos em grupos, tudo o que foi produzido de significativo tá valendo como fonte de pesquisa, mas não para repetir o que foi feito em um contexto específico, mas para trazer este material para falar de outras coisas, como uma idéia de reciclagem (nesses dias de trabalho essa imagem tá sempre me acompanhando). Como uma garrafa pet que vira um brinquedo depois.Nesses 3 dias, já senti o quanto é difícil voltar à essência do que é alguma coisa, não cair na representação, reconhecer a força de cada material.
Temos um trabalho árduo agora nesses poucos ensaios. Graças a deus. Pois marasmo não dá mais. Até meu corpo tava imerso numa preguiça. Minhas coxas, meus braços, meu abdomem doem, mas essa sensação de estar produzindo, se mexendo… não tem preço.
Palimpsesto: um palimpsesto é uma página manuscrita, pergaminho ou livro cujo conteúdo foi apagado (mediante lavagem ou raspagem) e escrito novamente, normalmente nas linhas intermediárias ao primeiro texto ou em sentido transversal.O termo deriva do grego antigo παλίμψηστος, ou seja, “riscar de novo” (πάλιν, “de novo” e ψάω, “riscar”).
Para saber mais: O palimpsesto mais importante do mundo
“No século X um escriba de Constantinopla (atual Istambul) copiou textos de Arquimedes para um livro que é hoje a mais importante fonte das obras do sábio de Siracusa, o Palimpsesto de Arquimedes.Cerca de duzentos anos depois, durante a quarta cruzada, Constantinopla foi invadida e saqueada. O papel era escasso na época e o manuscrito de Arquimedes foi reciclado num livro de orações, o Euchologion. Para isso, a encadernação inicial foi destruída, o texto original raspado das folhas de pergaminho, estas rodadas 90º e reescritas.O documento foi mantido pela Igreja até ser doado a uma biblioteca de Constantinopla, onde foi encontrado em 1906 pelo filólogo Johan Ludvig Heiberg. Com uma lupa, Heiberg conseguiu identificar os textos de Arquimedes sob as orações. Heiberg fotografou as páginas e publicou uns anos depois o que conseguiu decifrar. Na época, a descoberta mereceu honras de primeira página no The New York Times, em 16 de Julho de 1907, com o título «Importante descoberta literária em Constantinopla.»”
::Janaína Lobo::
4 de agosto de 2007 em 13:33
gostei muito da idéia trazida pela etimologia da palvra de: riscar de novo. que me leva a:
escrever de novo,falar de novo, tentar de novo, trocar de novo, discutir de novo, dançar de novo, comer bolo de novo, tantas ações de novo, que nos levam a esse novo estado.
redescobertas e lida com o que ainda é do que ja foi.
5 de agosto de 2007 em 15:46
Jana, Obrigado pela descricao do significado. Essa e’ boa, mais simples, talvez esclareca ainda mais.
A ideia de “linha intermediaria” e’ uma coisa que devemos pensar na hora de fazer essas retomadas.
Elielson, pro “riscar de novo” proponho “arriscar de novo” so pra engrossar o caldo dessa lista.