começa essa semana a residencia do projeto Travesqueens no galpao do nucleo. erivelto viana de sao luis e ricardo marinelli de curitiba encontram elielson pacheco de teresina na nossa verde cap. rimos da verde cap… pensando na nossa papisa elvira raulino anunciando os primordios do movimento queer no mundo aqui na tal verde cap ja nos anos 70. falamos de queer ontem na oficina de pensamento, e fiquei surpreso com a quantidade de artistas que nao conheciam o termo ou onde ele se encaixa. mas tente definir queer em poucas palavras e vai ver que o termo escapa a uma determinacao precisa. o que seria em portugues? frescurinha, babado, viadagem, bichice, afeminacao… mas nao relacionado a genero ou ao sexo necessariamente, mas tambem operando ai, nessa zona de hibridez e instabilidade de identidade e comportamento social.
no momento em que estamos no brasil, quando jair bolsonaro posa de palhaco para acalentar o medo de um grupo (grande) de eleitores, e se discute o kit gay ou nao nas escolas brasileiras, o projeto travesqueens parece apontar para um lugar alem.
Travesqueen é um corpo que clama pela androginia. É uma atitude que sublinha a performatividade de gênero e provoca os limites entre masculino e feminino. Travesqueen é uma mistura da irreverência, comicidade e exagero da Drag Queen com a potência transgressora e atitude irreversivelmente corajosa das mulheres travestis. Uma mescla da overdose de feminino que a Drag representa, com a arrebatadora transformação física que a travesti vive. Travesqueen é um corpo-manifesto, que explicita a violência de morte que hoje está debaixo do tapete. Que vive e morre na calçada. Que opta pela margem transgressora e ri disso. Travesqueen é uma possível e controversa atualização dos ideais burlescos. É onírico e macabro. É belo e trágico. É engraçado e dramático. Travesqueen é a manifestação da ambigüidade que existe em todos nós.
Sobre o projeto: Dando continuidade a uma série de interesses presentes nas trajetórias dos artistas envolvidos na equipe principal, o projeto coreográfico que se desenvolve em Travesqueens tem como finalidade central a articulação entre três criações de Erivelto Viana-Cíntia Sapequera, Elielson Pacheco-Sayara e Ricardo Marinelli-Princesa dos Cabelos Mágicos. São três existências que coabitam os corpos desses artistas, e que se juntam nesse processo articulando suas experiências "trans" em prol de uma criação em dança. Quem assina essa criação conjunta são os três artistas e o processo criativo será itinerante, passando pelas três cidades onde eles vivem e trabalham, ou seja, São Luís, Teresina e Curitiba. Além da montagem o projeto prevê a realização das seguintes atividades (que acontecem nas três cidades): uma oficina intitulada “Identidades e dança: jogando coreograficamente com as sexualidades”; uma mostra pública de processo; uma mesa de debate intitulada “Arte, corpo e diversidade sexual”, que em cada cidade conta com a participação de pensadores locais*; registro resultantes em vídeo e fotografia; comunicação, registro e difusão do processo criativo por meio deste blog, desenvolvido específicamente para o projeto. A construção dos solos tem como ponto de partida dramatúrgico as identidades paralelas que já vem sendo desenvolvidas por cada um dos artistas que compõe a equipe principal. Elielson Pacheco vem estudando a personalidade “simples” de SAYARA, Erivelto Viana já tem mais de 10 anos de convivência com CINTIA SAPEQUARA, persona celebridade em São Luís e Ricardo Marinelli tira do armário a vida intensa, polêmica e violenta de ANA PRINCESA DOS CABELOS MÁGICOS. A primeira etapa já aconteceu em São Luís (junho) e contou com a colaboração artística de Cristian Duarte, tendo acontecido vinculada ao 3º ano do Festival Conexões Dança. A segunda etapa acontecerá em Teresina e terá como colaborador e apoiador da pesquisa Marcelo Evelin, e também a participação de Valério Araújo. A estréia está prevista para setembro de 2011 em Curtiba que contará com a colaboração de Aurélio Dominoni. *mesa de debate em Teresina terá a presença de Vitor Koslowisky, Laura dos Reis ambos coordenadores do centro de referência LGBT "Raimundo Pereira" e o prf. Fabiano Gontijo, coordenador do grupo de pesquisa da UFPI Sexualidades, Corpo e Gênero.